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Arquivo mensal: setembro 2015

Unesp cria curso específico para sírios e refugiados, em Rio Preto

A Unesp em São José do Rio Preto iniciará uma turma especifica de língua portuguesa para os sírios e outros refugiados que estão chegando à cidade. São cerca de 23 pessoas. Um grupo de 38 professores e alunos do curso de Letras atuará como voluntário para ministrar as aulas do curso. A coordenação da ação é da responsável pelo curso de extensão universitária ‘Português Língua Estrangeira”, Marta Marta Lúcia Cabrera Kfouri-Kaneoya, professora do Departamento de Educação da Unesp em São José do Rio Preto.

Além dessa ação, a cidade vem tomando outras iniciativas. A igreja Imaculado Coração de Maria, na Santa Cruz, virou um verdadeiro galpão de solidariedade. Na semana passada, as doações encheram uma cozinha, mas triplicaram em cinco dias e foi preciso ocupar a área social da igreja e outro cômodo externo para armazenar tudo.

“Estou maravilhado com o povo rio-pretense. As doações estão superando nossas expectativas. Ainda não contabilizamos tudo, mas vamos conseguir ajudar não só a família síria que adotamos, como também outras famílias e refugiados de outros países que aqui estão”, afirmou o padre Oscar Donizete Clemente, pároco da Santa Cruz.

Padaria
Os sírios também ganharam duas máquinas para fazer a massa do pão, um forno elétrico, dois freezeres, um microondas e uma máquina para cortar frios. Esse maquinário será usado para que eles possam fazer os pães e vender na paróquia. “Nossa intenção é montar uma padaria. Assim eles não precisarão mais de doações e poderão prover o próprio sustento”, disse o padre.

Assessoria de Comunicação e Imprensa, com informações de Victor Augusto/Diário da Região/São José do Rio Preto

Fonte: http://unesp.br/redevivamelhor/blog/2015/09/25/unesp-cria-curso-especifico-para-sirios-e-refugiados-em-rio-preto/

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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized

 

Grupo prepara esquema para receber refugiados

A informação de que um grupo de aproximadamente 20 refugiados da Síria deve chegar a Campinas nos próximos dias mobilizou as autoridades e representantes da comunidade muçulmana a criarem, em caráter emergencial, um grupo de trabalho com objetivo de preparar um esquema de atendimento a essas famílias.

Uma reunião preliminar realizada na manhã de ontem, na Prefeitura, reuniu representantes da comunidade síria na cidade e de algumas áreas do poder público.

A intenção é definir estratégias de acolhimento de imigrantes refugiados de qualquer nacionalidade. Entretanto, desde o início da crise na Síria, o Brasil vem concedendo asilo a mais imigrantes sírios do que os principais portos de destino de refugiados na Europa.

A preocupação das autoridades é que o número de 20 sírios possa ser somente o começo de uma vinda em massa para Campinas. A cidade já contabiliza entre 20 e 30 sírios, segundo levantamento feito por Maria do Carmo Penteado de Camargo, membro da comunidade muçulmana e voluntária que está diariamente em contato com os refugiados. Ela está empenhada em acolher essa população desde abril de 2014, quando começou a chegar em Campinas.

“Estamos esperando a chegada de mais cinco famílias sírias, o que totalizaria umas 20 pessoas. O nosso temor é que, pelos problemas na Europa, eles comecem vir para cá para fugir de mais agressões”, disse Maria do Carmo. Países europeus começaram a negar a entrada de refugiados sírios.

Além da possibilidade de chegada desse contingente de 20 pessoas, Maria do Carmo trabalha para trazer para Campinas duas famílias sírias que estão vivendo em Hortolândia. São dois casais, um com três e o outro com um casal de filhos.

Somente os homens estão trabalhando, na construção civil. Queremos trazê-los para cá para eles poderem ficar mais próximos da mesquita e dos demais conterrâneos”, explicou.

O diretor municipal de Assistência Social e Cidadania, Fábio Custódio, esteve reunido na última sexta-feira com o secretário de Relações Institucionais, Wanderley de Almeida, para expor a preocupação da pasta de Cidadania com a possibilidade da chegada de muitos refugiados.

