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Campanha arrecada material escolar para crianças sírias refugiadas em São Paulo

São Paulo, SP… [ASN] Desde que os conflitos sírios começaram, há cinco anos, mais de 13 milhões de crianças pararam de estudar, segundo o último relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).  O mesmo estudo também apontou que cerca de 9 mil escolas foram destruídas ou danificadas por causa dos confrontos na Síria, Iraque, Iêmen e Líbia. Algumas destas crianças vieram ao Brasil com suas famílias em busca de um recomeço. Por isso, o Instituto Gênesis, localizado na Praça da Sé, está promovendo uma campanha de arrecadação de materiais escolares para as crianças de mais de 300 famílias sírias refugiadas na capital e que recebem atendimento no local.

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Ao chegar no Brasil, nem todas as crianças voltaram a estudar. Uma das principais dificuldades, além da diferença no idioma e cultura, é que a maioria não possui material escolar. “Acima de tudo, queremos garantir que elas tenham direito à educação, apesar das circunstâncias”, explica o coordenador da campanha, Wallysson Santos.

Para recolher as doações de materiais escolares na capital, foram criados postos de arrecadação no Hospital Adventista de São Paulo (Hasp), Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), Livraria Total Gospel, CPB Livraria – na Praça da Sé, Restaurante Vegetariano Family e na sede do Instituto Base Gênesis. Além disso, detalhes para doações em dinheiro também podem ser obtidos pelo telefone (11) 2129-2626. A arrecadação acontece até o dia 10 de fevereiro. [Equipe ASN, Jhenifer Costa]

Fonte: Notícias Adventistas

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized

 

No aniversário de São Paulo, imigrantes e refugiados marcam presença com festival cultural

Por Rodrigo Borges Delfim
Com colaboração de Géssica Brandino e Eva Bella

São Paulo deve à migração grande parte de seu dinamismo cultural e social. E esses elementos apareceram mais uma vez no aniversário de 462 anos da cidade, na última segunda (25), com um festival protagonizado por imigrantes e refugiados.

São Paulo Sem Fronteiras foi o tema da nona edição do Conexão Cultural, evento promovido anualmente no MIS (Museu da Imagem e do Som) e que desta vez foi organizado em conjunto com o GRIST (Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto), BibliASPA (Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes), MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro de São Paulo) e Associação Raso da Catarina.

“São Paulo não podia comemorar seu aniversário sem um grande evento com imigrantes e refugiados. Nada mais incrível aqui do que essa presença e que nos dá força para praticar a diversidade e perceber o quão belo é isso”, lembrou Paulo Farah, diretor da BibliASPA.

Organizadores do festival dão boas vindas ao público presente. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Mesmo sob forte calor, o festival lotou o MIS durante toda a tarde e se estendeu até as 22h com uma série de atrações musicais, de dança, arte e gastronomia de países como Haiti, Congo, Senegal, Togo, Palestina, Síria, entre outros. Em meio ao público, estimado em 2.500 pessoas pelo MIS, era possível ouvir tanto português como inglês, árabe, francês, espanhol e outros idiomas.

“Quando o refugiado sai do seu país ele deixa tudo por lá, mas traz consigo sua cultural. E nosso objetivo aqui é compartilhar essa cultura com vocês”, resumiu o congolês Pitchou Luambo, coordenador do GRIST.

A renda obtida com o festival será totalmente revertida para os próprios imigrantes que integraram o evento. E em breve deverão ser organizados novos festivais promovidos por imigrantes e refugiados na capital paulista.

Grupos musicais formados por migrantes do Congo, Senegal, Haiti e países árabes foram uma atração à parte no festival. Crédito: Eva Bella/MigraMundo

Oficinas diversas

Quem participou do evento também pode conferir painéis artesanais que retratam a história de mulheres refugiadas que vivem na Casa de Passagem Terra Nova, mantida no centro de São Paulo pelo governo estadual. A mostra “Refugiadas e arpilleras” foi desenvolvida com base na técnica têxtil surgida no Chile na década de 70 e que permitiu às mulheres retratar cenas do cotidiano em meio à ditadura militar.

