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Arquivo da categoria: Índios

Mostra de arte indígena em São Paulo

A exposição Artefatos Indígenas reúne 270 peças recentemente adquiridas para integrar o acervo do Pavilhão das Culturas Brasileiras, em São Paulo. No acervo há 30 desenhos sobre papel que mostram a riqueza da arte gráfica Wajãpi, reconhecida pela UNESCO como patrimônio imaterial da humanidade.
A mostra é dividida em módulos que evidenciam a obra de 12 povos indígenas da Amazônia, dos Estados do Amapá, Pará e Mato Grosso: Wajãpi, Galibi, Palikur, Karipuna, Galibi-Maworno, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Aparai, Asurini, Kayapó e Kayapó Xikrin.
Algumas peças usam materiais atuais, como miçangas, botões e canudos plásticos, ou desenhos sobre papel feitos com caneta hidrográfica, e mesmo objetos para o público não indígena como por exemplo, a diadema Kayapó (primeira foto). As plumas foram substituídas pelos canudos plásticos, mas mantêm o esquema de cores tradicionais com plumas de arara vermelhas mais longas no centro.
Clique nas fotos para ampliar.

Cocar de canudo, do povo Kayapó, do Mato Grosso O Kayeb, cobra cosmológica para o povo Palicur, do Amapá O barco da constelação, dos Palicur, do Amapá Banco de pajé em forma de pássaro, do povo Galibi Marworno, do Amapá Kusiwá (arte gráfica Wajãpi), dos Wajãpi, Amapá. Roda de teto de casa comunitária, dos povos Wayana e Aparai, do Amapá Colar de criança, do povo indígena Kayapó, do Pará e do Mato Grosso Cocar de plumas de arara, dos Kaiapó Metuktire, do Mato Grosso


Curiosidade: de acordo com a legislação brasileira os indígenas têm o direito de caçar a fauna silvestre com fins exclusivos de alimentação e confecção de objetos cerimoniais, mas peças com produtos ou sub-produtos da fauna silvestre, categoria onde entram os objetos plumários, não podem ser comercializadas. A proibição está em vigor desde 1998, e só abre exceções para a pesquisa acadêmica e a preservação em museus.
ArteFatos Indígenas
Até 08 de janeiro de 2012
De terça a domingo, das 9h às 18h. Entrada até as 17h
Pavilhão das Culturas Brasileiras
Parque do Ibirapuera (antigo prédio da Prodam)
Rua Pedro Álvares Cabral, s/ nº
04094-000 – São Paulo – SP
Telefone (11) 5083 0199
 
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Publicado por em 17/11/2011 em Índios, Notícias

 

Aldeias de índios da capital paulista podem ser transferidas para outras cidades

SÃO PAULO – Parte dos 300 guarani mbyá residentes na comunidade indígena do Jaraguá, na zona norte da capital paulista, deverá se mudar para o município de Mairiporã, a 37 quilômetros de São Paulo. Eles passarão a ocupar cerca de 160 hectares concedidos pela Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa responsável pela construção do Rodoanel Mário Covas e da Rodovia dos Bandeirantes.

Processo semelhante deverá ocorrer com os 300 guarani mbyá residentes em Krukutu e os 900 moradores da Aldeia da Barragem, as duas situadas em Parelheiros, ao sul do município de São Paulo. Para as duas aldeias deverão ser concedidos cerca de 150 hectares em um lugar que ainda está sendo escolhido. Juntas, elas têm atualmente 52 hectares.

O anel viário vai circundar São Paulo com o objetivo de fazer com que o trânsito de mercadorias e passageiros não passe dentro da capital.

Juntas, as três aldeias da capital paulista têm 1.400 índios. A Dersa concederá cerca de 300 hectares em terras, no valor aproximado de R$ 6 milhões, divididos em duas áreas. Uma das propriedades ficará com a comunidade do Jaraguá e outra beneficiará as aldeias Krukutu (300 habitantes) e da Barragem (900 habitantes), ambas em Parelheiros.

