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Arquivo mensal: novembro 2015

Pesquisa revela perfil, os dramas e onde estão os estrangeiros que vivem no Brasil

Quando começa a falar sobre os últimos anos de sua vida, Mohammad Kheir Alnmere, de 35 anos, parece voltar a um passado não tão longe, mas muito triste. O homem olha sempre distante, talvez tentando imaginar o percurso entre a Síria e o Brasil, país onde ele entrou como refugiado, há um ano. Ele fugiu de sua terra natal em busca não apenas de uma vida melhor, mas, sobretudo, de segurança. Afinal, a guerra civil que devassa os sírios, fez uma vítima próxima a Mohammad: seu filho de nove anos, que estava com câncer e morreu por falta de atendimento médico em função do bombardeio ao hospital onde estava internado. Sua filha ficou ferida e sua casa destroçada.

O sírio hoje é um dos milhões de imigrantes, apátridas e refugiados (que são considerados imigrantes forçados) que entraram no país, desde os primeiros anos do descobrimento do Brasil. A história de Mohammad se junta a outros estrangeiros que decidiram sair de suas nações em busca de algo melhor para suas vidas. Ele escolheu viver na Europa, depois de passar por vários outros países do Oriente Médio, mas não foi aceito em nenhum deles. Foi roubado durante a viagem e gastou US$ 12 mil para chegar até Brasília, onde mora com a filha. Achou que o Brasil seria a ponte para outros continentes, mas acabou permanecendo por aqui, e hoje vive de bicos em um comércio.

Entretanto, sua vida não tem sido fácil. “Gosto das pessoas aqui do Brasil, mas é difícil trabalhar. Além disso, tem o problema da língua”, diz Mohammad, em árabe, traduzido por Musa Aheo Sahori, um filho de palestinos, que serve de interprete. Hoje o sírio vive no Distrito Federal com a filha. Já está abandonando a ideia de viajar pela Europa, mas reclama da burocracia para tirar seus documentos no país. “Deveria ser mais ágil”, diz.

O jordaniano Jihad Abdul Qader Issa, Mohammad e o menino palestino Musa Aheo Sahori, unidos pelo destinoBeto Barata/ Fato Online

A imigração para o Brasil começou há 485 anos, quando os primeiros colonizadores portugueses chegaram aqui para plantar cana de açúcar. Desde este período até agora, os fluxos diminuíram, mas nunca pararam. No século XIX foram os europeus e japoneses, que viam o país como uma Nação próspera. Depois surgiram as duas grandes guerras, nas décadas de 1910 e 1940. Mais recentemente, chegaram os haitianos – fugindo da miséria de seu país, devastado por um terremoto em 2010 – e os sírios, acossados pela guerra civil que nunca acaba.

“A história da sociedade brasileira forjada com o fluxo migratório para o país, apesar de termos tido episódios lamentáveis que foi o tráfico de escravos”, diz Beto Vasconcelos, presidente do Conare (Conselho Nacional de Refugiados) e secretário Nacional de Justiça. “Hoje nossa identidade é plural e, além disso, não temos preconceito, racismo ou xenofobia a estrangeiros. Os brasileiros são pessoas tolerantes”, acrescenta.

A pesquisa “Migrantes, apátridas e refugiados: subsídios para o aperfeiçoamento de acesso a serviços, direito e políticas públicas no Brasil”, mostra um quadro do que precisa ser feito. Idealizado pela Secretaria de Assuntos Legislativos em parceria com a Secretaria Nacional de Justiça e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o estudo mostra que os imigrantes estão espalhados para quase todos os estados brasileiros. O trabalho, que faz parte do projeto Pensando o Direito, confirma que dois dos principais problemas para o imigrante é justamente o que Mohammad reclama: o idioma e a documentação.

Beto Vasconcelos diz que a história do Brasil e o fluxo migratória andam na mesma trilhaCadu Gomes/ObritoNews/Fato Online

“A pesquisa, ao longo de dois anos, não foi apenas acadêmica, mas de campo e foi um instrumento para que pudéssemos desenvolver políticas públicas para o setor”, afirma Beto. Ele dá exemplos da emissão mais rápida de documentos, com a descentralização das ações neste sentido para estados e municípios. O secretário, que tem sob sua responsabilidade o Departamento de Estrangeiros, reconhece que ainda falta resolver o entrave do idioma. “O desafio importante é desenvolver capacitações de línguas, com aulas de português, o que vamos fazer firmando parcerias com os demais entes federativos”, explica.

