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Arquivo da categoria: Sírios

Sírios devem ser nacionalidade que mais busca refúgio no Brasil em 2015, diz Acnur

O Brasil é cada vez mais procurado por sírios que estão fugindo da guerra civil na Síria. Tanto é que eles devem ser a nacionalidade que mais buscará refúgio no Brasil em 2015, calcula o representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez.

“Sabemos que no futuro vão chegar mais e mais refugiados, e isso só reflete que o Brasil está seguindo tendências globais, o número de refugiados está aumentando em todos os países, porque além dos conflitos velhos, como no Iraque e no Afeganistão, há os conflitos novos, como os da primavera árabe e a Síria”, disse Ramirez durante um treinamento em proteção de refugiados nesta segunda-feira (31) em São Paulo.

De acordo com Ramirez, entre os motivos para o aumento da demanda de solicitações de refúgio de sírios está a uma presença maior do Brasil internacionalmente, principalmente em eventos como Copa do Mundo, Copa das Confederações e Olimpíadas. Outro motivo citado por Ramirez seriam leis avançadas no âmbito de proteção a refugiados, que permitem que o refugiado tenha carteira de trabalho, por exemplo.

Ainda há um terceiro motivo, que são as raízes familiares. Estima-se que três milhões de brasileiros têm ascendência síria, principalmente devido a uma onda de imigração que ocorreu no início do século 20.

No momento, dos 5.200 refugiados legalizados no Brasil, 333 são sírios. Mas o país está passando por um “boom” de pedidos de refúgio em geral. Em 2010, o Brasil recebeu 566 solicitações de refúgio. O número praticamente dobrou no ano seguinte, com 1.138 pedidos e dobrou de novo em 2012, com 2.008 solicitações. Em 2013 foram 4.724 pedidos e a previsão de 2014 é de 12.000. A taxa de aprovação de refúgio gira em torno de 36%, segundo Ramirez.

Em setembro do ano passado, o Brasil foi o primeiro país das Américas a oferecer asilo humanitário especial aos sírios – o que promete aumentar ainda mais o número de pedidos.

Fonte: http://www.lem.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=1039

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Publicado por em 06/06/2014 em Notícias, Sírios

 

Mesquita em Guarulhos acolhe refugiados de Guerra Civil na Síria

http://www.sbt.com.br/jornalismo/noticias/40322/Mesquita-em-Guarulhos-acolhe-refugiados-de-Guerra-Civil-na-Siria.html#.UzXYJ_ldXYE

 
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Publicado por em 28/03/2014 em Notícias, Sírios

 

Árabes de SP ajudam refugiados sírios em ‘via-crúcis’ da adaptação

Comunidade se une para conseguir emprego e casa para recém-chegados.
Famílias dormem em mesquita; demora para obter documento dificulta.

Flávia MantovaniDo G1, em São Paulo

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O comerciante sírio Amer Masarani, de 42 anos, tem mais de 20 chips de celulares registrados em seu CPF. Todos pertencem a conterrâneos seus que chegaram a São Paulo fugindo da guerra civil que já atinge o país há três anos. Como muitos atendentes de lojas de telefonia não aceitam que alguém compre chip pré-pago sem ter um CPF – apesar de ser permitido oficialmente o cadastro com passaporte –, essa foi a solução encontrada por ele para que os recém-chegados tenham seu próprio telefone.

Amer também alugou um apartamento em nome dele para uma das famílias, recebeu outra em sua casa por dois meses e criou um curso de português na Mesquita do Pari. Muitas vezes, serve de tradutor enquanto eles não aprendem o idioma. Foi assim que fez o contato entre uma gestante e a ginecologista que a examinava: do lado de fora da sala, com um celular, ele falava com a paciente e a médica para permitir que se comunicassem.

Tirei minha mãe, minha irmã e meus sobrinhos de lá pra não sofrerem na guerra. Como essa minha mãe, o outro também tem mãe. E essa mãe precisa de ajuda”
Amer Masarani, comerciante

Para dar conta de tudo isso, Amer praticamente abandonou suas três lojas de roupas no Brás. “Faz quatro meses que larguei meu serviço. Uma vez pedi pro gerente colocar um placa ‘precisa-se de vendedor com experiência’ e ele falou: ‘Posso colocar uma placa de precisa-se de um patrão?’”, conta, com bom humor.

