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Arquivo mensal: dezembro 2015

Polícia prende quadrilha que fraudava documentos para imigrantes sírios

A Polícia Civil identificou uma quadrilha que transformou ao menos 72 sírios em brasileiros natos entre 2012 e 2014. O grupo criminoso conseguia a expedição de certidão de nascimento, carteira de identidade, título de eleitor e passaporte para os imigrantes. A investigação, que durou oito meses, foi revelada na segunda-feira, 14, pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo.

A Delegacia de Defraudações da Polícia Civil apurou que o esquema fraudulento tinha a participação de um funcionário e de um ex-funcionário de um cartório de registros na zona oeste do Rio. Eles são acusados de alterar os livros de registros de nascimento e, a partir desta adulteração, conseguiam falsificar certidões de nascimento.

Os policiais encarregados das investigações encontraram no cartório livros de registros com folhas soltas, rasuradas, adulteradas e até coladas.

O casal sírio Ali Kamel Issmael, de 71 anos, e Basema Alasmar foi preso sob acusação de liderar a quadrilha. Ela continua presa. Ele foi solto, mas responderá por falsidade ideológica e associação criminosa, assim como Jorge Luiz da Silva, o empregado do cartório, e David dos Santyos Guido, o ex-funcionário.

Segundo o delegado Aloysio Falcão, titular da Defraudações, os acusados tiravam as folhas dos livros cartorários. “Eles arrancavam aquelas folhas originais, e o funcionário enxertava a nova folha numa certidão de nascimento naquele livro cartorário. Ou seja, deixava de existir um brasileiro nato, ou naturalizado, para dar origem a um sírio supostamente brasileiro”, disse o policial.

Com as certidões falsas, os sírios apresentavam-se ao Detran do Rio para requerer carteiras de identidade. Ao todo, 51 dos 72 sírios conseguiram os documentos. Assim, os “novos brasileiros” podiam até votar, pois também tiraram título de eleitor e CPF. Ainda segundo as investigações, pelo menos 20 sírios obtiveram passaporte brasileiro e alguns viajaram para os Estados Unidos e para países da Europa.

O esquema criminoso começou a ser descoberto quando um funcionário do Detran desconfiou de certidões de nascimento que tinham informações muito parecidas. Decidiu, então, avisar a Delegacia de Defraudações, responsável pelas investigações de fraudes em cartórios.

Ao examinarem os livros cartorários, os policiais civis logo descobriram as irregularidades. Todas as certidões informavam sobre nascimentos registrados no Rio entre 1960 e 1970. Os partos ocorriam em endereços residenciais, nunca em hospitais. Em um mesmo apartamento, na zona norte, teriam ocorrido 13 nascimentos.

O delegado disse que não há informações sobre imigrantes de outras nacionalidades que tenham se beneficiado das fraudes que envolvem os sírios. Ele afirmou que as investigações continuam, pois nem todos os sírios beneficiados foram encontrados pela Polícia Civil.

A Polícia Federal (PF) informou que abriu um inquérito sobre o caso, que corre em segredo de Justiça.

A reportagem não conseguiu ouvir os advogados dos acusados.

Fonte: http://noticias.r7.com/sao-paulo/policia-prende-quadrilha-que-fraudava-documentos-para-imigrantes-sirios-16122015

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Publicado por em 16/12/2015 em Uncategorized

 

Secretaria debate política de saúde para imigrantes e refugiados

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) realizou, em consonância com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMDHC), a Secretaria de Políticas para Mulheres (SMPM) e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), uma oficina de trabalho para discussão de uma nova política de saúde para imigrantes e refugiados. Dados da Coordenação de Epidemiologia e Informação (Ceinfo) estimam que das 451 UBS do município de São Paulo, 35 unidades de diversas regiões da cidade atendem a esse público com mais frequência – isso, sem contar as unidades que acolhem e atendem a esse público esporadicamente.