Pelos dois problemas também passou Jihal Abdul Qader Issa, um jordaniano de 37 anos que chegou ao Brasil em 2013. Antes de chegar aqui ele tentou outros países e hoje espera sua regularização definitiva no país. O rapaz aguarda a tramitação de seus documentos, que estão na Polícia Federal atualmente. “O problema aqui é a língua e trabalho”, diz ele, que também se declara um entusiasta pelos brasileiros.

A professora de Direito da UniSantos (Universidade Católica de Santos) Liliana Lyra Jubilut, coordenadora da pesquisa, diz que o estudo derivou de duas grandes situações. A primeira foi o aumento significativo do fluxo migratório mundial e que está tendo reflexos no Brasil. Segundo ela, isso acontece principalmente pela melhoria das condições econômicas do país, além das novas oportunidades, como os grandes eventos realizados nos últimos dois anos, como a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo e as Olimpíadas em 2016. Liliana explicou que a outra situação foi a chegada dos haitianos, que hoje somam mais de 70 mil.

Haitianos que fogem da miséria buscam emprego no BrasilJuan Diaz

De onde vem e para onde vai

A pesquisa mostra um retrato de como estão e por onde circulam os imigrantes até entrar em solo brasileiro e para onde vão ao chegar ao país. Segundo Liliana, a intenção foi mapear os imigrantes. Hoje, não se tem um número exato de quantos estão no Brasil, mas a estimativa é que é em torno de 1,5 milhão. Entre ele, mais de oito mil refugiados de 80 nações diferentes. Além do perfil dos estrangeiros, a pesquisa pôde verificar diversos fatos, inclusive de relatos de tráfico de pessoas, principalmente no Norte e Sudeste.

O estudo também desenhou a rota dos haitianos que entram no Brasil. Por via terrestre, a rota principal é pelo Acre. Os primeiros que vieram para o país, segundo o estudo, sofreram xenofobia, além de críticas pela abertura das fronteiras. O documento mostra um detalhe importante: a questão da imigração na região só virou tema de debate agora, mesmo o Acre abrigando centenas de bolivianos ou peruanos. “Bolivianos e peruanos são praticamente invisíveis aos olhos do poder público, gerando poucas ações governamentais efetivas”, observa o relatório sobre o estado.

O Amazonas, mais concretamente a cidade de Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, foi a segunda porta de entrada dos haitianos, mas em menor escala. Enquanto que pelo Acre chegaram pelo menos 28 mil estrangeiros provenientes de Porto Príncipe, pelo estado vizinho entraram em torno de cinco mil pessoas. E a questão dos imigrantes “invisíveis” também existe por lá. Do outro lado do Rio Solimões estão a cidade de Letícia, na Colômbia, e a vila de Santa Rosa, no Peru. A população de ambas as localidades transita normalmente por território brasileiro, com ou sem documentos de imigração.

Um fato chamou a atenção dos pesquisadores em Roraima. O estado tem forte fluxo migratório, mas há uma espécie de invisibilidade quanto a eles. O motivo é a falta de estrutura dos órgãos públicos no atendimento. Isso pode representar no futuro, um grande problema, que é a entrada de haitianos no Brasil pelo estado. Isso pelo fato de a estrada ligando Lethem – na fronteira com o Brasil – a Georgetown, estar sendo reformada. A capital da Guiana é próxima do Caribe.

Pará e Amapá, apesar de próximos da Guiana Francesa, são dois estados que possuem imigrantes, mas são quase imperceptíveis. Assim como Alagoas e Tocantins que, a não ser turistas, não tem atrativos para imigrantes, seja ele reassentado ou refugiado. O mapa gerado pela pesquisa mostra que São Paulo, além de nigerianos, bolivianos e haitianos, que são maioria, tem estrangeiros de praticamente todas as nacionalidades.Os sírios que estão entrando no Brasil se concentram mais em São Paulo, em pequena quantidade em outros estados e no Distrito Federal. No Rio de Janeiro estão pessoas vindas do Congo, fugindo da guerra civil, de Angola, e do Haiti.