“É preciso termos um trabalho coordenado com demais secretarias para poder dar o apoio necessário aos refugiados. Estamos em alerta, inclusive, para a necessidade de utilização provisória de um abrigo da Prefeitura usado em casos de emergências ou situações de calamidade”, afirmou Custódio.

Nesta segunda-feira (21), o coordenador disse que será feito também um levantamento para identificar entidades e representantes que já trabalham com imigrantes.

As pastas que estarão previamente envolvidas nesse grupo intersetorial serão Saúde, Educação, Segurança, Defesa Civil, Assuntos Jurídicos, Gabinete do prefeito e a própria secretaria de Cidadania e Inclusão. Também participou da reunião de ontem uma representante da comunidade de haitianos que vivem em Campinas.

O Correio mostrou recentemente o drama de refugiados que estão em Campinas e passam dificuldades, sem emprego e com mínimos recursos para a sobrevivência. A realidade está começando a mudar para essas famílias, que encontraram a solidariedade de campineiros.

Segundo dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão ligado ao Ministério da Justiça, 2.077 sírios receberam status de refugiados do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano. Trata-se da nacionalidade com mais refugiados reconhecidos no Brasil, à frente da angolana e da congolesa.

À frente das discussões de imigrações na região de Campinas, o executivo público Ricardo Alves, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, informou que não tem conhecimento da chegada de sírios para Campinas.

“Não recebi nenhuma informação. O governo federal vai conceder vistos no próprio local onde se encontram, como Grécia ou Macedônia, por exemplo. Com certeza absoluta, virão muitos para cá e realmente já começaram a chegar”, disse.

Alves mostrou preocupação com uma possível “invasão” de sírios e outros povos árabes ao Estado de São Paulo. “Temos outro problema seríssimo que é a fronteira com o Paraguai. Somente em Foz do Iguaçu tem de 800 mil a um milhão de muçulmanos.”

Colaborou Bruno Bacchetti/ AAN

Fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/09/capa/campinas_e_rmc/383368-grupo-prepara-esquema-para-receber-refugiados.html

 
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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized

 

Meu professor de francês é um refugiado

O Abraço Cultural é uma escola no bairro de Perdizes, em São Paulo, que ensina inglês, francês, espanhol e árabe. Seria mais um centro de aprendizado de idiomas, não fosse o quadro único de professores: dezesseisrefugiados de diversos países, como Síria, Paquistão, Haiti e Cuba. Nas aulas, além da troca técnica sobre a língua, os estudantes têm a oportunidade de conhecer culturas e experiências pessoais.

Luiz Henrique Pécora, 26, coordenador do Abraço Cultural, explica que a intenção é inserir os refugiados na sociedade em longo prazo, promover a troca de culturas, minar preconceitos de ambos os lados e ainda gerar renda. “A ideia é tirar o estigma de alguém que está aqui como estorvo e precisa sempre da nossa ajuda”, diz.

Há quatro meses no Brasil, a síria Nour, 31, ensina inglês. “Muitas pessoas do mundo todo têm imagens estereotipadas sobre outros países, então é uma experiência preciosa poder falar sobre sua cultura e país, corrigindo esses desvios, e ainda poder aprender sobre o Brasil”.

Os cursos têm duração de três meses e começaram a ser oferecidos em setembro. Além das duas aulas regulares durante a semana, às sextas-feiras acontece a aula cultural, uma atividade interativa de culinária, dança e música.

“Os professores se animam porque mostram suas habilidades e a cultura do seu país, e os alunos querem saber mais e também falam sobre as diferenças em relação ao Brasil”, diz Luiz Henrique. “Isso reforça a ideia de que eles não são miseráveis que vieram para cá fugindo de um crime, como muitos acreditam. São pessoas com muito conhecimento e uma formação variada, de aprendizado técnico a doutorado”.