Natural da cidade de Homs, Amer mora no Brasil há 17 anos, é casado com uma brasileira e tem três filhos. Depois que trouxe sua família para cá, no início da guerra, começou a ajudar outros sírios desconhecidos que queriam sair de lá e não tinham para onde ir. “Tirei minha mãe, minha irmã e meus sobrinhos de lá pra não sofrerem na guerra. E, como essa minha mãe, o outro também tem mãe. E essa mãe também precisa de ajuda”, diz.

Limbo burocratico

Família na Mesquita de Guarulhos: alguns refugiados dormem em colchões dentro do templo (Foto: Gabriel Chaim/G1)Família na Mesquita de Guarulhos: alguns refugiados dormem em colchões dentro do templo (Foto: Gabriel Chaim/G1)

A maior parte dos problemas, segundo Amer Masarani, ocorre nos primeiros meses em que eles ficam no Brasil. Como o pedido de refúgio só pode ser feito já em território nacional, eles precisam chegar com visto de turista, que dura três meses e pode ser renovado por mais três. Devido ao conflito na Síria, o Brasil passou a facilitar a obtenção do visto de turista para os cidadãos desse país.

Uma vez que vão à Polícia Federal pedir o status de refugiados, eles ganham um protocolo provisório que permite que tirem carteira de trabalho e aluguem imóveis, por exemplo. Segundo o governo e entidades que atendem essas pessoas, o fato de terem vindo da Síria, que está reconhecidamente em guerra civil, garante a obtenção do status de refúgio.

Pai e filho na Mesquita de Guarulhos, que abriga sírios que fugiram da guerra (Foto: Gabriel Chaim/G1)Pai e filho na Mesquita de Guarulhos, que abriga
sírios que fugiram da guerra
(Foto: Gabriel Chaim/G1)

O problema é que o número de vagas para agendamento dessa entrevista está muito aquém do necessário, já que, além dos sírios, o Brasil recebe migrantes de vários outros países, como Haiti, Colômbia e Congo. Portanto, essa entrevista pode demorar até oito meses para acontecer.

Enquanto isso, com o visto de turista eles não podem obter um emprego formal e resolver muitas outras questões burocráticas. Pior: depois que esse documento vence e antes de a entrevista na PF acontecer, eles ficam na ilegalidade.

É essa lacuna que Amer e outros amigos tentam ajudar a resolver. A questão da moradia, segundo ele, é crítica. “É muito difícil alugar casas. São todos refugiados, onde vão arranjar um fiador? Ou então exigem três aluguéis como depósito, mas eles não têm esse dinheiro.”

O grupo fez uma tentativa de alugar um galpão para alojar várias famílias provisoriamente, mas nenhum proprietário permitiu. “Não conseguimos nada. As pessoas são muito desconfiadas em relação ao que seja uma refugiado. Ficam com medo de eles não saírem mais de lá”, conta a brasileira Layla Ielo, que ajuda no trabalho com os refugiados no Brás.

É muito difícil alugar casas para eles. São refugiados, onde vão arranjar fiador? Ou então exigem três aluguéis como depósito. Eles não têm esse dinheiro”
Amer Masarani

A solução tem sido conseguir apartamentos de amigos para alojar provisoriamente algumas famílias, fazer vaquinhas com outros comerciantes árabes para pagar hotéis baratos ou conseguir trabalho no mercado informal para que os refugiados possam se sustentar sozinhos.

Também há mesquitas que estão hospedando os refugiados no próprio templo. É o caso da mesquita de Guarulhos, onde aproximadamente 40 pessoas dormem em colchões espalhados pelo  edifício.

No Brasil desde 1993, o comerciante libanês Hussein El Khatib ajuda a conseguir doações e outros serviços para os refugiados que estão nessa mesquita. Ele já abrigou, no total, quatro adultos e cinco crianças em sua casa. Conta que todos os dias pede a seus filhos que comprem doces para distribuir entre as crianças refugiadas.

O xeique da Mesquita de Guarulhos, Mohamad Al Bukai, diz que conseguiu até 200 vagas de trabalho em uma fábrica no Paraná e já tem ao menos 20 sírios interessados em aproveitar essa oportunidade, mas não pode enviá-los para lá por não terem ainda o protocolo. Ele diz que o templo atingiu a máxima capacidade de atendimento. “Ontem me ligaram dizendo que chegaram dez sírios no aeroporto. Estamos sobrecarregados”, afirma.