Ressabiados de tanta promessa, os imigrantes de São Paulo relutam em conversar com os brasileiros. “Algumas nacionalidades, como os haitianos e bolivianos, estão cansadas da constante abordagem pela mídia e se mostram reticentes a participar de entrevistas, pois consideram que o esforço de evidenciar os problemas vivenciados não trouxe resultados às suas demandas”, relatam os pesquisadores, ao justificarem as dificuldades em obterem mais informações sobre a situação dos estrangeiros na capital paulista.

A pesquisa

A pesquisa localizou todas as categorias migratórias: refugiados, solicitantes de refúgio, migrantes econômicos, pessoas que deixam seu país por questões humanitárias e deslocamentos ambientais. Além disso, há os grupos considerados vulneráveis, como as mulheres, os idosos e as crianças, entre outros casos, como dos haitianos, considerados imigrantes em situações de crise. Chegam ao Brasil muitos homens, mas o número de mulheres está crescendo. A média de idade dos estrangeiros é de 18 a 40 anos.

Um detalhe assinalado pela pesquisa é à entrada dos imigrantes no país. Para que eles possam ficar no país de forma legal, os estrangeiros solicitam o refúgio. Isso acontece mesmo que a pessoa não se enquadre nos requisitos solicitados pelo governo. O motivo, conforme o relatório do estudo, é que as formas de regularização migratória no país são poucas.

Fonte: http://fatoonline.com.br/conteudo/12729/pesquisa-revela-perfil-os-dramas-e-onde-estao-os-estrangeiros-que-vivem-no-brasil?or=home&p=d3&i=3&v=1
 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized

 

Brasil vai conceder permanência para 43,7 mil haitianos; como eles devem proceder?

Os haitianos que vivem no Brasil com documentação precária ganharam uma boa notícia. No último dia 11, o governo federal assinou um acordo que prevê a concessão de visto permanente para 43.781 mil haitianos residentes no país.

A decisão foi assinada pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do Trabalho, Miguel Rosseto, com a presença também do embaixador do Haiti no Brasil, Madsen Cherubin.

Governo brasileiro permitirá residência permanente para cerca de 43,7 mil haitianos. Crédito: Arte/Ministério da Justiça

Como proceder?

Os nomes dos beneficiados pela medida estão disponíveis na edição de 12 de novembro de 2015 do Diário Oficial da União. A lista pode ser acessada e consultada também nos portais do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), do Ministério da Justiça e do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).

A partir da publicação dos nomes, os migrantes devem fazer a solicitação da permanência e do pedido do Registro Nacional do Estrangeiro (RNE) junto à Polícia Federal. Eles devem comparecer à superintendência mais próxima para iniciar o processo.

O Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) elaborou um resumo dos passos a serem seguidos pelos migrantes no processo de pedido de residência permanente. Para solicitá-lo, basta acessar este link ou pedir o arquivo para o IMDH por algum destes e-mails: rosita.imdh@gmail.com ou rosita@migrante.org.br.

O processo vai de 13 de novembro deste ano a 12 de novembro de 2016.

Impactos

De acordo com o Ministério da Justiça, a residência no Brasil garante aos haitianos o acesso a direitos como saúde, educação, carteira de trabalho e de identidade permanentes e benefícios previdenciários. Além disso, os imigrantes também poderão visitar a família no Haiti ou recebê-la aqui.

Os beneficiários são migrantes haitianos que ingressaram no Brasil pela fronteira terrestre com o Acre, a partir de 2010, e contavam, desde então, com documentos provisórios de solicitação de refúgio. A carteira de trabalho, por exemplo, tinha validade de apenas um ano.

Ainda de acordo com o Ministério da Justiça, cerca de 70 mil haitianos vivem atualmente no Brasil.

Fonte: http://migramundo.com/2015/11/18/brasil-vai-conceder-permanencia-para-437-mil-haitianos-como-eles-devem-proceder/

 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized

 

Em Curso de Formação Política, imigrantes e refugiados questionam e reivindicam seus direitos

Há 33 anos no Brasil, Wender Regenthal migrou da Alemanha e ainda não conseguiu validar o seu diploma de mestrado. Ele afirma que o principal desafio para os imigrantes no Brasil é a questão da documentação, que demora dias, meses ou até mesmo anos para ficar pronta. “Assim que cheguei no Brasil, levou quase dois anos para eu conseguir a permanência, nesse tempo fiquei impedido de usar carteira de trabalho. No consulado na Alemanha levaria só 40 dias” relata Regenthal.