Confeccionadas com juta, lã e pedaços de tecido durante oficinas sob orientação da arte-educadora Adriana Nalin. Um dos painéis levou quatro meses para ser produzido por quinze mulheres, que juntas elaboraram o retrato da união de pessoas de diferentes nacionalidades em torno da Terra. Em outro, mulheres sírias e africanas retrataram seus locais de origem. Em uma das imagens, o letreiro escrito em árabe dizia: “Damasco no coração de São Paulo”.

"Damasco no coração de São Paulo" é o que significa a inscrição em árabe no painel feito com a técnica têxtil arpillera, ensinada durante o evento. Crédito: Géssica Brandino/MigraMundo

Também ocorreram oficinas de caligrafia árabe, turbantes e dança africana e também de animação. Nessa última, o refugiado sírio Salim Mhanna ensinou os participantes do workshop a produzirem um projeto de animação no After Effects. Auxiliado pela tradução de um voluntário da BibliASPA, o professor Salim deu instruções sobre os comandos necessários e explicou os princípios básicos da animação.

Hoje refugiado, Salim é formado em antropologia visual pela Faculdade de Belas Artes de Damasco e tem 15 anos de experiência na produção audiovisual. Na terra natal, ele ajudava refugiados que viviam no país. No Brasil, ele busca uma oportunidade de trabalho que permita exercer a formação que tem e, dessa forma, manter a família, agora integrada pelo filho brasileiro Carlos, nascido há poucos meses.

Impressões do público

Para o estudante de filosofia José Alves, que trabalha com educação para prevenção ao câncer de mama, o festival mostra um lado da questão migratória que costuma ficar longe da cobertura dos grandes meios de comunicação. “A partir do momento que a gente passa a ver essas pessoas marcando presença aqui em São Paulo, ajuda a desmistificar as visões que temos sobre locais como a África, sobre nossa própria cultura”.

Público e atrações do evento interagiram com música e dança. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Já as figurinistas Alice Alves e Andréia Santana se queixaram de desorganização nas barracas de alimentos e esperavam um pouco mais da oficina de turbantes, oferecida durante o festival: “Faltou dizer de onde era, de que região era cada um dos turbantes, explicar melhor como funciona”, concordaram ambas.

O casal Cícero (33) e Míriam (29), que levou a filha Sophia (1) no evento, teve opinião diversa e elogiou a atividade como um todo. “Foi bem organizado, com ótimas apresentações musicais, só lamentamos não poder ter chegado mais cedo”.

Público não se contentou em apenas assistir e também tomou parte no evento. Crédito: Géssica Brandino/MigraMundo

Exposição fotográfica até dia 31

Além das atrações musicais, gastronômicas e das oficinas ao longo do dia 25, o MIS mantém até o dia 31 a mostra fotográfica Refugiados Eu Me Importo, feita a partir da convocatória feita nas redes sociais pelo Conexão Cultural e pelo GRIST.

Usando a hashtag #conexaomis, o público foi convidado a compartilhar fotos nas redes sociais que expressassem apoio aos refugiados e imigrantes que vivem no Brasil. As melhores imagens foram expostas no espaço Foyer do museu.

Este não foi o primeiro evento ligado à temática migratória que aconteceu recentemente no MIS. Em novembro passado o museu recebeu a exposição “Somos Todos Imigrantes“, do fotógrafo Chico Max, que depois passou por outros locais de São Paulo e atualmente está na estação Luz do metrô – até dia 31 de janeiro.

Fonte: http://migramundo.com/2016/01/26/no-aniversario-de-sao-paulo-imigrantes-e-refugiados-marcam-presenca-com-festival-cultural/#more-5275

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized

 

Os novos paulistanos: 5 histórias de imigrantes e de seus filhos nascidos na metrópole que dão cara a SP

http://noticias.r7.com/sao-paulo/fotos/os-novos-paulistanos-5-historias-de-imigrantes-e-de-seus-filhos-nascidos-na-metropole-que-dao-cara-a-sp-25012016#!/foto/1

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized

 

Alasita, o dia que os imigrantes deixam São Paulo mais boliviana

A cidade de Santos, no litoral paulista, tem pouco mais de 400 mil habitantes. A comunidade boliviana em São Paulo tem entre 350 e 400 mil imigrantes atualmente. É como se fosse uma “Santos” boliviana inserida na capital. Eles chegam todos os dias com uma bagagem de sonhos, mas o principal deles é de voltar ao país de origem com estabilidade financeira.