Governo e sociedade civil

Crianças sírias brincam dentro da Mesquita de Guarulhos (Foto: Gabriel Chaim/G1)Crianças sírias brincam dentro da Mesquita de Guarulhos (Foto: Gabriel Chaim/G1)

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão do governo brasileiro responsável por conceder documentos aos refugiados, repassa recursos de assistência direta para organizações da sociedade civil como a Caritas.

Segundo Larissa Leite, advogada da Caritas de São Paulo, a entidade ajuda com assistência na documentação, distribui cestas básicas e também um valor mensal pequeno apenas para as famílias que estão em situações mais emergenciais, já que o recurso não é suficiente para todas.

Ontem me ligaram dizendo que chegaram dez sírios no aeroporto. Estamos sobrecarregados”
Mohamad Al Bukai, xeique da
Mesquita de Guarulhos

Também tem convênios, por exemplo, com entidades que dão cursos de português, mas as vagas não são suficientes.

Em relação à moradia, ela diz que a organização tem convênio com duas casas de acolhida e também pode encaminhar as pessoas para albergues municipais, mas esses lugares não são preparados para receber famílias, e isso afugenta muitos sírios.

“Eles têm perfil diferente de outros migrantes. A grande massa chega com dois, três filhos. E para eles a privacidade é muito importante. Por isso a questão da moradia acaba ficando a cargo das comunidades”, diz a advogada.

Larissa afirma que, para atender à grande demanda (que inclui também migrantes do Haiti, da Bolívia e de outros países), a Caritas vai tentar obter mais fontes de financiamento.

Segundo a Caritas, 171 sírios foram reconhecidos como refugiados em São Paulo ao longo do ano de 2013. No Brasi todo, esse número foi de 283, segundo dados do Ministério da Justiça — o dado representa 44% do total de concessões feitas pelo governo federal.

Amer Masarani afirma que as mesquitas do Pari e de Guarulhos, juntas, atendem mais de 240 refugiados atualmente. “Quando estou saindo para ajudar, tenho certeza absoluta de que Deus vai me ajudar também. E até agora não faltou nada, graças a Deus.”

arte síria versão 18.02 (Foto: Arte/G1)
Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/03/arabes-de-sp-ajudam-refugiados-sirios-em-crucis-da-adaptacao.html
 
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Publicado por em 28/03/2014 em Notícias, Sírios

 

Guerra síria faz estilista virar camelô e engenheiro vender roupas em SP

Conheça histórias de refugiados; maioria trabalha em lojas do Brás.
Aula de português em mesquita ajuda na adaptação à nova vida.

Flávia MantovaniDo G1, em São Paulo

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Na sala de aula improvisada na Mesquita do Pari, um grupo de cerca de 20 pessoas recita junto com a professora o alfabeto e os números em português. O sotaque árabe é forte, mas a vontade de aprender também é grande: eles sabem que precisam se tornar fluentes no idioma para conseguir se adaptar à nova vida que estão construindo em São Paulo.

A turma é heterogênea: há jovens, idosos, um casal com crianças, engenheiros, professores, eletricistas, pessoas de todas as profissões e classes sociais. A maioria chegou ao Brasil sem conhecer ninguém. Também não tinham lugar para morar, fonte de renda ou conhecimento da cultura do país. Cruzaram o oceano rumo ao desconhecido na esperança de um recomeço após perderem casa, emprego e segurança na Síria, atingida por uma guerra civil que acaba de completar três anos.

Uma vez aqui, foram acolhidos por conterrâneos que conheceram pela internet e por comunidades religiosas como a da mesquita onde as aulas de português acontecem. Eles tentam ajudá-los como podem, auxiliando com a burocracia, com moradias provisórias, empregos informais, tratamento de saúde.

Mas as barreiras são muitas. Como eles chegam com visto de turismo (o pedido de refúgio tem que ser feito em território brasileiro), não podem tirar carteira de trabalho. Pior: podem ter que esperar sete, oito meses pela entrevista para obter o protocolo que serve como documento enquanto o registro definitivo não sai. Nesse período, o visto de turista vence, e eles acabam ficando ilegalmente no país até a situação ser regularizada.