Segundo o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru, Amaury Vieira, as terras compensam “impactos indiretos” nas comunidades da construção do empreendimento.

– Minimamente, você tem que tentar garantir que as comunidades indígenas não sofram impacto dessa obra que é importante, mas que não pode passar por cima de todo mundo e ficar por isso mesmo.

A Dersa nega, no entanto, que o Rodoanel seja responsável por impactos prejudiciais nas aldeias.

– Todos os estudos mostraram um impacto da metrópole sobre as comunidades, não que pudesse ser atribuído ao Rodoanel – ressaltou o gerente de Gestão Ambiental da Dersa, Marcelo Barbosa.

Barbosa afirma que os cerca de 300 hectares serão doados para amenizar o problema da falta de espaço que as aldeias indígenas da capital sofrem.

– Por um acordo com o Ministério Público, entendemos que poderíamos colaborar para melhorar a situação das aldeias – disse.

O antropólogo Daniel Pierri discorda que o Rodoanel não traga problemas aos guarani.

– Acho que os impactos são enormes – avaliou.

Ele afirma , entretanto, que parte dos recursos naturais da região do Jaraguá havia sido comprometida antes da obra.

– A nascente que passa dentro da comunidade era limpa, hoje é totalmente poluída pelo esgoto da região, antes mesmo do Rodoanel.

Nas aldeias da zona sul há, segundo o antropólogo, uma ocupação crescente das terras utilizadas tradicionalmente pelos índios.

– Cada ano que passa, a cidade vai chegando mais perto. Toda a área de uso deles [os guarani], antiga e documentada, vai se restringindo cada vez mais.

Uma das lideranças do Jaraguá, Pedro Luís Mecena, acredita que construção do trecho oeste do Rodoanel aumentou as pressões sobre a terra indígena, a menor do país. Ele atribui a construção da via, a 4 quilômetros dos indígenas, ao aumento do número de empresas e residências nos bairros próximos à aldeia. Para Mecena, a aldeia de 1,7 hectare está sendo espremida pela metrópole de São Paulo.

– A gente se sente muito preso dentro da comunidade. Ela é pequena, o Rodoanel está trazendo moradores ao redor e isso acaba espremendo a aldeia – reclamou o índio, que é vice-presidente da Associação República Guarani Amba Vera.

Essa proximidade com a cidade é um dos motivos que impedem que as aldeias sejam expandidas de maneira contínua.

– Evidente que o ideal seria que essas terra fossem aumentadas na mesma região, mas essa é uma dificuldade que se tem na Grande São Paulo – ressaltou o administrador da Funai..Problema é antigo

Segundo Pedro Luís Mecena, o processo de ocupação em torno da aldeia teria começado com a construção da Rodovia dos Bandeirantes, inaugurada em 1978, cinco anos antes da identificação da terra indígena. A estrada, que liga a capital ao interior, passa ao lado da comunidade. Em meio às casas feitas com retalhos de madeirite e compensado, pode-se ouvir nitidamente o som do tráfego intenso da rodovia.

Apesar de as moradias da comunidade do Jaraguá serem semelhantes às encontradas em favelas urbanas, o guarani falado pelas crianças e adultos da aldeia demonstra o caráter diferenciado da comunidade. Ali existe também um Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI), onde são ministradas atividades escolares na língua indígena e em português.

A religião e o convívio em língua indígena seriam as práticas que estariam ameaçadas pela ocupação ao redor da aldeia. Segundo Mecena, o contato direto com os não indígenas atrapalha o dia a dia da comunidade e inibe os índios de ficarem “à vontade”.

Os índios também se “ressentem” da dificuldade para transmitir conhecimentos tradicionais relativos à agricultura e às plantas medicinais, relatou o antropólogo Daniel Peirri. “Eles têm dificuldade de transmitir boa parte dos conhecimentos que estão ligados com a mata e com o plantio por conta desse adensamento demográfico grande e a falta de espaço”, contou.