Por Mariana Serafini

 

Mariana Serafini

As "alasitas" miniaturas podem ser compradas nas barracas da feira para serem abençoadas pelos yatirisAs “alasitas” miniaturas podem ser compradas nas barracas da feira para serem abençoadas pelos yatiris

Há pouco mais de dez anos os bolivianos começaram a chegar na capital em busca de uma vida melhor e mais oportunidades de emprego. Com o tempo se instalaram principalmente na região Central e nos bairros da Zona Leste, afirma o diretor do Bolívia Cultural, Antonio Andrade Vargas. Hoje eles estão inseridos e convivem dividindo espaços e explorando novos lugares, como as cidades de Guarulhos e Campinas.

Em geral, no dia-a-dia eles estão “camuflados” em meio à rotina frenética da capital, mas uma vez por ano a cidade paulista se torna um pouco mais boliviana. É no dia 24 de janeiro que a comunidade comemora a festa de Alasita, onde se celebra a fartura e a riqueza, e são feitos pedidos e agradecimentos ao chamado Ekeo, deus aymara da abundância.

A celebração consiste em ter uma miniatura (a alasita) do que se deseja abençoada por Ekeko. São inúmeros os sonhos e ambições, e cada miniatura pode ser adquirida nas incontáveis barracas típicas instaladas especialmente para a festa. Há quem compre miniatura de dinheiro (pode ser na moeda que desejar), de casa, de materiais de construção, de carro, baú de fortunas, diplomas universitários.

Estas “alasitas” então recebem a bendição dos yatiris, espécie de feiticeiros que abençoam os objetos com fumaça de incenso, vinho e álcool. O ritual é conjunto porque o dono do objeto não é apenas espectador, ele participa. O padre da igreja católica também faz parte da cerimônia desvendando o sincretismo religioso, benção da igreja católica e dos yatiris às alasitas.


É comum que as pessoas circulem pela festa com suas “alasitas” penduradas  no pescoso | Foto: Mariana Serafini

Em São Paulo a festa acontece desde 1999 e em 2014 o prefeito Fernando Haddad a incluiu no calendário oficial do município. Este ano, pela primeira vez, a Alasita aconteceu em cinco pontos simultaneamente. Todas lotaram, não só de bolivianos, mas de paulistanos curiosos que puderam, além de conhecer um pouco mais sobre a cultura do país vizinho, se deliciar com o cardápio típico e se divertir com as danças tradicionais recheadas de cores de encher os olhos.

O prato típico da celebração é o “Plato Paceño” composto por favas, milho verde e batata cozidos, além de bife e queijo fritos. Esta iguaria pode ser facilmente adquirida em muitas das barracas, que servem também outras comidas típicas de diversas regiões da Bolívia. Os pratos vão dos mais elaborados, até os lanches simples como salsichas e batatas, ou as famosas salteñas.


Independente da festa que esteja acontecendo, se existir uma mesa de pebolim eles estarão concentrados nela | Foto: Mariana Serafini

Antônio explica que a maior parte dos bolivianos vem das regiões de Oruro, La Paz e El Alto, na Bolívia, e são muitos os objetivos que os levam a abandonar seu país e partir em busca de uma nova vida. De um modo geral eles chegam no Brasil já com emprego e moradia garantidos e a partir disso começam a construir os meios para o regresso. No entanto, nem todos conseguem voltar e acabam postergando o sonho.