Mohamad Alsaheb, 35, conterrâneo de Nour, veio há um ano para o Brasil sozinho, fugindo dos conflitos em seu país e em busca de uma vida melhor. Lá, ele era especialista em animações e trabalhava para o canal infantil Spacetoon, equivalente ao Cartoon Network. “Não é fácil atuar em sua profissão ao sair do país, você precisa de conexões. Mas sou bom em inglês e tenho experiência em ensinar”, conta Alsaheb, que fez questão de ressaltar sua gratidão aos brasileiros e ao governo: “eles são muito generosos”.

Luiz-Pécora-e-Raheel-Shahbaz
Luiz Pécora, coordenador do projeto, e o professor paquistanês Raheel Shahbaz

A paulistana Uolli Briotto, 26, é formada em Relações Internacionais e estuda francês com um professor do Congo. Já estudou o idioma antes em escolas tradicionais, mas cansou do método. “A gente sempre falava sobre a França, Paris e outras regiões francesas. Então encontrei no Abraço uma alternativa para continuar aprendendo de forma mais motivadora e interessante. Por exemplo, na aula passada ouvimos músicas tradicionais do Congo, algo que dificilmente teríamos acesso de outra forma”.

Raheel Shahbaz, 33, é outro dos professores. Ele veio do Paquistão há quatro anos e percebe algumas mudanças em relação à época em que chegou ao Brasil e agora. “Eu desembarquei aqui às 16h e fiquei até às 20h30 procurando alguém que falasse inglês e pudesse me ajudar. Mas acho que agora as coisas estão bem melhores, tem mais assistência e gente que fala outros idiomas”.

Quando pesquisou sobre outros países para morar, Shahbaz encontrou informações sobre o Brasil ser um país rico, com oportunidades de trabalho, mas ao chegar se deparou com uma realidade diferente. Apesar de melhor que o Paquistão, era bem difícil. Após um ano ilegalmente no Brasil, estava pronto para retornar à suas origens. Com a passagem em mãos, um rapaz no aeroporto disse para ele não desistir, ir a Brasília tentar o visto.

Com a ajuda do Caritás, regulamentou sua situação no país e conseguiu uma carteira de trabalho. No entanto, ficou mais difícil conseguir um emprego. “Antes eu trabalhava em qualquer lugar, mas depois, quando dizia que tinha uma carteira de trabalho, eles diziam ‘desculpa, você não fala português bem’, e muitas empresas não sabiam as regras para contratar estrangeiros”.

Em seu país de origem, ele trabalhou como administrador em ONGs de reabilitação de drogados, foi professor de design gráfico, tem experiência em programação e é formado em um curso de comunicação de massa, equivalente ao jornalismo. “É difícil sair do Paquistão porque a gente tem uma estampa de terroristas. Chegando aqui, queria estudar, mas é difícil estudar em português. Agora estou aqui no Abraço Cultural, que conheci por meio de uma reportagem na internet, e também dou aulas particulares”, diz o professor.

O Abraço Cultural surgiu a partir da união entre duas ONGs. Luiz Henrique conta que oAdus, Instituto de Reintegração do Refugiado Brasil, queria promover um curso de capacitação que promovesse a integração de refugiados, gerasse renda, e fosse contra o preconceito. O Atados buscava um projeto de engajamento contínuo que tivesse impacto em longo prazo na vida das pessoas, e assim surgiu o projeto.

Em agosto deste ano, segundo o Instituto de Migrações e Direitos Humanos, o número de asilados vivendo no Brasil chegou a 8,4 mil. Destes, mais de 2 mil vieram da Síria e receberam status de refugiados do governo brasileiro; é a nacionalidade com mais refugiados reconhecidos no país. No mundo, 59,5 milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocar até 2014, sendo que 19,5 milhões eram refugiados, segundo o Acnur, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Luiz Henrique resume o espírito da iniciativa: “Quem sabe a gente não consegue integrar cada vez mais os refugiados de São Paulo e, por que não do Brasil?”.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/meu-professor-de-frances-e-um-refugiado.html

 
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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized

 

Um novo rumo para os imigrantes e refugiados de São Paulo

Nos meandros do centro de São Paulo surge uma nova perspectiva para os imigrantes, refugiados de conflitos ou não, que aportam nos aeroportos e rodoviárias da cidade. Há cerca de um ano e meio, a Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), por meio de um projeto de seu fundador e diretor executivo, frei David Santos, iniciou um curso básico gratuito de português para imigrantes e refugiados que procuram uma esperança na maior metrópole do País.