Hoje, ainda lamenta não poder participar das discussões políticas, porque não tem titulo de eleitor, devido ao fato de que nenhum estrangeiro no Brasil tem direito ao voto. Wender afirma que a situação é muito incômoda, pois vê seus filhos participarem da política enquanto ele encontra-se limitado.  “Tenho dois filhos brasileiros, estou aqui há mais de 30 anos e não posso votar nem sequer os representantes do conselho da minha região, isso é triste”, desabafa.

Histórias como as de Wender foram ponto de discussão no sábado (14/10) durante o segundo Curso de Formação Política para Imigrantes e Refugiados, que aconteceu no auditório do Sindicato dos Bancários. O evento foi organizado pelo Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC), em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do movimento Grito dos Excluídos.

O curso contou com a participação de palestrantes nacionais e internacionais, como o cônsul Geral do Equador em São Paulo, Luiz Wladimir Vargas. Os palestrantes abordaram temáticas da migração e geraram um debate sobre questões que serão levadas ao Fórum Social Mundial das Migrações, que acontecerá no próximo ano e que tem como sede a cidade de São Paulo. Com a presença do deputado Orlando Silva (PCdoB), algumas reivindicações da nova Lei de Migração também foram discutidas.

O auditório estava lotado, imigrantes participavam ativamente do encontro realizando perguntas e pedidos. Entre as principais questões abordadas pelo público estavam as oportunidades de trabalho e a luta contra o racismo e a xenofobia.

O imigrante haitiano Patrick afirmou que existe uma desigualdade gigante na forma como o Brasil enxerga imigrantes negros e imigrantes brancos. Ele considera que muitas vezes haitianos são vistos como inimigos. “Acredito que a educação nas escolas precisa ser diferente, eu sinto que eles nos veem como inimigos. Já cheguei ao ouvir que o governo do PT nos trouxe no Brasil pra fazer revolução”, desabafa.

Imigrantes solicitam que exista igualdade de oportunidades de trabalho e que se lute contra o racismo.

Segundo Tania Bernuy, diretora executiva do CDICH, a construção de um consenso entre as ideologias e transversalidades do movimento social é difícil, mas é possível se realizarmos encontros para convocar as lideranças e construir diálogos sobre estas temáticas. “Acredito que, nestes eventos, estamos avançando ao construir conhecimento sobre a crise do capitalismo que provocou a migração forçada. Todas as ideias serão levadas ao Fórum, fazendo dos imigrantes, os protagonistas da sua luta”, afirma.

Os palestrantes ressaltaram a importância de que os brasileiros enxerguem os imigrantes como atores políticos que trazem elementos que podem ajudar a organizar melhor a economia e política.

O evento abordou as problemáticas da mobilidade desde uma perspectiva de direitos humanos e crítica do sistema capitalista, que deixou de enxergar as pessoas como trabalhadores e passou a considerá-las como mercadoria.

Para o Jean Tible, professor da Universidade de São Paulo (USP), a virtude de ser imigrante está em poder ser brasileiro e estrangeiro ao mesmo tempo, porque ao chegar no Brasil, os imigrantes conseguem se adaptar e misturar a sua identidade. Porém, o professor considera uma tirania o fato de o imigrante não ter direito ao voto. “Quando o estrangeiro é regularizado, ele é convidado a se abster da política. São Paulo hoje é uma cidade boliviana, nordestina, japonesa, multicultural. Porém o Brasil ainda nega que imigrantes exerçam cidadania, no entanto, cobra impostos deles. Isso é tirania”, fundamenta.

Tible considera que não ter direito ao voto coloca os trabalhadores imigrantes numa situação de fragilidade, fazendo com que sejam mais explorados que os trabalhadores nacionais.

Público manifestou sua preocupação com a crise econômica brasileira e como isso afeta povos latino-americanos

Para Paulo Illes, coordenador de Políticas para Imigrantes na Secretaria de Direitos Humanos de São Paulo, é necessário fortalecer os movimentos sociais e fazer com que brasileiros possam também exigir mudanças para imigrantes, entre essas, o direito ao voto. “A prefeitura de São Paulo acredita no potencial dos imigrantes e refugiados, por isso criou a Cadeira Extraordinária para o Conselho Participativo garantindo assim o direito a votar e ser votado. Porém precisamos avançar no cenário nacional para que eles participem das eleições gerais no país” declara.