Para conseguir se sustentar, muitos trabalham em lojas de roupas ou em feiras na região do Brás, independentemente da profissão que tinham antes de chegar aqui. Alguns ficam em hotéis por um período, outros dividem apartamentos com mais refugiados ou se hospedam em mesquitas, igrejas e abrigos.

E assim vão levando, tentando melhorar de vida e se adaptar a uma cultura que é muito diferente da sua. Há quem não aguente e procure outro país com oportunidades melhores ou até volte para aSíria. Foi o caso, por exemplo, de um casal que, sem saber onde procurar ajuda, foi morar na rua no centro de São Paulo e acabou sendo vítima de violência – a mulher foi estuprada no episódio. Traumatizados, eles preferiram voltar para o cenário de guerra.

Mas a maioria pretende ficar aqui ao menos até a situação melhorar em seu país. Para eles, as deficiências na assistência oficial acabam sendo compensadas pelo jeito acolhedor dos brasileiros. Conheça a seguir a história de alguns desses refugiados que vivem na maior cidade do país.

Eletricista e mulher grávida chegaram ao país por acaso

Abdallah e Nisreen Mohammed com os filhos no apartamento que dividem com outra família (Foto: Gabriel Chaim/G1)Abdallah e Nisreen Mohammed com os filhos no apartamento que dividem com outra família (Foto: Gabriel Chaim/G1)

O casal Abdallah e Nisreen Mohammed chegou a São Paulo há apenas cinco meses, mas já tem um filho brasileiro. Nisreen, de 25 anos, estava no fim da gravidez quando embarcou no voo para o Brasil junto com o marido e uma filha de dois anos.

O plano inicial era ir para a Europa. Abdallah conta que pagou quase US$ 20 mil para um intermediário fazer um visto e enviá-los para “qualquer país da União Europeia que os aceitasse”. Segundo ele, o homem os enganou e eles só se deram conta de que teriam que desembarcar no Aeroporto de Guarulhos quando já estavam aqui. “Pensamos que faríamos uma conexão no Brasil e depois iríamos pra Europa”, diz o eletricista de 30 anos de idade.

A vida em São Paulo é muito difícil. Não temos ajuda do governo, o aluguel é muito caro. A vida é casa-trabalho-trabalho-casa”
Abdallah Mohammed

O sírio diz que ficou “chocado” quando percebeu o que havia acontecido. “Chegamos aqui e é uma cultura diferente, um idioma diferente, não conhecíamos ninguém, não tínhamos dinheiro para sobreviver”, diz.

Com a ajuda dos voluntários da mesquita, Nisreen conseguiu fazer o pré-natal, ter o bebê na Santa Casa de Misericórdia e registrar a criança.

Mas a adaptação da família não está sendo fácil. Sem falar português ainda – não dá tempo de estudar, diz Abdallah –, ele conseguiu um emprego em um restaurante árabe no Brás. Junto com a mulher e os filhos, acaba de se mudar para um apartamento de dois quartos no centro, compartilhado com outra família de refugiados com quem não tinham tido nenhum contato antes de chegar aqui.

No ambiente quase sem móveis, há apenas uma cama de casal para o casal dormir com as duas crianças. “A vida em São Paulo é muito difícil. Não temos ajuda do governo, os aluguéis são muito caros comparados com o salário que a gente recebe. A vida é casa-trabalho-trabalho-casa”, diz.

Abdallah afirma que sente saudade de “tudo” na Síria, mas sabe que não dá para voltar para lá por enquanto. Com os bombardeios em Aleppo, cidade onde morava, ele perdeu casa, amigos e parentes. “Quando acabar a guerra, se tivermos como viver lá, queremos voltar. Mas antes precisamos de um lugar para construir nossa vida , abrir o nosso caminho”, diz.

Engenheiro preso por engano tenta superar trauma com a família

Talal com a mulher, Ghazal, e os filhos Riad (à esq.) e Yara.  (Foto: Gabriel Chaim/G1)Talal com a mulher, Ghazal, e os filhos Riad (à esq.) e Yara. (Foto: Gabriel Chaim/G1)

Na aula de português na mesquita, dois alunos se destacam. Sentados nas duas primeiras filas, Yara e Riad são espertos e participativos, e gostam de recitar as lições em voz alta junto com a professora.