“Eu só tenho que agradecer este lugar”, diz Richard Mahognon, de 24 anos, nascido em Benin, no oeste da África, no Brasil há cerca de um ano e cinco meses, em uma pequena sala na Educafro onde conversou com Brasileiros. Mahognon contou que veio para o Brasil em um programa do governo federal, o PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação), que oferece possibilidades de formação superior para cidadãos de países em desenvolvimento que possuem acordos educacionais e culturais com o Brasil. Richard conseguiu uma vaga na Universidade Federal da Paraíba e foi para o Nordeste no início de 2015.

Um dos requisitos do PEC-G para que o imigrante consiga passar mais de um semestre na universidade é uma avaliação de português. A questão é que muitos imigrantes não conseguem atingir este objetivo por uma série de fatores e acabam sendo obrigados a retornar para seus países. Este foi o caso de Richard, que chegou com um mês de atraso para o seu curso na Paraíba devido às burocracias do programa e não conseguiu passar no exame de proficiência de português. Uma grande decepção para quem saiu de seu país para poder estudar. “Decidi vir para o Brasil porque é melhor para os estudos. Para estudar na faculdade em Benin é uma bagunça”, conta.

MG_9909Richard Mahognon, do Benin, e Alfred Ekanga, do Camarões. (Foto: Wanderley Preite Sobrinho/Brasileiros)

Após a frustração com a prova, o beninense atravessou o País, desembarcou em São Paulo há cerca de uma semana e solicitou a ajuda de Frei David e da Educafro.”Tive que pedir auxílio porque aqui não tem ajuda. Cheguei aqui com um mês de atraso, fiquei seis meses para estudar língua portuguesa e fui reprovado. Pela lei brasileira eu deveria pegar minhas malas e ir embora.” Ao descobrir a Educafro através de um amigo africano, Richard também encontrou um novo panorama para sua vida no Brasil com as aulas do idioma falado no Brasil.

No pequeno cômodo em que Brasileiros conversou com o imigrante, também estava presente o camaronês Alfred Ekanga, de 30 anos, que, assim como Richard, deixou sua terra natal, e seu emprego como agente de viagens, em busca de melhores condições educacionais. “Trabalhei seis anos na minha área em Camarões, mas lá o turismo é pouco desenvolvido”, explica. Outro fator que foi fundamental para a decisão de Alfred foi o aumento da violência no país africano, onde o Boko Haram, grupo terrorista vinculado ao Estado Islâmico, já atinge a região norte, na fronteira com a Nigéria. “Presenciei dois ataques suicidas, um foi no meio da rua e outro dentro de um supermercado. Quero viver em um país onde se tem paz”.

Os dois estrangeiros, que já se tornaram colegas de classe nas aulas na Educafro, se exaltam quando o assunto do racismo vem à tona. Ambos parecem concordar que os imigrantes negros sofrem muito com o preconceito no Brasil, mesmo que a maioria população do País se declare negra ou parda. “O que o negro brasileiro sofre, o negro imigrante sofre em dobro”, afirma, convicto, Richard, que logo é cortado por Alfred: “Sofremos preconceito, é muito difícil conseguir um emprego por exemplo, e poucas pessoas querem ajudar”. O camaronês ainda disse, no começo de sua estadia no Brasil, a dificuldade com a língua foi imensa já que, como em outros diversos países na África, as línguas oficiais do Camarões são inglês e francês.

Refugiados e imigrantes de diversos países participam de curso de português em São Paulo. (Foto: Wanderley Preite Sobrinho/Brasileiros)

Richard então contou uma história que, para uma grande parcela da população brasileira, é rotina em um País racista. “Meu irmão, que já veio para o Brasil e teve de voltar para a África por questões de saúde, uma vez entrou no ônibus lotado e uma mulher começou a espirrar perfume nele. Foi uma discriminação, um preconceito. Ele ficou com vergonha, saiu do ônibus e pegou um táxi”.