Segundo Antônio, não é possível afirmar que o fluxo de bolivianos que chegam aumentou ou diminuiu nos últimos anos, mas com certeza muitos estão conquistando as condições necessárias para voltar à Bolívia. “Depois de um tempo muitos conseguem mandar dinheiro e comprar uma pequena casa, um comércio, e acabam voltando. Eles chegam aqui com o sonho de ‘fazer fortuna’, mas o que realmente conquistam é uma estabilidade mediana”.


Há os que já nasceram no Brasil, e os que vieram muito jovens, acompanhando o sonho dos pais | Foto: Mariana Serafini

Televisões de tubo, fogões, geladeiras, guarda-roupas e outros eletrodomésticos e móveis volumosos são alguns dos objetos que eles levam embora, quando retornam à Bolívia. É fácil perceber que seria mais vantajoso economizar o dinheiro do translado destes objetos e compra-los novamente lá. Mas Antônio explica que isto significa o símbolo de uma conquista. “Eles fazem questão de levar televisões antigas, fogões normais, porque isso é fruto do trabalho deles, foi o que conquistaram aqui, é um orgulho. Então eles preferem levar, mesmo pagando caro no transporte, a vender tudo aqui e comprar novos lá”.

Muitos dos que conseguem voltar afirmam que as condições de vida na Bolívia estão melhores que há dez anos, hoje é possível trabalhar menos lá e receber o equivalente ao que se recebe no Brasil. Mas mesmo assim o sonho de riqueza ainda encanta muitos dos que estão chegando. O segundo destino, depois do Brasil, é o Chile. Antônio explica que a estabilidade econômica do país é um dos principais atrativos. “Antes eles iam muito para a Argentina, mas hoje escolhem o Chile”.


Os bolivianos deram vida e cor à fonte da Praça da República, e às outras regiões da cidade que escolheram para viver | Foto: Mariana Serafini

Passada a Alasita a vida volta ao normal, e espera-se que o novo ano seja frutífero para conquistar os pedidos feitos a Ekeko. Porém, o clima de festa e o acolhimento boliviano ainda podem ser encontrados em alguns pontos específicos da capital. Aos domingos acontece uma feira na Praça da Kantuta, no Pari e eventualmente algumas festas típicas. Durante a semana a comunidade se concentra principalmente na Rua Coimbra. Independente de quantos bolivianos chegam ou partem diariamente, uma coisa é certa: São Paulo está ficando mais rica com a cultura, os costumes, a gastronomia, as músicas e as danças que eles deixam.

Do Portal Vermelho

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized

 

Brasileiro conta sua experiência como refugiado na Europa

Advogado especializado em Direitos Humanos, Edgard Raoul, de 30 anos, resolveu deixar o trabalho e a vida confortável em São Paulo para passar 26 dias vivendo como refugiado de guerra na Europa. Em entrevista exclusiva, ele contou sua aventura à Sputnik Brasil.

Edgard Raoul passou por 8 países (Turquia, Grécia, Macedônia, Sérvia, Croácia, Eslovênia, Áustria e Alemanha) junto com sírios, iraquianos e afegãos, ajudando a quem podia e enfrentando o frio e a fome, para poder entender a crise humanitária pela visão de um verdadeiro refugiado.

O jovem paulista lembra que sua tomada de decisão de ir para a Europa partiu do reconhecimento do fato de estar diante da maior crise de refugiados depois da Segunda Guerra Mundial. E, por ser um advogado especializado em Direitos Humanos, ele não podia deixar de se envolver na causa.

“A minha ideia foi entender como os países mais poderosos e ricos do mundo estão lidando com a crise e também como as organizações internacionais trabalham diante da questão.”

A viagem de Edgard Raoul começou em março de 2015. Inicialmente o advogado foi para Nova York, para aprender com as grandes organizações humanitárias como agir com os refugiados. Em seguida foi ser voluntário na Turquia e na Grécia, e depois decidiu viver como refugiado numa rota até a Alemanha.

“A maioria das grandes organizações tem suas sedes em Nova York, e eu entendi ser aquele um local interessante para checar e também para entender a visão norte-americana diante do assunto. Passados alguns meses, resolvi ir para a Turquia e para a Grécia, porque entendi que a minha atuação em campo seria mais produtiva do que em Nova York.”