Os irmãos, de 9 e 12 anos, chegaram ao Brasil em dezembro de 2013 junto com os pais, Talal Al Tinawi e Ghazal Baranbo. Talal, um engenheiro de 40 anos, decidiu deixar o país depois que foi preso pelo Exército Sírio – ele diz que foi confundido com um homônimo que o governo estava procurando.

Ele ficou 105 dias na cadeia. A esposa só ficou sabendo do seu paradeiro dois meses depois, quando ele conseguiu ligar para ela. “O maior sofrimento foi não saber onde ele estava nem o que havia acontecido com ele”, diz Ghazal, que tem 30 anos de idade. Um dia, quando ela o visitava com os filhos, os rebeldes atacaram a prisão com bombas e tiros. Traumatizadas, as crianças não quiseram mais ir visitar o pai.

Só soube onde ele estava depois de dois meses. O maior sofrimento foi não saber o que havia acontecido”
Ghazal Baranbo, sobre a prisão
do marido na Síria

Quando Talal foi solto, a família passou dez meses no Líbano e depois veio para o Brasil. Aqui, o engenheiro trabalha vendendo roupas infantis no Brás. Questionado se gosta de morar em São Paulo, ele responde que “ainda não”. “Preciso de tempo. Três meses não é suficiente”, diz.

As crianças já estão estudando: Yara em um colégio islâmico e Riad em uma escola pública na Vila Carrão (nome que o pai sofre para pronunciar). Graças à ajuda de voluntárias que os apoiam no dever de casa e dos amigos que já fizeram na escola, os meninos estão aprendendo rápido o idioma.

Riad conta que tem saudade da Síria porque lá a família tinha casa própria e carro. Também sente falta dos parentes e dos vizinhos, com quem brincava duas vezes por semana. Mas ele está se acostumando à mudança. “Gosto de morar aqui porque é um novo país”, diz, em português.

Ex-funcionário de TV estatal quer morar no Sumaré
Seu nome é Majd, mas ele prefere ser chamado de Miguel. Para facilitar a comunicação com os brasileiros, o engenheiro de telecomunicações Majd Soufan, de 27 anos, adotou esse nome depois de chegar ao país no fim de dezembro do ano passado.

Ele veio da Malásia, para onde seu pai o enviou em 2011, preocupado com a sua segurança após ele ter participado de manifestações de rua no início da guerra. Miguel trabalhava na televisão estatal síria e ia ter que servir o exército, o que tornava sua situação mais difícil.

Assista ao vídeo ao lado

O engenheiro fez mestrado em sistemas de celulares na Malásia, mas quando acabou seu curso e seu visto não foi renovado, precisou encontrar outro país onde morar. Acabou chegando ao Brasil após ler sobre os voluntários da Mesquita do Pari no site da ONU. “Peguei o endereço e vim. Foi uma aventura”, diz.

Como muitos outros compatriotas, Miguel trabalha em uma loja de roupas, mas quer validar seu diploma para poder um dia voltar para a sua área. “Queria muito trabalhar na Vivo, na Claro. Eu posso ajudar, tenho muitas ideias”, afirma.

Aluga um quarto no Brás, mas diz que sonha em se mudar para seu bairro predileto na cidade: o Sumaré. “Gosto de lá. É limpo, organizado. Uma boa área”, explica.

Peguei o endereço [da mesquita] e vim para o Brasil. Eu não conhecia ninguém. Foi uma aventura”
Miguel Soufan

O domínio de idiomas está ajudando no aprendizado de português: Miguel fala árabe, alemão, inglês, farsi (língua do Irã) e um pouco de chinês. “Eu quero ser brasileiro”, diz, em português, durante a entrevista, com bom humor.

Seu tom fica mais grave ao falar sobre a guerra e sobre a família, que continua na Síria. “Nossa casa foi destruída, nossa fábrica, nossas terras, tudo se foi. Muitos amigos meus estão mortos, alguns poucos escaparam de lá”, conta.

Depois que a casa foi bombardeada, seus pais foram morar na casa de parentes. Eles querem sair da Síria, mas Miguel diz que há barreiras. “O problema é que minha avó é muito idosa, não consegue andar, e meu pai não quer deixá-la lá”, diz.