Illes ressaltou a urgência de vencer o preconceito das pessoas e dos governos, para que imigrantes sejam atendidos com dignidade. “A sociedade brasileira é preconceituosa com indígena, negro, LGBT, e tem o machismo também. Se o imigrante fizer parte destes grupos já se transforma em xenofobia”, explica.

Para o coordenador, o Fórum Social Mundial das Migrações será um evento com o protagonismo necessário para que o Brasil reflita das políticas migratórias e que os imigrantes manifestem as suas lutas por direitos humanos.

Lei de Migração que gera Lei de Anistia

Relator da nova Lei de Migração (PL 2516/15), o deputado Orlando Silva (PC do B) participou do evento para debater com os imigrantes opiniões e reinvindicações.

A nova lei vai regular as migrações no Brasil, assim como para as pessoas que saem do Brasil e ajustar a normativa para refugiados e apátridas. O estatuto antigo, promulgado na época pôs-ditadura, estabelecia como prioridade questões de segurança, deixando de lado os direitos humanos – que serão abordados nesta nova alternativa.

O deputado mencionou que existem polêmicas em torno à lei, entre elas: a discussão de uma instituição do Estado que regule a migração e garanta os direitos humanos, deixando de lado a Policia Federal; a garantia de impedir a criminalização, e que todo imigrante tenha direito a se defender perante a lei; e os direitos trabalhistas e luta contra a escravidão.

Silva manifestou também que a relatoria está trabalhando a favor de estabelecer anistia com a aprovação da lei, de forma que haja a oportunidade de zerar o jogo e ter uma constituição plena. Sobre o voto dos imigrantes, afirmou que era preciso procurar alternativas para modificar a constituição. “O Brasil deve tudo aos fluxos migratórios, se for da minha vontade não existiria lei, pois todos já teriam os mesmos direitos e oportunidades”, conclui.

“Se for da minha vontade não existiria lei, pois todos já teriam os mesmos direitos e oportunidades” afirma Orlando Silva, relator da nova Lei de Migração

Para o congolês Geroges Wlukonka, a lei deve fazer com que não exista mais vistos provisórios, permitindo que imigrantes tenham direitos iguais aos de brasileiros, “ nós pagamos impostos, trabalhamos muito, mas nosso problema é o visto provisório, e eu vou lutar até o fim para ver isso mudar”, defende.

Imigrante boliviana, Roxana Flores afirma que já participou da Comissão da Lei, mas que às vezes não existe o poder suficiente para mudar as coisas. “Apesar das falências, espero ter mais participação na contribuição das alterações desta lei, e que ao ser aprovada, esta não demore muito para ser aplicada”, diz.

Já o alemão Wender Regenthal, considera que a Anistia na Lei de Migração é de extrema importância, assim como estabelecer prazos e preços na entrega dos documentos. “Deveriam ter prazos específicos para a entrega dos documentos, da carteira de trabalho, e taxas iguais para todo mundo. É muito injusto um brasileiro perder documento e pagar 40 reais,e e eu imigrante, 500 reais”, desabafa.

O Fórum Social Mundial das Migrações acontecerá em julho de 2016, e até lá será criado – em dezembro – um comitê local de organização, e em fevereiro se conformarão diversas comissões. Cursos de Formação Política e audiências para preparar os imigrantes farão parte deste processo.

Fonte: http://www.cdhic.org.br/?p=2718

 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized

 

Debate aborda Oriente Médio e crescimento do Estado Islâmico

Evento da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo acontece no próximo dia 23 de novembro

A FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) promove hoje, 23 de novembro, o debate “ORIENTE MÉDIO E ESTADO ISLÂMICO: aspectos de geopolítica, segurança internacional e direitos humanos”.  O evento, gratuito e aberto ao público, acontece às 19h reunindo especialistas em relações e segurança internacional.

O objetivo desse debate é discutir a expansão do chamado Estado Islâmico no Oriente Médio, abordando as implicações para a geopolítica e para a segurança internacional da região. O crescimento do grupo tem forçado os atores da própria região a encontrar um modo de preservar a soberania e o território, como Iraque e Síria, mas também tem levado potências globais a adotarem discursos intervencionistas, como Rússia e Estados Unidos.