Por isso, na última segunda-feira, profissionais da saúde, migrantes, refugiados, e representantes de entidades que atuam com imigrantes se reuniram em encontro que foi denominado “Oficina de trabalho: Saúde dos imigrantes e refugiados”, para discutir experiências exitosas, desafios, potenciais e padronizar o protocolo de atendimento dessas pessoas.

Alemães, argentinos, iugoslavos, japoneses, paquistaneses, haitianos, paraguaios, iraquianos, sírios, congoleses, romenos, gregos, himalaios, peruanos: são 53 nacionalidades que estão em São Paulo e procuram os serviços de saúde, muitas vezes sem nem documentos. Dados do Censo de 2010 do IBGE dão conta que dos 11.253.445 de habitantes da cidade, 1,3% é de imigrante, ou seja mais de 15 mil pessoas.

De cada uma das coordenadorias de saúde do município foi convidada uma unidade que mais lida com imigrantes e refugiados, para expor como acolhem essas pessoas e as principais dificuldades, como o idioma.

Em relação a isso, a SMS, com a ajuda da OPAS, está elaborando questionários e cartilhas a serem distribuídos nas unidades de saúde traduzidos para diversos idiomas para facilitar o acolhimento e o atendimento de quem não entende e não fala o português. A intenção é padronizar esse atendimento, possibilitar a comunicação dos imigrantes em outros idiomas, criar vínculos deles com as unidades para casos de tratamentos contínuos – como gestantes, por exemplo -, e entender a realidade dessas pessoas em São Paulo.

Os bolivianos, por exemplo, trabalham e vivem em oficinas de costura e têm como principais reclamações de saúde a tuberculose (por conta dos ambientes fechados) e a lesão por esforço repetitivo (LER). As unidades que atendem na região com equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) já conseguem atender aos bolivianos da região porque diante da demanda, conseguiram com o Consulado Boliviano no Brasil um professor de espanhol para ajudar os trabalhadores a atenderem melhor esse público.

Entidades que atuam com imigrantes e têm imigrantes em sua composição foram convidadas à mesa e deram depoimentos emocionantes sobre as dificuldades que enfrentaram e ainda enfrentam nos serviços de saúde. Na parte da tarde, foram formados grupos para discussões e propostas para operacionalização dessa política pública. Para isso, foram criadas comissões para trabalhar o acesso, a humanização, a comunicação e a formação dos trabalhadores. Nas próximas semanas, reuniões deverão iniciar a operacionalização dessa política. Essa iniciativa faz parte da ação Saúde em Movimento, que preconiza Mais Respeito à Diversidade.
Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/saude/noticias/?p=208348

 
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Publicado por em 16/12/2015 em Uncategorized

 

Memorial Digital do Refugiado reúne histórias de estrangeiros no Brasil

O portal do Memorial Digital do Refugiado (MemoRef) foi lançado, nesta quinta-feira (10), em Guarulhos (SP). O trabalho reúne um acervo com relatos escritos, audiovisuais, sonoros, fotografias e entrevistas feitas com refugiados. A iniciativa é de um grupo de estudantes de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O site é resultado de um projeto desenvolvido pelos alunos para ministrar aulas de Português para 20 refugiados, entre sírios, camaroneses e nigerianos, desde o final de agosto deste ano. O material disponibilizado no portal é baseado nas experiências vivenciadas por esses alunos.

“Hoje, nós lançamos o memorial com a intenção de transformá-lo em um acervo para pesquisa estudantil e acadêmica”, disse Ana Flávia Ercolini Ferreira, uma das organizadoras do MemoRef. “Nesse memorial, você encontra as nossas fotos, as atividades [realizadas] e o áudio dos alunos contando um pouco da história deles, as suas expectativas e as produções escritas. O acervo está sendo lançado com alguns documentos que temos, e, ao longo do curso, nos próximos anos, vamos alimentá-lo com novos dados.”

A estudante Marina Reinoldes, uma das organizadoras do MemoRef, lembrou que a barreira linguística é a primeira que os imigrantes enfrentam. “Sem a Língua, não conseguem ir ao mercado, comprar comida, não conseguem pedir ajudar, não conseguem trabalhar. Sem trabalhar, não conseguem dinheiro, nem trazer a família”, afirmou.