Comunicativo, ele diz que já fez muitos amigos brasileiros. “E quero fazer muitos mais”, afirma.

Estilista que trabalha na Feira da Madrugada conta drama de parentes

A guerra obrigou a família de Nour Koeder, 23, a se separar: ele mora em São Paulo; o pai, na Jordânia, com um de seus irmãos; a mãe foi para o Líbano e a irmã e outro irmão dele continuam na Síria.

Assista ao vídeo ao lado

Nour é de Arbeen, cidade próxima a Damasco que foi uma das atingidas por armas químicas que teriam sido jogadas pelo governo sírio em agosto do ano passado. O rapaz conta que não estava lá na época, mas soube da tragédia por amigos e familiares.

A família de Nour foi toda afetada pelo conflito. O tio e a mulher dele foram mortos por um bombardeio aéreo. Um primo dele está preso há quase dois anos. E o pai de Nour ficou preso por seis meses também – segundo o garoto, apenas por ser de uma cidade onde há muitos revolucionários. “Ele não fez nada. Ele tem 56 anos, trabalhava em uma companhia, só ia para o trabalho todos os dias”, conta.

O rapaz diz que não conseguiu reconhecer o pai quando ele saiu da prisão, com 25 quilos a menos e a mesma roupa que usava no dia em que havia sido detido.

Estilista, Nour desenhava vestidos de noiva de alta costura na Síria. Hoje, trabalha na Feirinha da Madrugada do Brás e mora com uma tia que vive no país há 35 anos. Diz que, mesmo longe, a guerra o inquieta. “Estou no Brasil e mesmo assim tenho medo. Não por mim, mas por minha família na Síria”, diz.

Professora de inglês mora com brasileiras e sonha em voltar a lecionar

Dana Albalkhi, 25, está no Brasil há apenas três meses, mas já aprendeu muitas palavras em português. O fato de ter trabalhado como professora de inglês na Síria ajuda na facilidade para aprender o idioma, mas além disso ela mora com duas garotas brasileiras em São Paulo, e diz que aprendeu muito com elas.

Assista ao vídeo acima

“No primeiro mês eu só me comunicava com gestos. Depois comecei a aprender com as brasileiras que moram comigo e também no trabalho”, diz ela, que trabalha em uma loja de roupas no Bom Retiro, “apenas para começar”. “Quando eu tiver meus papéis, posso, quem sabe trabalhar dando aulas”, diz.

A jovem é de Daraa, uma das cidades onde começou a revolução síria. Ela diz que a situação lá está “feia”. “Tem bombas o tempo todo, não há eletricidade. Minha mãe me diz que todo dia há alguma coisa acontecendo lá”, conta.

Dana deixou a Síria em outubro. Foi para a Turquia, mas achou a língua difícil demais de aprender e não conseguiu emprego. Diz que gosta de cidades grandes como São Paulo. “Aqui tem muitas oportunidades. Basta saber aproveitá-las”, afirma. E completa: “Quero ficar aqui. Inshallah [se Deus quiser].”

arte síria versão 18.02 (Foto: Arte/G1)

Fonte; http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/03/guerra-siria-faz-estilista-virar-camelo-e-engenheiro-vender-roupas-em-sp.html

 
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Publicado por em 25/03/2014 em Notícias, Sírios

 

Refúgio no Brasil

Crianças sírias que moram em SP falam do medo que passaram na guerra e da saudade de seu país

TASSIA MORETZCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A guerra da Síria já deixou mais de 100 mil mortos, e pelo menos 2,3 milhões de sírios se refugiaram em outros países. Desse total de pessoas que estão longe de casa, familiares, amigos, mais de 1 milhão são crianças.

A maioria vai para países vizinhos, mas alguns, para mais longe, e o Brasil está entre os que os recebem. Perto de 300 vieram para cá, sendo cerca de 40 crianças. A “Folhinha” conversou com 23 sírios de uma mesma família que moram no interior de São Paulo (os nomes usados na reportagem não são reais, para proteger as crianças).

O abrigo é a casa da tia Eva, que veio da Síria há 65 anos. Além dos adultos, há crianças e adolescentes, de um recém-nascido a um rapaz de 17 anos. De avião, em viagem de 23 horas, trouxeram pouca coisa na mala, mas muitas lembranças dos dias difíceis.