Além das implicações políticas e geopolíticas para o sistema internacional, a expansão do Estado Islâmico também tem desencadeado um imenso problema referente aos refugiados, que estão buscando proteção em outros países. Portanto, é um debate apropriado para compreendermos melhor um problema contemporâneo que envolve não apenas o Oriente Médio, mas toda a comunidade internacional de um modo geral.

Recentemente, a organização coordenou um ataque na França, deixando 129 mortos e centenas de feridos em Paris. Em seguida o Estado Islâmico não apenas reivindicou a autoria do ato, como ameaçou fazer novos atentados contra países que bombardeiam o Oriente Médio.

 

A mesa de debate contará com:

Rodrigo Gallo – Cientista Político, Mestre em Ciências Humanas e Sociais (UFABC) e em História Social (USP). Professor dos cursos de Política e Relações Internacionais e Ciência Política da FESPSP, e da graduação de Relações Internacionais da FMU, onde leciona Geopolítica.

 

Bernardo Wahl – bacharel em Relações Internacionais, mestre em Relações Internacionais (San Tiago Dantas – PUC\Unicamp\Unesp). Especialista em Segurança Internacional. Professor do curso de Política e Relações Internacionais e Ciência Política da FESPSP e da graduação de Relações Internacionais da FMU.

 

Guilherme Fernandes – bacharel em Direito, Mestre em Integração da América Latina (Prolam\USP) e doutorando em Direito Internacional (USP). Professor dos cursos de Direito e Relações Internacionais da FMU, lecionando disciplinas como Direito Internacional Público e Direitos Humanos.

 

Peterson Ferreira da Silva – doutor em Relações Internacionais (IRI\USP) e analista de Segurança Internacional e Defesa Nacional.

 

SERVIÇO

Debate: ORIENTE MÉDIO E ESTADO ISLÂMICO: aspectos de geopolítica, segurança internacional e direitos humanos

Data: 23 de novembro de 2015

Horário: 19h

Local: Auditório da FESPSP – Rua General Jardim, 522, Vila Buarque – São Paulo

 

Fonte: http://www.fespsp.org.br/noticia/debate_aborda_oriente_medio_e_crescimento_do_estado_islamico_

 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized

 

Idioma ainda é principal dificuldade de imigrantes no Brasil

São Paulo – Segundo o estudo do Ipea em parceria com o Ministério da Justiça, a principal barreira de integração que imigrantes enfrentam na chegada ao Brasil não é acesso a emprego, moradia ou trabalho, mas, sim, o idioma.

De acordo com a pesquisa “Migrantes, Apátridas e Refugiados”, cerca de 16,8% dos recém-chegados ao país apontaram a língua como a barreira à compreensão das instituições públicas. O índice vale tanto para o fato de o próprio imigrante não saber o português, quanto os serviços de atendimento e recepção brasileiros não terem o domínio de outros idiomas.

A falta de comunicação é o principal ponto que mostra a necessidade de uma mudança dos processos de recepção, junto com uma padronização de processos. “É preciso uma reavaliação integral da acolhida e proteção aos imigrantes no país para que a mesma seja pautada pelos direitos humanos”, diz o texto.

De acordo com o estudo, o fato de cada tipo de imigrante ter um diferente processo de integração de acordo com sua classificação (refugiado, apátrida, entre outros) torna difícil a compreensão de qual a via que os estrangeiros devem requisitar para entrar no país.

Um exemplo é que boa parte dá entrada nos pedidos de refúgio sem ser propriamente um refugiado. A documentação (14,2%) e a informação (9,4%) são outras duas dificuldades bastante citadas por imigrantes.

Essa confusão faz com que o protocolo de pedido de refúgio seja o documento mais difícil de se conseguir. São mencionados também o Cartão do SUS e o RNE (Registro Nacional de Estrangeiros). Para flexibilizar a emissão dos documentos, os entrevistados sugeriram também que as taxas fossem reduzidas.