O curso de Português agradou a comunidade em situação de refúgio que mora em Guarulhos. “[O curso] ajuda a falar Português, ler e escrever um pouco. Esse curso é muito importante para nós porque, quando chegamos aqui, não falávamos nada de Português”, disse Hany, 24 anos, sírio que está no Brasil há um ano.

Há cinco meses, ele conseguiu trazer a família e tirá-la do meio da guerra em seu país. Questionado se pretende continuar o curso, ele diz “claro!” e explica que quando chegaram aqui não sabiam falar nada em Português. Na Síria, estudava Economia e agora quer aperfeiçoar o idioma para terminar o curso aqui no Brasil.

Também vinda da Síria para fugir da guerra, a advogada Alaa, 27 anos, veio com a família, ao todo, 15 pessoas, há um ano. “Agora [após o curso] nós entendemos o que as outras pessoas falam. Eu sou advogada e preciso estudar a língua da academia, não só do dia a dia. Eu falo Inglês, mas aqui as pessoas não usam essa Língua”, disse sobre o aprendizado no curso. Ela ressaltou que, depois das aulas, está mais fácil procurar trabalho: “agora entendo o que as pessoas falam, eu consigo falar o que quero e entender o que você quer”.

Assistente social da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, Adelaide Pereira trabalha no Centro de Referência para Refugiados. Segundo ela, o MemoRef contribuiu para que os refugiados começassem a dar seus passos e se integrarem aqui no Brasil. “Aprender Português é o segundo problema da população refugiada, o primeiro é moradia. Porque quando chega, não sabe onde vai ficar. O segundo grande problema é o Português para ajudar na integração, na busca de trabalho, na revalidação de títulos, no retorno aos estudos”, acrescentou.

Adelaide destacou a particularidade do projeto, criado e desenvolvido por estudantes. “É extremamente importante o projeto do curso de Português e, especialmente, o MemoRef, que foi um trabalho criado pela juventude já sensibilizada pela questão do refugiado e que abraçou esse projeto na universidade, que trouxe para dentro da universidade a realidade do refúgio e que pode distribuir e divulgar essa realidade para tantos jovens”, completou.

Fonte: Portal Brasil, com informações da Agência Brasil 

 
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Publicado por em 16/12/2015 em Uncategorized

 

Imigrantes e Refugiados são tema de oficina em São Paulo (SP)

Foi realizada, nos dias 8 e 9 de dezembro, a oficina “Imigrantes e refugiados: desafios da Casa Comum”. O objetivo foi sensibilizar igrejas e organizações de diferentes tradições religiosas para a situação dos imigrantes e refugiados. Além disso, visou fortalecer a rede de acolhida, criando espaços de diálogo com os imigrantes e, ainda, fortalecer a ação de incidência pública com o objetivo de denunciar a violação de direitos.

O evento contou com uma abordagem bíblico-teológica realizada pela doutoranda em Teologia Maryuri Mora. Na oficina “O Haiti é aqui”, a assessora provocou a discussão sobre ser centro e periferia, com a pergunta: “Como nos tornamos periferia?” A partir do fenômeno da imigração e do refúgio, ela destacou a importância de repensar os fundamentos cristãos da ética. Isso porque, o cristianismo, quando está no centro, pode também contribuir para justificar a violência ou discriminação contra migrantes e refugiados, sobretudo quando são reforçados termos como “povo eleito”, exclusivismo na salvação, entre outros.

“É possível sentir Deus em situações de total exclusão e ausência de dignidade?” ou “Qual é a concepção de Deus que carregamos?” também foram algumas das questões colocadas. Há o Deus nômade, que peregrina pelo deserto. Há o Deus de Agar, que foi expulsa de sua casa, e o Deus silencioso de Jz 19, que narra a história de uma mulher, sem nome, casada com um levita. Essa mulher foi violentada e depois esquartejada. Nesse texto, não se ouve a voz de Deus. Também não se fala de Deus. É o Deus que silencia.