A quantidade reduzida de terras da aldeia consegue apenas abrigar as casas dos índios. Não é possível plantar e produzir, atividades que fazem falta aos mais velhos, de acordo com Mecena. Ele afirma que são os membros mais idosos que mais sentem necessidade do modo de vida “mais tradicional”. Atualmente, a comunidade se sustenta basicamente pela venda de artesanato em diversos pontos da cidade e com os salários de alguns índios que têm trabalho fixo.

Assim que houver o mínimo de infraestrutura na nova área, os membros mais idosos da aldeia Jaraguá deverão começar a se mudar para o novo local. Para Mecena, a migração de parte dos índios deixará a comunidade mais confortável.

O líder se queixa de não ter havido estudos para avaliar os impactos do Rodoanel no Jaraguá.

– Quando a Dersa fez o Rodoanel Mário Covas não consultou a comunidade indígena do Jaraguá. Não fez um levantamento ambiental, não fez um levantamento antropológico para dizer se a gente ia sofrer com esse impacto – ressaltou.

O gerente de Gestão Ambiental da empresa afirmou que como a comunidade do Jaraguá “já está integrada no tecido urbano”, fica difícil fazer uma avaliação de quais seriam os impactos do trecho oeste do Rodoanel. Ele destacou o fato de nenhum órgão ter se manifestado sobre a existência dos índios na época da construção dessa parte da via

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/aldeias-de-indios-da-capital-paulista-podem-ser-transferidas-para-outras-cidades-3206964

 
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Publicado por em 17/11/2011 em Índios, Notícias

 

Exposição em São Paulo exibe cultura dos índios Waiãpi

Está em exposição no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a mostra “ArteFatos Indígenas”, que exibe peças de artesanato confeccionadas pelos Waiãpi, do Oiapoque, no Amapá. A visitação pode ser feita até o final do ano e reúne 270 peças de diversos povos indígenas do País.

No caso do Amapá, estão em exposição imagens e artigos produzidos pelos índios Waiãpi, com destaque para os grafismos que imitam formas animais – pernas de rã, asas de borboleta, casco de jabuti, pintas de onça. O material é produzido com lascas de arumã, tinta vermelha de urucum e resinas naturais. No total, são 30 desenhos sobre papel, os grafismos, que estão dispostos em quadros. Essa arte hoje é reconhecida pela Unesco como patrimônio imaterial da humanidade.

“O fato de a arte gráfica Waiãpi ter se tornado patrimônio imaterial nacional e da humanidade trouxe mais visibilidade a esta produção, que sem dúvida vem de uma tradição bastante rica e complexa. Mas também mostramos na exposição que todos esses povos tem uma longa tradição nas artes gráficas, relacionadas a seus mitos e tradições orais”, afirma Cristina Barreto, curadora da exposição.

A mostra “ArteFatos Indígenas” também inclui a produção de bancos de madeira pelos dos Waiãpi, esculpidos exclusivamente pelos homens da aldeia, e que são decorados com grafismos e resinas, inspirados em animais que vivem na região do Oiapoque.

A mandioca, base da alimentação da aldeia, é produzida em mais de 25 variedades pelos índios. Para ilustrar essa importância, a exposição traz peças para seu preparo, como cestos e potes em fibra, madeira e cerâmica. Também é possível observar peneiras feitas pelos índios, de breu, fibra e madeira. As imagens da exposição mostram rituais dos índios, vestimentas e ornamentos corporais utilizados durante o ritual conhecido como a festa do Paku.

Os artefatos fazem parte das novas coleções de artes indígenas adquiridas recentemente pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. As peças vindas do Amapá foram adquiridas pela Secretaria de Cultura por meio de colaboração do Iepé (Instituto de Pesquisa e Formação Indígena). A secretaria buscou os artigos diretamente junto aos artesãos indígenas no Amapá e a associações representativas dos índios. O Iepé colaborou também com a cessão de vídeos e fotos dos povos do Amapá e Pará, presentes na exposição.