 

Fonte: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/idioma-ainda-e-principal-dificuldade-de-imigrantes-no-brasil
 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized

 

Marcha dos imigrantes em São Paulo

No próximo dia 29 de novembro, acontece a Marcha dos Imigrantes. A concentração será na Praça da República, a partir das 9h. Este evento é coordenado pelo CAMI e outras organizações parceiras. Acontece anualmente e já está em sua 9º edição. O tema deste ano é: “Fronteira Livres. Não à discriminação”. O Sefras também participa e apoia este evento que reivindica melhores condições de vida aos imigrantes e o fim da xenofobia. A marcha é composta por diversos momentos, entre eles, manifestações culturais de diversos países e depoimentos sobre a questão da migração no país.

Cartaz_marcha_do_Imigrantes

Fonte: http://www.sefras.org.br/portal/marcha-dos-imigrantes-em-sao-paulo.html

 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized

 

Busca de estrangeiros por vestibular da Unicamp cresce 84,7% em 4 anos

O número de estrangeiros inscritos no vestibular da Unicamp aumentou 84,7% desde 2012, segundo a comissão responsável por organizar o exame (Comvest). A universidade recebeu 401 fichas na atual edição, enquanto que naquele ano foram 217 candidatos. Entre as justificativas feitas por estudantes estão a busca por ensino de qualidade e vontade de ficar no Brasil.

Um relatório de atividades da Unicamp, divulgado em março, indica que os cursos de graduação tinham 128 estudantes estrangeiros matriculados até 2014. Ao todo, foram verificados 30 países de origem e a maioria deles nasceu no Haiti, China, Cabo Verde, França, Coréia do Sul e Peru.

Além disso, no mesmo ano havia outros 328 estrangeiros matriculados como alunos especiais, oriundos de 37 países. Neste caso, explicou a Comvest, eles não fizeram vestibulares, porém, foram autorizados a cursar disciplinas em algumas graduações quando há vagas. Neste caso, os principais países de origem dos estudantes são Argentina, Colômbia, Espanha, Japão e México.

“De 2010 a 2015 a porcentagem de candidatos estrangeiros no vestibular teve pequenas variações. O aumento desta porcentagem no vestibular 2016 pode ser reflexo do aumento do número de estrangeiros vivendo no país verificado ao longo desta década, especialmente nos últimos dois anos”, avaliou o coordenador de pesquisa da Comvest, Jayme Vaz.

O G1 solicitou à Vice-Reitoria Executiva de Relações Internacionais uma avaliação sobre o aumento de inscritos. Contudo, não houve resposta até a manhã deste sábado (21).
A primeira fase do exame será aplicada na tarde deste domingo, para 77,7 mil candidatos.

‘Me considero brasileira’
Uma parte dos estrageiros inscritos no vestibular chegou ao Brasil ainda na infância. É o caso da japonesa Megan Kirkby, de 18 anos, que desembarcou em São Paulo com a mãe e o irmão após deixarem Tóquio. Em meio à atribulada rotina diária com até 12 horas de estudos, ela conta que está ligada à cidade natal, porém, se considera brasileira e que planeja cursar medicina.

Do meu ponto de vista, democracia define o desenvolvimento do país. Você tem indivíduos pensantes, para a sociedade é melhor”
Carlos Kalombola, 24 anos,  nasceu em Angola

“No começo do ano eu resolvi visitar meu pai e passei dois meses com ele lá. Acho que não troco mais o Brasil, senti muita saudade”, brinca ao lembrar das dificuldades para adaptação durante a infância.

“Em casa, eles procuravam falar somente em português para me forçar a aprender. Eu sei ler, escrever, mas a fluência em japonês eu acabei perdendo”, explica a jovem ao mencionar a época que cursava o ensino fundamental e não sabia nada de português.

Sobre as diferenças entre os países, ela considera que no Japão há mais organização, tecnologia e a área de saúde é melhor estruturada, porém, faz questão de enaltecer que os brasileiros são mais acolhedores. “Fazer faculdade fora eu meio que descartei. Prefiro ter o diploma daqui”, falou antes de mencionar os fatores que contribuíram para a escolha da carreira.

“Eu gosto de biologia, corpo humano. No começo deste ano teve uma feira de neurociência e aí me interessei mais pelo assunto”, destaca sobre a escolha, ao lembrar também que gosta de assuntos relcionados à história e filosofia. Segundo a estudante, ela optou pela universidade por causa das referências que obteve, e também vê a possibilidade de mais independência.