A partir das provocações, foram feitas algumas considerações pelos participantes, entre elas:

1) Comunidades religiosas devem acolher imigrantes e refugiados, mas sem anular a identidade desses imigrantes;

2) Em um contexto de conflitos, como o vivido pelo Brasil, há a necessidade de fortalecer o fator positivo da diversidade religiosa, uma vez que imigrantes e refugiados pertencem a diferentes religiões. Nesse sentido, pergunta-se o que é mais importante: o ser humano ou a fé;

3) As imigrações atuais são consequência do capitalismo. As fronteiras erguidas são injustas;

4) Importante identificar estratégias para a superação do racismo, xenofobia, etc.

Na segunda parte da oficina, a partir do tema “Trajetórias de Direitos: imigrantes e refugiados, problemas e desafios”, os imigrantes que participaram da oficina partilharam sua experiência no Brasil. Os principais destaques foram:

a) Lá fora, no exterior, o Brasil mostra-se acolhedor e signatário dos principais documentos internacionais sobre imigração e refugio;

b) Apresenta também uma agenda positiva de direitos humanos;

c) No entanto, a realidade brasileira mostra algo diferente. Não tem estrutura para receber imigrantes e refugiados;

d) Os centros públicos de acolhida a imigrantes e refugiados, muitas vezes, são ocupados por pessoas que desconhecem a realidade dos imigrantes;

e) O idioma é uma barreira grande para imigrantes acessarem políticas públicas. Brasil não oferece uma estrutura para imigrantes e refugiados aprenderem a língua portuguesa;

f) Os imigrantes bolivianos destacaram o trabalho análogo à escravidão. Há alguns trabalhando por R$ 300,00 mensais. O número de bolivianos no Brasil é de aproximadamente 660 mil. Em São Paulo, vivem aproximadamente 300 mil imigrantes;

g) Existem brasileiros que pensam que imigrantes estão no Brasil para roubar empregos dos brasileiros;

h) No caso dos imigrantes haitianos, geralmente são bem preparados. Alguns falam mais de três idiomas. Esses imigrantes poderiam ter bons empregos, mas estão subempregados porque sua formação não é reconhecida;

i) Brasil abre as portas, deixa os imigrantes entrarem, mas depois não sabe o que fazer com eles;

Com base em tudo o que foi discutido, foram feitos alguns encaminhamentos:

a) Criação de uma rede de religiosos e religiosas em favor dos imigrantes e refugiados. Esta rede pode realizar ações internas, sensibilizando as comunidades de fé. Ações externas: incidência pública contra xenofobia, racismo, melhoria nas condições de trabalho dos imigrantes;

b) Necessidade de mapear igrejas que já realizam o trabalho;

c) realização de uma nova oficina nos dias 15 a 16 de abril de 2016, em São Paulo.

Outra oficina também será realizada em Santa Catarina, com data e local a definir.

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Fonte: http://www.conic.org.br/portal/noticias/1713-imigrantes-e-refugiados-e-tema-de-oficina-em-sao-paulo-sp

 
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Publicado por em 16/12/2015 em Uncategorized

 

Refugiados querem mais celeridade na expedição de documentos

Os refugiados que vivem em São Paulo querem maior celeridade na expedição de documentos, esperam que os mesmos sejam reconhecidos pelos agentes públicos e pedem mais acesso às políticas públicas de moradia, saúde e educação, com atendimento de profissionais que compreendam suas necessidades. Isso é o que consta em um relatório elaborado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). O relatório da mesa redonda, que acaba de ser finalizado, condensa as principais demandas e recomendações dos refugiados em São Paulo, cidade que mais tem recebido solicitações de refúgio na América Latina.

O Revista Brasil entrevistou o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Luiz Fernando Godinho.

O Brasil hoje possui cerca de 8.500 refugiados já reconhecido pelo governo federal, informa. De acordo com o relatório, na sua grande maioria são cidadãos que chegaram da Síria, vítimas dos conflitos naquele país, alguns países vizinhos e também de países africanos, como Congo, Libéria e Angola. Há também outros refugiados vindo da Colômbia, embora o número esteja mais estável nos últimos anos. É uma população diversificada, composta por homens, mulheres e crianças, diferentes núcleos familiares.