Desde que chegaram à São Paulo, os dois estrangeiros se alojaram na periferia de São Paulo, na zona sul da cidade. O camaronês Alfred vive atualmente na estrada do Campo Limpo, no município de Taboão da Serra, enquanto Richard mora na Vila das Belezas. “Hoje nós conseguimos sobreviver com ajuda de nossos familiares na África, e também com a ajuda da Educafro. Faço minhas refeições em casa, porque é muito caro comer na rua”, conta Alfred, reclamando também do tempo de transporte de sua casa para o centro da cidade.

Quem cuida da alfabetização dos imigrantes e refugiados na Educafro, que oferece aulas no período da manhã e da noite, é a professora voluntária Lilian Fernandes Pedro, de 37 anos, que viu em sua paixão pelo inglês uma oportunidade de ajudar os estrangeiros. “Uma grande amiga me mostrou um jornalzinho e falou que estavam precisando de professores voluntários para os imigrantes.”. Poucos dias depois ela estava na sala de aula ensinando português. “Foi um choque, tanto para mim, quanto para os alunos. Na primeira semana foi estranho, depois a gente estabeleceu um vínculo de amizade. Muitas vezes encontro alunos nas ruas e procuro manter o contato com eles.”, conta Lilian.

A professora Lilian Fernandes Pedro. (Foto: Wanderley Preite Sobrinho/Brasileiros)

A professora, que já lecionou para sírios, congoleses, senegaleses, paquistaneses, iranianos e outras diversas nacionalidades, também conta que , assim como na grande parte dos alunos brasileiros, os problemas de aprendizado dos estrangeiros tem um viés pessoal e não existem dificuldades padronizadas.” Em relação à língua cada um tem a sua dificuldade e seu ritmo. Alguns chegam aqui sem saber falar nada e aprendem rápido, enquanto outros demoram mais. O principal problema mesmo é a insegurança, o medo de estar em um país distante.”

A receptividade da Educafro para com os imigrantes e refugiados é uma contraposição às políticas internacionais observadas na Europa recentemente. À Brasileiros, o idealizador do “Português para Refugiados e Imigrantes”, frei David Santos, disse que o mundo está vivendo uma crise em relação à sua própria diversidade, e que foi necessária a exposição da trágica foto da criança síria morta na beira do mar para “acordar a humanidade”. No entanto, frei David fez um alerta à relação entre a problemática dos imigrantes e um racismo velado nas sociedades: “Quantas crianças negras já apareceram mortas na praia e a imprensa nunca deu espaço? Por ser uma criança branca, a atenção da imprensa foi muito maior.”

O frei ainda relatou os efeitos positivos do projeto, que até agora já atendeu mais de 150 estrangeiros. Segundo ele, mais de um quinto dos alunos consegue um trabalho após o primeiro mês nas salas de aula. São dois módulos a cada semestre do curso Básico I, com aulas de três horas de segunda à sexta em dois períodos (9h às 12h e 18h às 21h). “Chega no final dos três meses do curso intensivo, mais da metade dos estrangeiros já está colocada em emprego”. Frei David ainda diz que a ideia do curso gratuito é facilitar ao máximo o aprendizado para os estrangeiros, estes que, em sua grande maioria, são provenientes de estruturas sociais precárias.

Refugiados e imigrantes de diversos países participam de curso de português em São Paulo. (Foto: Wanderley Preite Sobrinho/Brasileiros)

A alta demanda para aulas de português é reflexo da situação imigratória do Brasil. Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) divulgados pela Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados), o número total de pedidos de refúgio aumentou mais de 930% entre 2010 e 2013. Até outubro de 2014 foram contabilizados outras 8.302 novas solicitações, o que torna o Brasil o país da América Latina que mais recebeu pedidos de refúgio. Em relação aos refugiados já reconhecidos, houve um aumento de aproximadamente 1.240% entre 2010 e 2014 (154 foram reconhecidos em 2010 enquanto em 2014 o número foi de 2.032).