Após trabalhar como voluntário independente por 22 dias na ilha grega de Lesbos, o advogado percebeu que ali há muita atenção para crianças e bebês, mas que os jovens recebem pouco apoio, e foi nessa posição de homem jovem, solteiro e sem dinheiro que Edgard Raoul se colocou como refugiado.

“Entende-se, e é verdade, que o homem solteiro não precisa de tanta assistência quanto uma criança, como um bebê, mas o homem solteiro também sofre, também tem dor, sente fome e frio, e como sou homem, jovem e solteiro, essa era a única maneira de me enquadrar como refugiado. Eu me tornei um refugiado justamente para entender a crise na perspectiva de um refugiado, porque até então eu entendia a crise na perspectiva de um voluntário e de um advogado.”

Para Raoul, o momento mais marcante da viagem foi quando ele, ainda como voluntário em Lesbos, ajudou um pai que chegou com a filha em um bote e a criança estava praticamente sem vida.

“Eu estava na costa, junto com outros voluntários, esperando os botes chegarem, e num dos botes um pai desesperado carregava a filha inconsciente. Eu me aproximei do pai e, tentando ajudar de alguma forma, recebi a filha dele em meus braços. E pude sentir naquele momento toda a injustiça em relação à crise de refugiados, porque senti em meus braços uma criança sem vida, considerando que ela estava desacordada, inconsciente, pálida, completamente gelada. Felizmente, porém, ela sobreviveu e pôde continuar sua jornada.”

Edgard Raoul conta que a presença dele como brasileiro causou desconfiança em alguns refugiados e em policiais, mas de forma geral ele não teve problemas para se relacionar.

“Como voluntário, quando descobriam que eu era brasileiro, a reação deles era completamente positiva e muito alegre. Eles começavam a falar os nomes dos nossos jogadores de futebol, como Neymar, Ronaldo, Roberto Carlos, Ronaldinho e Kaká, e isso rendia horas de bate-papo e era um quebra-gelo. Como refugiado, no meio do percurso eles desconfiavam da minha posição, porque não conseguiam entender como um brasileiro estava vivendo nas mesmas condições que eles. Havia certa resistência no começo, mas depois a gente se entendia e seguíamos a jornada juntos.”

O advogado falou ainda da relação dos refugiados com a polícia e disse que em muitos momentos fez um papel de mediador nos conflitos no trajeto até a Alemanha.

“Durante todo o meu percurso eu pude atuar como mediador, a fim de deixar mais amena, mais tranquila, a relação entre autoridades e refugiados. É difícil assistir àquela situação, seja para o voluntário, para o policial, para o soldado. Algumas vezes, quando as autoridades estavam mais agressivas, eu tentava conversar com elas, para mostrar que os refugiados não têm culpa da situação, que a circunstância é muito dura e que nós podemos contornar a situação ou viver a situação de uma forma mais amena. Na qualidade de mediador, a minha ideia era conscientizar as autoridades a respeitarem a integridade física dos refugiados e também explicar aos refugiados que os policiais e soldados obedecem ordens, não se trata de algo pessoal.”

Segundo Edgard Raoul, a Grécia e a Alemanha são os países que melhor atendem e recebem os refugiados. Já a Macedônia e a Sérvia são os que oferecem menos condições, ressaltando ainda que os refugiados são explorados pelos comerciantes locais. O advogado contou que chegou a pagar 10 euros, cerca de R$ 44, por uma maçã, para dá-la a uma criança síria. E diz também que na Macedônia e na Sérvia as populações locais não são receptivas. Lá os refugiados não têm ainda a proteção total das autoridades, o que possibilita que as máfias locais e outras pessoas explorem e tirem vantagem da situação dos refugiados.

Edgard Raoul com um jovem refugiado sírio.
ARQUIVO PESSOAL
Edgard Raoul com um jovem refugiado sírio.