Luiz Fernando Godinho esclarece que os refugiados apontaram problemas e avanços na acolhida e proteção de refugiados.

“Eles pedem exatamente que haja um maior acesso a políticas públicas de moradia, saúde e educação e que as pessoas que fazem esse atendimento sejam melhor informados e capacitados sobre a questão do refúgio. Querem também um pouco mais aula de português e procedimentos que facilitem a revalidação de diplomas universitários”.

“A gente entende que há avanços, mas há desafios que permanecem e dentro desse processo de consulta com os próprios refugiados nós identificamos estes pontos relatados”, explica Godinho.

Entenda o assunto ouvindo a entrevista na íntegra no player acima.

O Revista Brasil é uma produção das Rádios Nacional Brasília e Rio de Janeiro, e vai ao ar, de segunda a sábado, às 8h. A apresentação é de Valter Lima.

Fonte: http://radios.ebc.com.br/revista-brasil/edicao/2015-12/refugiados-querem-mais-celeridade-na-expedicao-de-documentos-e-acesso

 
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Publicado por em 16/12/2015 em Uncategorized

 

REFUGIADOS AQUECEM ECONOMIA E MUDAM OLHARES

Conta-se hoje no Brasil com um número de aproximadamente 4.500 refugiados, sendo estes de 70 países diferentes e se não todos, sua grande maioria nos centros urbanos. Estes recebem documentos e acesso a políticas públicas.

Quem ajuda e como?

A ACNUR (Agência da ONU para refugiado no Brasil) tem auxiliado muitos dos refugiados através de projetos e parcerias com o objetivo de causar menos impacto na adaptação destas pessoas e possibilitar a reconstrução de suas vidas. Entre os projetos estão o microcrédito, habitação local (reassentamento), fronteiras e cidades solidárias, além de trabalhos para geração de renda.

Contribuição e crescimento para a economia

Os refugiados que são vistos em sua maioria como vítimas e em alguns casos (dependendo da origem e religião) como ameaças, também possuem muito a contribuir a seus hospedeiros e têm mostrado valores na mobilização da economia, como acontece na Alemanha, que hoje possui a menor taxa de desemprego da Europa e cresce com a construção de moradias.

Segundo a economista húngara Petra Reszketõ, os imigrantes/refugiados em sua maioria possuem excelentes níveis acadêmicos, são informados, autônomos e com aportes financeiros, pois, de outra maneira, não teriam condições de pagar atravessadores para fugirem de seus países de origem.

Os refugiados são homens, mulheres, crianças que sofrem perseguições de vários tipos, e têm seus direitos violados. Na Austrália, a campanha I CAME BY BOAT tem levantado fundos e difundido a questão humanitária e igualitária dos refugiados, tentando amenizar o impacto destas pessoas na reconstrução de suas vidas.

Campanhas coletivas têm se tornado comuns e ajudado pessoas, como o caso de Abdul Halim al-Attar, que vendia canetas pelas rua de Beirute com sua filha no colo, e uma campanha coletiva conseguiu arrecadar para Abdul e sua família a quantia de $188,685,00, que possibilitou que ele abrisse 3 negócios e empregasse outros imigrantes.

Geração de renda e oportunidades

A concentração maior dos refugiados são em capitais como: São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Curso e oportunidades de trabalho são oferecidos para que possam ser integrados no país. Eles retribuem com serviços e conhecimentos para geração de renda, dando aulas de línguas, culinária e cultura, como o projeto “Abraço Cultural” em São Paulo.

Desta forma, outros olhares têm recaídos sobre estes imigrantes, que chegam dia após dia no país.