A Educafro não é a única instituição nesta batalha pela inclusão dos imigrantes e refugiados. A Missão Paz, órgão vinculado à igreja católica e aos padres escalabrinianos, fundadores da Congregação dos Missionários de São Carlos, auxilia os imigrantes desde 1940, quando se instalou na rua do Glicério, no tradicional bairro da Liberdade, e também oferece aulas de português para os estrangeiros. No último dia 9, a Mesquita Santo Amaro, em um projeto da associação de assistência aos refugiados Oasis Solidário, iniciou um curso de aulas de português para sírios que chegaram em situação delicada ao Brasil.

A importância destes projetos é imensurável. Não se pode esperar menos de um País que é, historicamente, formado por famílias de imigrantes. Todavia, é necessário um maior empenho por parte das autoridades governamentais para garantir uma vida plena aos refugiados, principalmente com relação à inserção dos estrangeiros no mercado de trabalho e na educação. Dito isso, cabe à população brasileira se solidarizar e, cada vez mais, construir uma nação cosmopolita que abrace suas origens.

Fonte: http://www.portalafricas.com.br/v1/um-novo-rumo-para-os-imigrantes-e-refugiados-de-sao-paulo/

 
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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized

 

Diálogo Comunitário: “Caminhos de Esperança: a situação dos imigrantes e refugiados”

Com o tema: “Caminhos de Esperança: a situação dos imigrantes e refugiados”, o programa de extensão da FaTeo convida para um diálogo comunitário no próximo dia 29. O palestrante será o professor Doutor Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios, integrante da equipe de coordenação da Missão Paz e professor de Teologia sistemática no Instituto Teológico São Paulo – Itesp.

Em dois períodos, o diálogo acontecerá das 9h20 às 11h, pela manhã e no período noturno, das 19h30 às 21h, no auditório do Edifício Ômega, na Rua Planalto, 135, no Rudge Ramos. A entrada é franca. Alunos do curso de Teologia receberão certificado de horas complementares.

Fonte: http://portal.metodista.br/fateo/agenda/dialogo-comunitario-caminhos-de-esperanca-a-situacao-dos-imigrantes-e-refugiados

 
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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized

 

Refugiados sírios, palestinos e egípcios são acolhidos por sem-tetos em SP

Cerca de 20 famílias de refugiados vivem em uma ocupação no bairro da Liberdade, em São Paulo. “Temos dois sírios, três egípcios, mas a grande maioria é composta de palestinos que já eram refugiados na Síria. Todos tiveram que deixar o país por conta da guerra”, conta Silmara Silva, que é de Rondônia e chegou à capital paulista sete anos atrás.

O Brasil é a nação que mais recebeu refugiados sírios na América Latina. Alguns chegaram diretamente do aeroporto e outros foram encaminhados por mesquitas, onde aguardavam um teto.

“Quando eles chegam, organizações da sociedade civil como Caritas encontram um lugar para eles, mas não podem ficar mais do que 90 ou 120 dias, depois, eles têm que se virar. Não é fácil, já que muitos não têm a documentação em dia, não têm trabalho, e, sobretudo, não sabem falar português”, diz Silmara.

No imóvel que era da Telesp, antiga operadora de telefone do Estado de São Paulo, vivem ao todo 60 famílias. Os três últimos andares do prédio são ocupados pelos refugiados, enquanto os sem-tetos brasileiros ocupam os seis primeiros.

A Agência da ONU para refugiados (Acnur) calcula que o número de refugiados no País chega a 2.077 pessoas. Em 2013, o Comitê Nacional para os Refugiados desburocratizou a emissão de vistos para cidadãos sírios e outros estrangeiros vítimas da guerra.

“A gente considera o Brasil como uma nação mãe, sabe”, explica Yahya Moussa, um dos refugiados que se beneficiou da flexibilização da burocracia. Ele é chegou ao Brasil nove meses atrás. Passou um tempo na mesquita de Guarulhos/SP e, em seguida, trouxe a esposa, Zubeida, e a filha do casal. “Conseguimos tirar um visto no Consulado do Brasil em Beirute, onde nos refugiamos depois de fugir de Damasco. Os outros consulados não queriam saber nada da gente”, completa.

No local onde a família de Yahya está acampada, há apenas colchões, um sofá velho e uma mesinha.