Taís, 6, se lembra de quando teve de fugir às pressas. “Era noite, ficaram batendo na porta, empurrando. Eu, minha mãe e minha irmã ficamos chorando, não sabíamos quem era. Queriam nos matar, mas não abrimos a porta. Conseguimos fugir para a casa da minha avó.”

Agnes, 9, conta que sua casa foi escolhida por invasores para funcionar como fábrica de bombas. Disse sentir muitas saudades do avô, que ficou lá. Antes, conversavam pela internet, mas agora ele está sem energia elétrica, por isso não conseguem se falar.

Ana, 10, diz que teve de deixar para trás os brinquedos e amigos. E o pai –de quem não tem notícias há mais de quatro meses. Sua casa foi invadida, e ela fugiu com a mãe e a irmã para a casa dos avós. Mas a casa dos avós também foi invadida, e eles, agredidos.

Ana já fez amigos na escola e convive bem com as crianças brasileiras. Mas sente falta de seu país. “Antes da guerra, íamos brincar no parque, na casa de amigos. Íamos à praia, à piscina. Na guerra, a gente não podia fazer nada, só ficava em casa.”

A escola, conta, foi destruída por bombas. “A mesma coisa aconteceu com o nosso carro e a nossa casa.” Na Síria, juntava balas de revólver numa caixa para se distrair. No Brasil, estuda e ajuda a mãe a vender comida típica. Mas queria voltar para o seu país. “Gostaria que a Síria voltasse a ser como antes: bonita.”

Amigos brasileiros ajudam refugiados

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Na Síria, as crianças falam árabe, a língua oficial do país, e aprendem na escola inglês e francês. Os refugiados no Brasil agora já se comunicam bem também em português. Os sírios do interior de São Paulo entrevistados pela “Folhinha” contam que foram bem recebidos na escola pelos colegas brasileiros.

“Os amigos dão muito apoio e fazem com que nossas crianças se sintam em casa. Eles saem juntos, brincam, mostram um pouco da cultura brasileira como as músicas, as danças. Também ajudam nas lições de casa, a ler, a escrever e a falar”, conta Fátima, tia da turma.

A família precisa arrumar mais trabalho e um lugar maior para morar, porque, com 23 pessoas, a casa da tia Eva está superlotada. “É muito apertado, mal dá para respirar durante a noite, quando todos estão em casa”, reclama Renata, mãe de duas meninas. As três dividem o quarto com a avó e o avô.

ATÉ QUANDO?

É possível que a família tenha que permanecer no Brasil por muitos anos, porque não se sabe quando a guerra irá terminar. Para o doutor em ciência política Bruno Borges, da PUC do Rio, o futuro no país é incerto e a situação de conflito ainda pode se agravar. “As coisas devem ficar piores antes de começarem a melhorar. É difícil reconstruir a Síria logo.”

Muitas crianças morrem, outras ficam sem os pais ou são enviadas por eles para diferentes países. “Uma vida em guerra é muito difícil. São famílias dizimadas, situações que interferem na formação, na escola, no cotidiano. É uma geração de crianças traumatizadas.”

Ele diz que os brasileiros podem ajudar. Além de receber bem os refugiados, é possível apoiar organizações como Cruz Vermelha e Médicos sem Fronteiras, que atuam em locais em guerra.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhinha/153373-refugio-no-brasil.shtml

 
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Publicado por em 24/02/2014 em Notícias, Sírios

 

Brasil foi um dos países que facilitou a concessão de visto às pessoas que fogem do conflito armado na Síria

Confira reportagem do Jornal da Cultura:

http://tvcultura.cmais.com.br/jornaldacultura/reportagens/numero-de-refugiados-sirios-em-todo-o-mundo-ja-ultrapassou-a-marca-de-2-milhoes

 
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Publicado por em 14/02/2014 em Notícias, Sírios

 

Conferência de Genebra é ‘primeiro passo’ para a paz, diz sírio em SP

Mahmoud Al Zouhby mora há três anos no Brasil.
Economista político diz que EUA estão ‘dando tempo’ ao regime de Assad.