Fonte: http://br.blastingnews.com/sao-paulo/2015/12/refugiados-aquecem-economia-e-mudam-olhares-00697403.html

 
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Publicado por em 16/12/2015 em Uncategorized

 

Haitianos graduados têm mais dificuldade para se empregar que outros imigrantes, diz FGV

  • “Falo inglês, francês, creole, espanhol, português. Mas primeiro tem o preconceito. Eu sou negro. Então, se tem uma vaga, mesmo que eu tenho mais qualificação que os outros, eu não consigo”, diz Berhman Garçon

Segundo estudo, haitianos com diploma têm mais dificuldades para conseguir emprego na área do que outros imigrantes

“O que eu ganho é para pagar aluguel e comer. Isso não é vida”, conta Berhman Garçon, haitiano, 36, formado em jornalismo pela Université Polyvalente d’Haiti e mestrando em antropologia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Apesar dos cursos universitários, ele nunca conseguiu um emprego em sua área profissional no Brasil, desde de que se mudou para Campinas, há cerca de cinco anos. Para sobreviver, conta que já trabalhou como garçom em restaurante e recepcionista em hotel. No momento, está desempregado, vivendo de bicos e de trabalhos esporádicos de edição de vídeo que realiza para clientes no exterior.

Ele conta que trabalhava como diretor de programação de TV no grupo Rádio Tele Megastar e que migrou para o Brasil após o terremoto de 2010, quando “a situação piorou muito” no Haiti e os pagamentos começaram a atrasar.

Sua história se repete com a grande maioria dos imigrantes haitianos que possuem formação de ensino superior, revela uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas à qual a BBC Brasil teve acesso com exclusividade.

A partir da análise dos dados oficiais do Ministério do Trabalho, os pesquisadores da FGV constataram que uma parcela muito pequena dos trabalhadores haitianos graduados no Brasil tem um emprego compatível com sua qualificação.

De acordo com os números mais recentes da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), havia 440 imigrantes haitianos com curso superior trabalhando com carteira assinada no Brasil em 2014. Desse total, apenas 15 (3,4%) exerciam funções que exigem diploma universitário.

A grande maioria dos haitianos graduados ocupava cargos que demandam apenas ensino fundamental (302) ou médio (58). Esses grupos representam juntos 82% dos haitianos com curso superior empregados no Brasil.

O restante tinha empregos de nível técnico (59) ou sem exigência de qualificação (5). Apenas um ocupava um emprego com requisito de pós-graduação.

Vale destacar que é possível encontrar 30.457 registros de haitianos com vínculos formais de trabalho na Rais, mas a grande maioria não tem formação universitária.

O levantamento da FGV foi feito a pedido do governo. Seu resultado será debatido nesta terça-feira em Brasília, com parte das discussões do seminário “Imigração como Vetor de Desenvolvimento do Brasil”.

Outras nacionalidades

A comparação dos dados dos imigrantes haitianos com os de outras nacionalidades mostra uma grande disparidade.

Segundo o levantamento da FGV, há quase 156 mil estrangeiros empregados com carteira assinada no país, sendo que 48.199 têm curso superior.

Do total de graduados, a grande maioria (71,7%) está de fato exercendo profissões que exigem o ensino superior, além de 9,8% ocuparem cargos de exigência técnica.

Uma pequena parcela das pessoas com ensino superior está em ocupações que, geralmente, exigem pós-graduação, ou em funções que não necessariamente demandam qualificação universitária, como ministrantes de cultos religiosos e profissionais relacionados às artes – essas categorias seguem a Classificação Brasileira de Ocupações.

Dessa forma, o estudo da FGV aponta que, de maneira geral, apenas 15,4% dos imigrantes com diploma universitário não trabalham em funções equivalentes a sua qualificação e estão empregadas em cargos que exigem apenas ensino fundamental ou médio.

Preconceito

Há cerca de cinco anos no Brasil, Berhman Garçon fala bem português e, embora não tenha conseguido revalidar seu diploma, diz que isso não tem sido seu principal obstáculo. Na sua vivência, ele identifica outros fatores que dificultam a obtenção de uma vaga no mercado jornalístico.

“Falo inglês, francês, creole, espanhol, português. Mas primeiro tem o preconceito. Eu sou negro. Então, se tem uma vaga, mesmo que eu tenho mais qualificação que os outros, eu não consigo”, diz ele.