Os 270 objetos e obras de arte representam a produção contemporânea de doze povos indígenas da Amazônia, nos estados do Amapá, Pará e Mato Grosso. A curadoria dos objetos é feita por Cristiana Barreto e Luis Donisete Benzi Grupioni.

“Os povos indígenas do Amapá são um exemplo de sociedade indígena que estão ainda afastadas dos grandes centros urbanos, mas que passam por um processo de revitalização de suas culturas. Exemplos disso são as associações indígenas, as redes de comunicação, as ações de documentação e o resgate de seus bens culturais”, diz Barreto.

Serviço:

Pavilhão das Culturas Brasileiras
Parque do Ibirapuera
Rua Pedro Álvares Cabral s/n – Vila Mariana
Quando: 3ª feira a domingo, das 9h às 18h
Entrada gratuita
Livre para todos os públicos

Fonte: http://www.correaneto.com.br/site/?p=16069

 
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Publicado por em 27/10/2011 em Índios, Notícias

 

Brasil corre para registrar línguas indígenas que estão desaparecendo

Roldão Arruda, especial para estadão.com.br

Em 2012 o governo federal vai destinar R$ 2,1 milhões para projetos de documentação de línguas indígenas ameaçadas de extinção. Será a primeira vez que esse tipo de ação terá uma destinação específica de verbas no Orçamento da União.

A decisão do governo está ligada a pressões internacionais. O Brasil figura em terceiro lugar na lista dos dez países do mundo com maior número de idiomas ameaçados.

De acordo com o Atlas das Línguas do Mundo em Perigo, no território brasileiro o total de línguas condenadas ao desaparecimento chega a 190.  No topo da lista daquela publicação aparecem a Índia, com 198 línguas, e os Estados Unidos, com 191.

O Atlas é uma publicação da Unesco, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para as áreas de educação, ciência e a cultura. No início deste mês, durante um congresso internacional realizado em Quito, no Equador, a instituição apresentou publicamente a sua quarta reedição, com dados atualizados.

De acordo com a públicação, qualquer língua falada por menos de um milhão de pessoas corre algum risco. Por esse critério, do total de quase 6 mil línguas existentes no mundo, cerca de 2.500 estão em perigo.

No Brasil estima-se que cerca de 40 línguas são faladas por menos de 300 habitantes. Na avaliação do diretor do Museu do Índio, o antropólogo José Carlos Levinho, elas devem desaparecer nas próximas duas décadas.

O museu coordena há três anos um esforço nacional de registro e documentação das línguas que irão desaparecer. O dinheiro da União será destinado a essa empreitada, que também conta com o apoio do Instituto Max Planck, da Alemanha, e de várias universidades e centros de pesquisa do País. Além dos recursos da União, o projeto tem recursos da Fundação Banco do Brasil e da Unesco.

Na entrevista abaixo, concedida ao estadão.com.br, Leivinho fala sobre o desafio de documentar as línguas indígenas antes que desapareçam.

O número apontado pela Unesco, de 190 línguas ameaçadas de extinção, está correto?
Não existe um número exato. As estimativa variam de 160 a 190 línguas. Nesse conjunto, o que mais nos preocupa é que quase 40 são faladas por menos de 300 habitantes. Isso significa que  é praticamente impossível que continuem existindo. Esse patrimônio cultural vai desaparecer, provavelmente, nas próximas duas décadas.

Por que o assunto preocupa tanto a Unesco? É possível salvar essas línguas?
A Unesco se preocupa porque se  trata de um patrimônio cultural que demorou milhares de anos para ser construído e está desaparecendo num curto espaço de tempo. Não propõe salvar as línguas, mas documentá-las antes que desapareçam. Trata-se do registro das línguas, das culturas, dos acervos indígenas.