Giovana SanchezDo G1, em São Paulo

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Mahmoud Al Zouhby está no Brasil há três anos (Foto: Caio Kenji/G1)Mahmoud Al Zouhby está no Brasil há três anos e falou ao G1 na sede da Cáritas, em São Paulo (Foto: Caio Kenji/G1)

A primeira vez que Mahmoud Al Zouhby contrariou o governo de seu país foi aos 18 anos, quando se recusou a prestar o serviço militar obrigatório no exército sírio. Ele achava que a instituição não servia para proteger a nação, mas apenas a família do então presidente Hafez al-Assad, pai do atual, Bashar. Hoje, vivendo em São Paulo como refugiado, ele tem outros mil motivos para criticar o clã que está no poder há 44 anos na Siria. Mahmoud perdeu amigos, viu seus irmãos deixarem o país e recebe diariamente relatos trágicos de uma guerra macabra. “Tem que acabar. Precisa acabar. Ninguém aguenta mais, nem os radicais. É uma das piores coisas que já vi e estudei”, disse ele em entrevista ao G1.

Em meio a uma verdadeira aula de geopolítica – Mahmoud é formado em economia, tem mestrado em economia política e cursa agora doutorado na USP em relações internacionais -, ele conta como recebe as notícias da guerra em sua terra natal. “As fotos que aparecem no meu Facebook são inacreditáveis. Há relatos de uma mãe com cinco filhos que foi encontrada por soldados em uma casa. Os soldados mataram todas as crianças e fizeram ela nadar no sangue do chão. As pessoas estão morrendo de fome, comendo gato, cachorro, é terrível.”

Após três anos de guerra, iniciada com a repressão a manifestações antiregime, o governo e a oposição sírios estão reunidos em Genebra, na Suíça, para tentar negociar – pela segunda vez – uma resolução pacífica para o conflito. Durante a conferência, a mediadora ONU também tenta conseguir passagem para um comboio de ajuda humanitária destinado a 2.500 pessoas cercadas e famintas na cidade velha de Homs.

O refugiado sírio diz que gosta do Brasil. 'Aqui tenho minha liberdade', diz ele (Foto: Caio Kenji/G1)O refugiado sírio diz que gosta do Brasil. ‘Aqui tenho minha liberdade’, diz ele (Foto: Caio Kenji/G1)

“É um jogo político complexo. Há muitos atores, é preciso olhar para os vizinhos”, diz Mahmoud, apontando para o grande mapa mundi na parede da Cáritas, instituição que ajuda refugiados e onde ele falou com o G1. “Por que o Irã protege Assad, por exemplo? É importante para o governo xiita exportar sua revolução, controlar a região ao seu redor. Já Arábia Saudita e Jordânia temem que qualquer grande mudança se aproxime de seus frágeis reinados. Ao passo que na Síria, 80% do território não está sob controle do governo e nem do [opositor] Exército Livre da Síria – há grupos radicais muitíssimo perigosos, como a ramificação da Al-Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.”

Para Mahmoud, quando no ano passado os Estados Unidos ameaçaram atacar o regime de Assad após um ataque com armas químicas, um acordo foi logo conseguido, dando uma “chance para Assad tentar ficar e vencer a guerra”.

Ele acredita que a Conferência de Paz é um primeiro passo para uma possível paz, mas também um aviso de que o tempo de Assad está acabando. “A América ainda dará algum tempo a Assad, mas não muito. O problema é quem entrará no lugar dele, quem poderá dar segurança e estabilidade para a região. Porque ninguém aguenta mais. É preciso acabar, todo mundo precisa que acabe, os países vizinhos estão cheios de problemas.”

Com esse cenário nada otimista, Mahmoud não pretende sair do Brasil. Aqui ele estuda e trabalha como analista político para alguns jornais internacionais. Segundo suas projeções, se a guerra acabasse agora, a Síria ainda levaria uns 10 anos para voltar a ter segurança, uns 15 para se recuperar economicamente, e ao menos três gerações para ter alguma estabilidade social. “Aqui tenho minha liberdade. Eu gosto do Brasil, dos brasileiros. Vocês gostam de fazer amizade com estrangeiros, isso não acontece na Europa. Ah, e tem o Corinthians!”

arte síria versão 24.01 (Foto: Arte/G1)
Fonte: http://g1.globo.com/mundo/siria/noticia/2014/01/conferencia-de-genebra-e-primeiro-passo-para-paz-diz-sirio-em-sp.html
 
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Publicado por em 31/01/2014 em Notícias, Sírios