“Já mandei muitos currículos, já fui a empresas pedir emprego. Dizem que vão chamar se houver oportunidade, mas é papo furado”, reclama.

Além disso, Garçon vê uma desconfiança das empresas brasileiras com os estrangeiros.

“Eles têm medo de lidar com os estrangeiros, receio de que ele não vai conseguir fazer (o trabalho). Como você vai saber se eu vou conseguir fazer, se não me dá oportunidade?”, questiona.

Sem perspectivas reais de conseguir um emprego em sua área, Garçon está investindo R$ 250 num curso rápido de operador de empilhadeira.

“É a possibilidade de um plano B. Como eu não consegui um trabalho de jornalista, ter uma vaga para operar empilhadeira vai me ajudar a pagar meu aluguel até eu voltar para o Haiti. Quero voltar no ano que vem”, planeja.

Fluxo novo

O pesquisador Wagner Faria de Oliveira, da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da FGV, identifica outros elementos que podem explicar essa diferença.

Ele nota que a imigração haitiana é mais recente que de outras nacionalidades, como pessoas que vêm dos países vizinhos da América do Sul e de nações europeias como Portugal, Espanha e Itália.

“Geralmente esses imigrantes que seguem fluxos mais antigos (de migração) conseguem se integrar melhor no mercado de trabalho, pois já possuem redes de apoio”, explica.

“As pessoas costumam migrar por questões econômicas, em busca de melhores oportunidades, mas esse não é o único fator que conta. O fato de já existirem redes, comunidades de pessoas daquele país, torna o fluxo mais facilitado”, acrescenta.

Além disso, diz Oliveira, mais um fator que dificulta a integração dos haitianos é a língua. Enquanto a maioria dos imigrantes que vêm para cá falam português ou espanhol, o haitiano fala creole (uma língua derivada do francês).

“É bem mais difícil para eles aprender o português”, observa o pesquisador da FGV.

Revalidação de diploma

Outro problema que atrapalha a inserção dos imigrantes com curso superior é a dificuldade para conseguir revalidar diplomas estrangeiros no Brasil, já que não há regras unificadas no país – cada universidade tem autonomia para adotar seu procedimento, o que é garantido na Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional.

Segundo Oliveira, o Ministério da Educação tem tentado acelerar esse processo por meio de resoluções do Conselho Nacional de Educação.

“Há um esforço de tentar resolver, mesmo mantendo a autonomia universitária. Uma das sugestões que se colocou foi você ter, por exemplo, uma lista de cursos de universidades que já foram aprovados e esse curso já passaria a ser validado automaticamente, caso seja feita uma requisição em outra universidade”, diz.

“Hoje, mesmo se uma pessoa de um curso x de uma universidade y já tenha tido seu diploma validado, se outra pessoa do mesmo curso pedir a validação em outra universidade, vai começar um processo novo”, explica.

Atualmente, o Congresso Nacional está debatendo um novo Estatuto do Estrangeiro para substituir a legislação de 1980. Embora a proposta em discussão traga regras que podem facilitar a entrada de estrangeiros, como a não exigência de um vínculo empregatício prévio para liberação de um visto de trabalho, a FGV aponta para a falta de debate sobre medidas específicas para atração de mão de obra qualificada para o país.

O presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida, reconhece o problema. Ele diz que a discussão sobre facilitar a revalidação do diploma está engatinhando no Mercosul. E mesmo na União Europeia, onde isso está mais adiantado, ainda é um processo recente.

“Não é uma discussão fácil. O Brasil tem que avançar muito nesse assunto para que não ocorra o desperdício de talentos. Isso é uma perda gigantesca não só para ela como pessoa mas também para o país que a acolhe”, disse à BBC Brasil.

“Isso não esta sendo enfrentado nesse novo debate da nova lei migratória”, admitiu.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2015/12/01/haitianos-graduados-tem-mais-dificuldade-para-se-empregar-que-outros-imigrantes-diz-fgv.htm
 
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Publicado por em 07/12/2015 em Uncategorized