O que o Museu tem feito?
Nos últimos três anos trabalhamos com a documentação de um grupo de 13 línguas e 22 culturas, escolhidas no meio daquele conjunto ao qual já me referi, das 40 mais ameaçadas.

Como é feito o trabalho?
Trata-se do registro da língua, em arquivos digitais, com o objetivo de conhecê-la, o que não é fácil. A compreensão de uma língua é extremamente complexa. O trabalho também inclui a produção de uma gramática básica, dicionário, material didático e diagnóstico sociolinguístico. No momento já temo s 493 horas de filmes gravados em vídeos, com informações necessárias para o entendimento da língua. Também temos 321 horas de gravação de áudio e um conjunto de 50.017 fotografias documentando a vida desses povos.

O que será feito com esse material?
Nós vamos por tudo na internet, à disposição dos interessados. Os conteúdos também serão postos à disposição das escolas. Após o término da digitalização, todo o material coletado será devolvido aos povos indígenas.

No meio da população brasileira, que gira em torno de 400 mil pessoas, qual a língua mais falada? E qual tem menos falantes?
A mais falada é o guarani. Quanto à segunda parte da pergunta, não é possível dar uma resposta exata. Já encontramos casos em que sobraram só dois falantes. Em Rondônia foi localizado um idioma falado por cinco sobreviventes de um povo. Desde que iniciamos o trabalho, três anos atrás, já vimos duas línguas desaparecerem, por falta de falantes, no Mato Grosso.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/radar-politico/2011/09/28/brasil-corre-para-registrar-linguas-indigenas-que-estao-desaparecendo/

 
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Publicado por em 03/10/2011 em Índios, Notícias

 

Entidades criam projeto para oferecer apoio à indígenas na cidade de SP

A Comissão Pró-Índio de São Paulo e o Centro Gaspar Garcia iniciaram, em fevereiro deste ano, o projeto “A cidade como afirmação dos direitos indígenas”, que busca ajudar etnias indígenas a terem acesso a políticas públicas na cidade de São Paulo.

Por Bianca Pyl

Avani Fulni-ô, 48 anos, faz parte dos 90% de indígenas que vivem em cidades no Estado de São Paulo. Foi em uma das maiores cidades do mundo, a capital paulista, que Avani redescobriu sua cultura. “Eu vim para São Paulo porque perdi meu pai e minha mãe, precisava refazer a minha vida. Em Pernambuco não havia opções e eu decidi vim pra cá”, conta a indígena que começou trabalhando como balconista em padarias até que, por meio de Organizações Não-Governamentais passou a trabalhar com questões ambientais e artesanato indígena, mais especificamente o do povo Fulni-ô.

“Quando eu comecei a mexer com artesanato, eu vi o quanto é rica a minha cultura e que eu podia continuar em contato com ela mesmo morando aqui, eu sou Fulni-ô onde quer que eu vá”, relembra com orgulho.

No Brasil, a porcentagem de índios morando em centros urbanos é 38,5%. Apesar do percentual elevado, há poucas ações e políticas em benefício desta parte da população que encontra dificuldades para ter acesso a direitos básicos. Tendo em vista essa realidade, a Comissão Pró-Índio de São Paulo e o Centro Gaspar Garcia iniciaram em fevereiro de 2011 o projeto “A cidade como afirmação dos direitos indígenas”, com apoio da União Europeia e Oxfam.

A situação das comunidades indígenas é bastante semelhante à realidade vivida pela população excluída da cidade, com um agravante de ser uma cultura de resistência que não consegue dialogar com o espaço urbano da forma que está posto. Avani, por exemplo, encontrou e encontra até hoje pessoas que dizem que ela não é índia. “Eu sei quem sou, o que eu represento meu povo. Ninguém tem o direito de me dizer quem eu sou pelo fato de morar aqui. Eu vou para minha aldeia todo ano, tudo o que eu sei vem de lá”, rebate Avani, que faz parte do Conselho Estadual dos Povos Indígenas de São Paulo.