Depois dos quase 3 mil quilômetros percorridos entre a Grécia e a Alemanha em 26 dias, vivendo como um refugiado, Edgard Raoul quer partir para a próxima etapa de sua experiência. Ele diz que a primeira parte foi na Ilha de Lesbos, na Grécia, para entender o local aonde os refugiados estão chegando. O segundo momento foi perceber como se dá a travessia até a Alemanha, que é o local aonde a maioria dos refugiados quer ir. E a terceira etapa, a próxima, será no Oriente Médio.

Somente depois dessa viagem final é que o advogado vai resolver o que vai fazer com toda essa experiência.

“A minha ida para o Oriente Médio visa a entender os locais de onde os refugiados estão saindo. A ideia é compreender os três momentos, e eu acredito que após o Oriente Médio vou ter uma noção melhor da crise dos refugiados.”

O brasileiro agora se prepara para a primeira parada no Oriente Médio, que será na Jordânia. Depois ele seguirá para Líbano, Iraque, Afeganistão e, por fim, Síria.

Finalmente, para resumir sua experiência entre os refugiados, Edgard Raoul diz que apenas seguiu um desejo, um sonho. “Tenho vivido o melhor momento da minha existência, porque resolvi seguir realmente o que desejo na vida, que é auxiliar e ajudar as pessoas em campo. Nós temos que ser leais a nós e à nossa carreira, independentemente do preço que se vá pagar.”

 

Fonte: http://br.sputniknews.com/mundo/20160121/3361081/entrevista-exclusiva-brasileiro-experiencia-refugiado-europa.html

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized

 

Universidade de São Carlos tem vagas para refugiados

Instituição federal fará processo seletivo para admissão de refugiados em seus cursos de graduação. Candidatos terão que fazer redação em português. Inscrições vão até esta quinta-feira (28).

São Paulo – A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vai promover um processo seletivo voltado para refugiados para seus cursos de graduação presenciais nos campus de São Carlos, Araras, Sorocaba e Lagoa do Sino, no interior paulista. As inscrições vão até esta quinta-feira (28) e a prova ocorrerá no dia 17 de fevereiro.

No total, a universidade oferece 61 cursos de graduação presencial, incluindo engenharia de produção, pedagogia, educação física, biotecnologia, música, psicologia, geografia, química, turismo, matemática, entre outros. Para cada curso, há uma vaga destinada a refugiados.

Para concorrer, é preciso que o candidato tenha concluído o ensino médio e que comprove sua condição de refugiado por meio de atestado emitido pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). As inscrições devem ser feitas pelo link https://form.jotformz.com/60202425663649.

O processo de seleção será feito por meio de uma prova de redação em língua portuguesa. O exame irá ocorrer no dia 17 de fevereiro, às 15 horas, no prédio da Pró-Reitoria de Graduação da UFSCar, em São Carlos. O resultado será divulgado no dia 19 de fevereiro, e os aprovados serão convocados imediatamente para fazer a matrícula e iniciarem as aulas em 29 de fevereiro.

O edital do processo seletivo destaca que, em qualquer fase do processo seletivo e mesmo após o ingresso do aluno na universidade, o estudante perderá o vínculo com a UFSCar se não for confirmada sua permanência legal no País.

Mais informações sobre o processo seletivo da UFSCar para refugiados estão disponíveis no link http://migre.me/sO0vt

Fonte: http://www.anba.com.br/noticia/21870289/educacao/universidade-de-sao-carlos-tem-vagas-para-refugiados/

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized

 

ONU lança cartilha para refugiados no Brasil

ode entrar: Português do Brasil para refugiadas e refugiados é o nome da cartilha que a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) acaba de lançar em parceria com o Curso Popular Mafalda e com a Caritas Arquidiocesana de São Paulo (Casp). O material didático criado conjuntamente por Jacqueline Feitosa, Juliana Marra, Karina Fasson, Nayara Moreira, Renata Pereira e Talita Amaropode ser baixado gratuitamente aqui.

Fonte: http://www.publishnews.com.br/materias/2016/01/18/onu-lana-cartilha-para-refugiados-no-brasil

 
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Publicado por em 27/01/2016 em Uncategorized