Vestibulandos inscritos no vestibular da Unicamp   (Total / Estrangeiros)
2012 2013 2014 2015 2016
Total Estr. T Estr. Total Estr. Total Estr. Total Estr.
61.509 217 67.403 255 73.824 286 77.146 303 77.760 401
Fonte: Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest)

Democracia
O sotaque do estudante Carlos Mandele Kalombola, de 24 anos, evidencia um dos pontos em comum dentro dos quase 7 mil quilômetros que separam Campinas e Lubango, cidade onde ele morava há dois anos, em Angola. Deixou a casa sozinho pelo sonho de ser engenheiro civil.

Angolano planeja cursar engenharia civil, na Unicamp (Foto: Arquivo Pessoal / Carlos Mandele Kalombola)Angolano planeja cursar engenharia civil
(Foto: Arquivo / Carlos Mandele Kalombola)

“Em virtude da situação do meu país, o Brasil está à frente em desenvolvimento, principalmente educacional. Surgiu a oportunidade e também falo português”, explica o jovem que mora em um apartamento, no distrito de Barão Geraldo.

O jovem lembrou que um amigo brasileiro, de Santa Catarina, o incentivou a mudar de país e a tentar uma vaga na Unicamp.

“Escolhi Campinas, porque no estado de São Paulo estão algumas das melhores universidades do país”, frisou Kalombola. Confiante de que está preparado para o vestibular, só demonstra preocupação ao ponderar sobre a expectativa de desempenho nas provas de língua portuguesa e literatura.

“Fiz o Enem e tive dificuldades [admite entre risos]. Já li autores como Jorge Amado [Capitães da Areia] e Aluísio Azevedo [O Cortiço], então me sinto capaz”, ressalta. Outro ponto destacado pelo jovem é a diferença política entre os dois países. “Do meu ponto de vista, democracia define o desenvolvimento do país. Você tem indivíduos pensantes, para a sociedade é melhor”, defende.

Acho que não troco mais o Brasil, senti muita saudade”
Megan Kirkby é japonesa e mora desde 2005 em SP

Tendência e regras
Embora o número de estrangeiros interessados tenha praticamente dobrado em seis anos, o índice de aprovados se manteve próximo e inferior a 1%. No ano passado, por exemplo, foram 303 inscritos –  0,38% do total de 77,1 mil inscritos -, e oito foram aprovados.

As provas dos candidatos estrangeiros também são feitas em português. Eles não têm direito à participação no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais), que concede bônus.

Internacionalização
Para o professor de história Célio Tasinafo, a busca de estrangeiros pelo vestibular da Unicamp reflete o destaque da universidade em rankings internacionais, além da ida de mais brasileiros ao exterior, por meio de programas como o Ciências sem Fronteiras. Já o baixo índice de aprovados está atrelado ao conteúdo do exame.

“Há uma estrutura muito específica, com predomínio de história e geografia do Brasil. A maioria dos alunos não conhece aspectos do nosso território e cultura e encontram dificuldades”, avalia.

Cronograma
A primeira fase será aplicada na tarde deste domingo (22), quando os candidatos terão 90 questões de múltipla escolha nas disciplinas de língua portuguesa e literatura, matemática, história, geografia, sociologia, filosofia, física, química, biologia, inglês e perguntas interdisciplinares. O tempo total de prova é de cinco horas.

Vestibular 2016 da Unicamp recebeu 77,7 mil inscrições (Foto: Fernando Pacífico / G1)Vestibular 2016 da Unicamp recebeu 77,7 mil
inscrições (Foto: Fernando Pacífico / G1)

Em relação à segunda etapa do processo seletivo da Unicamp, os exames serão divididos em três dias, de 17 a 19 de janeiro de 2016: redação (dois textos), língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa no primeiro; história (incluindo filosofia), matemática e geografia (incluindo sociologia) no segundo; além de química, física e biologia no último dia do processo seletivo.

Diante da necessidade de alcançar índice de 50% para matriculados oriundos da rede e 35% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas até 2017, conforme meta estipulada pelo governo do estado, o Conselho Universitário (Consu), órgão máximo de deliberação da Unicamp, aprovou mudanças no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais) para ampliar a concessão de bônus aos candidatos.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2015/11/busca-de-estrangeiros-por-vestibular-da-unicamp-cresce-847-em-4-anos.html

 
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Publicado por em 23/11/2015 em Uncategorized