Assim como Avani, cada vez mais indígenas buscam as cidades para morar, de acordo com dados do último Censo. Para Marcos Cantuária dos Santos, assistente técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) a busca por melhores condições de vida e o número insuficiente de territórios indígenas plenamente regularizados, estão entre as principais causas da migração dos indígenas para centros urbanos. Soma-se a isso a “mudança nas perspectivas individuais e familiares, expulsão dos aldeamentos de origem, dentre outros”, acrescenta Marcos. “No que toca ao caso dos ‘indígenas urbanos desterritorializados’, se posso assim conceituar, há carência premente em questões básicas de cidadania, tais como identificação civil, situação alimentar e nutricional, saúde, educação fundamental, moradia, transporte, renda mínima, trabalho, seguridade social e outras”, opina o assistente técnico da Coordenação Regional do Litoral Sudeste, da Funai.

É importante frisar, na opinião do assistente técnico da Funai, que “na maioria das vezes, a argumentação se assenta sobremaneira nas más condições de vida existentes nas áreas indígenas e, contrariamente, na impressão de que há melhor acesso aos serviços públicos básicos e à geração de renda nos centros urbanos”.
De acordo com o assistente técnico, a Funai vem tentando efetivar algumas alterações em seu desenho institucional e no olhar para com indígenas que vivem em situação urbana. “Mesmo que ainda de forma bastante precária e que não atende a toda a demanda, nós apoiamos os estudantes indígenas que cursam o ensino superior (Projeto Pindorama, UFSCar e outros), distribuímos gêneros alimentícios, apoiamos às manifestações culturais e da organização social indígena, bem como outras atividades esporádicas”, relata.

Para a realização do projeto “A cidade como afirmação dos direitos indígenas” duas organizações com experiências bastante diversas se reuniram. A Comissão Pró-Índio de São Paulo tem 30 anos de trabalho com povos indígenas e o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos atua na luta por direitos humanos no meio urbano há 20 anos. As experiências e capacidades diversas se somaram para buscar compreender melhor essa nova e desafiadora realidade. “O projeto busca, a partir do Direito à Cidade, ajudar etnias indígenas, ligadas ao ambiente urbano, a se relacionarem com a cidade de São Paulo, ou seja, procura-se facilitar os caminhos para o acesso a políticas públicas, lutando para que sejam respeitadas em seus direitos, culturas e costumes”, explica René Ivo, do Centro Gaspar Garcia.

O projeto se desenvolverá até julho de 2013 e irá contribuir para que populações indígenas ganhem mais visibilidade e possam exercer seus direitos individuais e coletivos também no contexto urbano. “Iremos disponibilizar aos índios subsídios e informações que lhes permitam demandar medidas que reduzam a exclusão que experimentam”, explica Lúcia Andrade, coordenadora executiva da Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP).

Entre as atividades previstas estão três pesquisas: um diagnóstico sobre a situação de três etnias na cidade de São Paulo, com atenção especial para o exercício do direito à moradia e o acesso à terra urbana; o mapeamento e avaliação das políticas públicas, legislação e jurisprudência que beneficiam os índios nas cidades; e uma análise dos planos diretores de seis cidades para identificar como é tratado o tema dos direitos indígenas nestes instrumentos. Por fim, as conclusões do projeto darão resultado a um livro e também serão apresentadas e debatidas durante um Seminário Nacional.

Fonte: http://carosamigos.terra.com.br/index/index.php/noticias/1998-entidades-criam-projeto-para-oferecer-apoio-a-indigenas-na-cidade-de-sp

 

 
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Publicado por em 03/10/2011 em Índios, Notícias

 

IV Retomada indígena em SP

19 a 24 de setembro – PUC-SP

Povos indígenas e o Estado Brasileiro
19/9 – 2ª feira
Abertura – -19h – Pátio do Museu da Cultura
Dança indígena do povo Fulni-ô e Kariri Xokó
Filme Delírio verde (29 min., direção de Nico Muñoz/Argentina, Na Baccaert/Bélgica e Cristiano Navarro/Brasil).
Debate sobre o filme com Cristiano Navarro (diretor) e palestra Conquistas e desafios dos Povos Indígenas nos últimos 20 anos, pela Profa. Dra. Lúcia Helena Rangel (Faculdade de Ciências Sociais – PUC-SP e da coordenação do Programa Pindorama).