 
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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized

 

Há um mês no Brasil, refugiado sírio consegue emprego em restaurante

22/09/2015 08h00 – Atualizado em 22/09/2015 08h40

Há um mês no Brasil, refugiado sírio consegue emprego em restaurante

Dona de comércio árabe em Rio Preto se sensibilizou e ofereceu emprego.
Homem revelou ter trabalhado como chef em hotel cinco estrelas, na Síria.

Do G1 Rio Preto e Araçatuba

O sírio Safarian Al Nakoula, refugiado no Brasil, já estava pronto e ansioso para começar a trabalhar logo pela manhã de segunda-feira (21). Acompanhado da doma – jaqueta usada por chefes de cozinha e que foi o uniforme dele por 25 anos -, Safarian foi para um shopping, em São José do Rio Preto (SP), para seu primeiro dia no emprego, depois de um mês no Brasil.

A dona de um restaurante árabe na cidade, Regiane dos Reis, conta que se sensibilizou ao assistir uma reportagem da TV TEM em que mostrou o drama de Safarian e outros sírios que estão na região. Ao saber que o sírio era um chef, ofereceu emprego a ele.

Regiane diz que quis ajudar, mas que Safarian surpreendeu a todos com seu talento na cozinha. A empresária conta que quis oferecer ajuda, mas que acabou sendo ajudada, isso porque precisava de um chef e Safarian ultrapassou as expectativas. “A comida é mesmo uma linguagem universal, os ingredientes são os mesmos e o modo de fazer também. A gente vai aprender muito com o Safarian. O desempenho dele foi perfeito. Ele está aprovado. Estava procurando um chef, quis ajudá-lo e acabei sendo ajudada. Não imaginei que ele seria tão qualificado”, afirma.

Safarian Al Nakoula era chefe de cozinha de um restaurante cinco estrelas na Síria (Foto: Reprodução/TV TEM)Safarian chefe de cozinha em restaurante cinco
estrelas na Síria (Foto: Reprodução/TV TEM)

Sem falar português, Regiane conta que os dois se entenderam por meio de um aplicativo de celular que traduz o que é escrito de uma língua para outra.

Safarian revelou que era chef de cozinha em um tradicional hotel cinco estrelas em Damasco, capital da Síria. Chegou a trabalhar em um restaurante na França por um ano, mas estava sem emprego desde que chegou ao Brasil, há pouco mais de um mês.

A chef de culinária árabe do restaurante, Nalva Bispo Xavier, revela que até já aprendeu a diferença entre um prato com alho e outro sem, que um é sírio e o outro é tradicional do Líbano. “Dá para entender algumas palavras e por meio dos gestos também”, afirma.

Safarian explica que deixou a Síria  com a mulher e duas filhas por causa da guerra, mas uma filha ainda ficou lá e outra conseguiu se refugiar na Alemanha. Ele sofre com a distância e a preocupação com a filha que ainda está na Síria, sobrevivendo em meio à guerra.

Guerra na Síria
Desde o início da guerra na Síria, em 2011, mais de 300 mil pessoas morreram. Cerca de cinco milhões buscaram refúgio em outros países. Líbano, Iraque e Turquia recebem a maior parte dos refugiados, que também buscam ajuda em países da Europa.

Mas o percurso em busca da paz é perigoso e muita vezes não tem um final feliz. Foi  durante uma dessas tentativas que uma imagem chocou o mundo e se tornou símbolo do drama vivido pelos sírios: a do menino Aylan, de 3 anos, morto numa praia. Ele, os pais e o irmão estavam numa embarcação que naufragou no mar Mediterrâneo. A fotografia da criança se espalhou e sensibilizou muita gente. Vários países, movidos também à pressão popular,  deram mais abertura para receber refugiados.

Safarian dá orientação na cozinha de restaurante árabe (Foto: Reprodução/TV TEM)Safarian dá orientação na cozinha de restaurante árabe (Foto: Reprodução/TV TEM)
Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2015/09/ha-um-mes-no-brasil-sirio-refugiado-consegue-emprego-em-restaurante.html
 
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Publicado por em 28/09/2015 em Uncategorized