20/9 – 3ª feira – 19h – Sala 100 (1º andar do prédio novo)
Vídeo: Os “belos monstros” da Amazônia (25 min., Cimi-TV-UFAM)
Mesa redonda: Hidrelétricas e Povos Indígenas. Debate com a Profa Marijane Lisboa (Departamento de Sociologia-PUC-SP), com representante do MAB-Movimento contra as barragens, e Jussara Rezende do Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul.

21/9 4ª feira – 11h – Pátio do Museu da Cultura
Oficina: Trançado fulni-ô, etnia de Pernambuco, ministrado por Avanir Florentino, do povo Fulni-ô

19h – Sala 100 (1º andar do prédio novo)
Mesa redonda: O Estado Brasileiro, a criminalização das lideranças indígenas e a situação dos presos indígenas
Um representante do Ministério Público Federal – SP/MS, Dra. Michael Nolan, assessora jurídica do Cimi e Wagner Moraes, Sateré-Mawé, graduando Direito PUC-SP.

22/9 5ª feira – 10h. – Pátio do Museu da Cultura
Roda de conversa: A cidade como local de afirmação dos direitos indígenas.
Moderadora: Prof. Lúcia Helena Rangel (PUC-SP). Participantes: representantes Pankararé, Pankararu, Kaimbé, Guarani e Fulni-ô, representante do Pindorama, Representante da Defensoria do Estado SP, Cimi-Grande São Paulo, Pastoral Indigenista, Centro Gaspar Garcia, Comissão Pró-Índio-SP.

19h. – sala 100 (1º andar do prédio novo)
Mesa redonda: Os escritores indígenas hoje
Olívio Jekupé, Guarani Mbyá e escritor; Emerson Souza, Guarani Nhandeva, formado em Ciências Sociais PUC-SP e co-autor da coletânea A criação do mundo e outras belas histórias indígenas; Betty Mindlin, antropóloga e autora de vários livros sobre mitos e produção literária indígena e Nilton Colombo, professor da Oficina de Produção de Textos do Programa Pindorama.

23/9 6ª feira – 11h – Pátio do Museu da Cultura
Oficina: Como trabalhar a questão indígena na sala de aula, ministrado por Leopardo Yawabane, do povo Kaxinawá (Programa Pindorama).

19h. – (Sala P 65 – Prédio antigo)
Sessão comemorativa dos 10 anos de Pindorama
Convidados: Magnífico Reitor, Pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias PUC-SP, Fundação São Paulo, Funai, membros da coordenação do Programa, professores, parceiros, instituições apoiadoras e ex-alunos.

24/9 sábado – 13,30h – Auditório 239 (2º andar)
Debate: Os indígenas resistentes: ser indígena hoje – Emerson Oliveira Souza, Guarani Nhandeva, formado em Ciências Sociais PUC-SP/Pindorama, e Wagner Moraes, Sateré-Mawé e graduando em Direito na PUC-SP, Profa. Lúcia Helena Rangel, antropóloga e diretora adjunta da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP.

Projeção de filmes

18h – Auditório Paulo VI (ao lado da Biblioteca) – com roda de conversa.

20/09/2011
3ª. Feira: Hidrelétrica Tucuruí – 30 anos depois. Prelazia do Xingu (18,40 min.)

21/09/2011
4ª feira: Mbaraká. A palavra que age – Os xamãs na luta pela terra (Edgar Cunha e Gianni Puzzo e Spensy Pimentel 25 min.)

22/09/2011
5ª feira: Acampamento Terra Livre-Memórias de seis anos luta, APIB (25 min).

Exposição no Museu da Cultura

10 anos do Pindorama com fotos e material produzido pelos alunos (trabalhos e monografias)

Banca de venda de artesanato (de 19 a 23/9 no saguão do térreo do prédio novo – 18 às 21h)

Povos: Fulni-ô, Pankararé, Guarani, Wasu-Cocal e Kariri-Xokó.

Realização: Programa Pindorama, Museu da Cultura, Pastoral Indigenista e Cimi-Grande SP.
Apoio: União Européia e OXFAM; Parceria: Associações Indígenas, Comissão Pró-Índio-SP, Centro Gaspar Garcia, Cursinho Foco e Pastoral Universitária.

Fonte: http://www.indiosonline.net/puc-sp-retomada-indigena-iv-19-a-24092011/web-retomada/

 
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Publicado por em 17/09/2011 em Índios, Notícias

 

As 38 etnias indígenas de São Paulo

Cidade de SP tem 38 etnias indígenas

Levantamento da ONG Opção Brasil mostra que Região Metropolitana tem quase o mesmo nº de povos que o Estado do Amazonas

17 de julho de 2011

Bruno Paes Manso – O Estado de S.Paulo

 O índio xavante Lúcio Waane Terowaa, de 33 anos, migrou para São Paulo há cinco anos vindo de uma tribo de Barra do Garças, em Mato Grosso. Chegou ao Itaim Paulista, na zona leste, para seguir os passos do mais famoso representante de sua etnia, o cacique Mário Juruna, eleito deputado constituinte em 1986, conhecido por gravar promessas suspeitas de políticos.

 No ano passado, em São Paulo, Terowaa se lançou candidato a deputado estadual pelo PSL e teve 318 votos. Em vez do gravador, usa o Facebook como ferramenta política. Tem 910 amigos, com quem debate formas de criar uma aldeia “ecologicamente correta” e autossustentável, que sirva como modelo a ser replicado no Brasil, a partir de São Paulo. “Tenho amigos virtuais de 23 etnias só aqui na cidade. É uma das maiores diversidades do Brasil e por isso São Paulo é uma base importante para a política indígena.”

As impressões do xavante são confirmadas pelo levantamento feito pela ONG Opção Brasil, que organiza cursos de educação indígena nas tribos de São Paulo. Na Região Metropolitana, a Opção Brasil já contactou índios de 54 etnias diferentes – 38 só na capital. No Estado do Amazonas, o site da Fundação Nacional do Índio relaciona 60 etnias.

A exemplo de migrantes das zonas rurais e sertões, os indígenas de São Paulo chegam em busca de emprego e vivem principalmente em bairros pobres da periferia. “Fazemos o mapeamento pelo contato boca a boca. Um índio passa o telefone de outro. O objetivo é criar uma rede para que a vida na cidade grande seja mais fácil”, explica o coordenador da Opção Brasil, Marcos Aguiar.

Os guaranis – índios autóctones que já viviam no Estado antes da chegada dos portugueses – são a única etnia a viver em aldeias na cidade. Duas delas, a Krucutu e a Tenonde Porã, ficam em Parelheiros, na zona sul. A terceira, a Tekoah Itu, é do Pico do Jaraguá, na zona norte. Reúnem cerca de 3 mil guaranis. A Expedição Metrópole foi até lá visitá-los (veja na C3).

As outras 53 etnias são formadas por índios que moram em bairros e favelas da metrópole. Pode ser um pastor evangélico wassu cocal ou um faxineiro cambiuá. Em comum, enfrentam o desafio de carregar uma cultura tradicional e coletivista em uma sociedade moderna e competitiva. “Viver no mundo de hoje sem negar as origens é uma arte”, diz a pedagoga Chirley de Souza Almeida Santos, de 37 anos, pancará que mora na cidade há 12.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-38-etnias-indigenas-de-sao-paulo

 
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Publicado por em 06/09/2011 em Índios