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Arquivo mensal: julho 2015

Trajetórias e cotidiano de Muçulmanos no Brasil

Palestrantes

Salem Nasser

Salem Nasser

Presidente do Instituto de Cultura Árabe desde 2012. Doutor em Direito Internacional pela USP. Professor da Escola de Direito de São Paulo da FGV. (Foto: Acervo pessoal)
Samira Osman

Samira Osman

Professora de História da Ásia da UNIFESP, pesquisadora da História do Oriente Médio, Islamismo e Imigração Árabe. Autora do livro: Imigração Árabe no Brasil: história oral de libaneses muçulmanos e cristãos (SP: Xamã, 2011). (Foto: Acervo pessoal)
Sarah Ghuraba

Sarah Ghuraba

Professora de teatro na rede estadual de ensino. Graduanda em Língua Portuguesa pela Faculdade Sumaré. Ministra ensinos islâmicos para mulheres na mussala do Embu da Artes, dona do blog Ummah Brasil. (Foto: Acervo pessoal)
Érica Renata

Érica Renata

Formada em Letras, contadora de histórias. Atuou como docente universitária convidada nos cursos de Pedagogia e Letras (UNIESP), palestrante do Simpósio Nacional sobre Multiculturalismo, Preconceito e Racismo no Brasil (UNIESP) e I Simpósio Sudeste da ABHR sobre diversidades e (in) tolerância religiosas (USP). (Foto: Acervo pessoal)
Renatho Costa

Renatho Costa

Bacharel em Relações Internacionais, Mestre e Doutor em História Social (FFLCH-USP). Professor de Relações Internacionais da UniPampa e Coordenador do Grupo de Análise Estratégica – Oriente Médio e África Muçulmana. (Foto: Acervo pessoal)

Programa

18/08 – Introdução ao mundo muçulmano
Uma introdução à história do Islã, especialmente aquela de seu surgimento, de seu pertencimento à tradição monoteísta, de sua expansão, de suas divisões e do desenvolvimento de suas escolas de pensamento. Uma introdução igualmente à contemporaneidade do mundo muçulmano e à sua relevância para a compreensão do quadro político mundial.

Com Salem Nasser.

20/08 – Mulheres muçulmanas
Neste encontro a profa. Samira analisa a percepção apresentada nos diversos suportes midiáticos brasileiros sobre a questão da mulher muçulmana, do ponto de vista das oscilações de uma imagem de submissão e do papel de vítimas universais na violação dos direitos humanos. Propõe-se analisar o modo como estas mulheres são vistas e representadas, muitas vezes acompanhadas de um sentimento da “compaixão ocidental” por elas. Sarah Ghuraba e Érica Renata relatam suas experiências enquanto brasileiras muçulmanas.

Com Samira Osman.
Com Sarah Ghuraba.

Com Érica Renata.

21/08 – Muçulmanos no Brasil
A migração de árabes ao Brasil está vinculada a eventos específicos ocorridos no Oriente Médio. Mais precisamente, aos conflitos que envolveram a criação dos Estados árabes. Os ciclos migratórios de árabes estão vinculados aos desdobramentos e intensidade dos conflitos. Após a criação do Estado de Israel e ampliação do tensionamento local, muito árabes se deslocaram para os países circunvizinhos e outros fugiram para a América. As guerras civis como a libanesa que durou quinze anos também foi um forte impulsionador do processo migratório. A grande maioria da população árabe é formada por muçulmanos, no Brasil houve a fixação em regiões, como São Paulo, Foz do Iguaçu e Rio Grande do Sul. Atualmente há mais libaneses no Brasil do que no próprio Líbano.

Com Renatho Costa.

22/08 – Visita à Mesquita Brasil
Primeira mesquita do Brasil, inaugurada em 1952 está instalada no bairro do Cambuci. Durante a visita as mulheres devem usar o “rijab” (véu) fornecido na própria mesquita para os visitantes. As roupas não podem ser justas, nem transparentes, tanto para as mulheres quanto para os homens e devem cobrir braços e pernas.
Com Sarah Ghuraba.

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do inicio da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição. 

Data

18/08/2015 a 22/08/2015

Dias e Horários

Terça a Sexta, 10h30 às 13h
Sábado, 10h às 13h

Local

Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista – São Paulo/SP

Valores

R$ 18,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 – inteira
Fonte: http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/trajetorias-e-cotidiano-de-muculmanos-no-brasil
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Publicado por em 28/07/2015 em Uncategorized

 

Bolivianos são a segunda maior população de imigrantes de SP

Bolivianos são a segunda maior população de imigrantes de São Paulo. Eles já somam mais de 90 mil. Para matar a saudade de casa e se manter informado, eles desenvolveram uma rede de comunicação, que virou referência pra quem vive aqui.

Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia/267684-29

 
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Publicado por em 27/07/2015 em Uncategorized

 

Universidade recebe visita de embaixador e da cônsul-geral da Índia

Na quinta-feira, dia 23 de julho, o embaixador da República da Índia, Sunil Lal, e a cônsul-geral desse país em São Paulo, Abhilasha Joshi, visitaram a Universidade. Na ocasião, eles foram recebidos pelo reitor Marco Antonio Zago e o presidente da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional, Raul Machado Neto.

Atualmente, a USP possui dois acordos de cooperação com instituições da Índia, com a Indian Institute of Technology Delhi e aJawaharlal Nehru University.

Fonte: http://www.usp.br/imprensa/?p=51247

 
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Publicado por em 27/07/2015 em Uncategorized

 

Embaixador do Brasil na China acredita que países ganharão com ampliação das relações bilaterais

SÃO PAULO – O embaixador do Brasil na China, Valdemar Carneiro Leão, avaliou que os dois países têm a ganhar com a ampliação das relações bilaterais voltadas à implementação de investimentos. Na análise dele, há uma tendência de o país asiático dar andamento a ações de fortalecimento da economia interna. Nesse cenário, as empresas com larga experiência na construção de redes de transporte, tendem a buscar mercados no exterior.

Segundo Leão, a relação envolve um momento de muita convergência de interesses já que a China está em um processo de reforma do seu sistema, evoluindo de um modelo de crescimento calcado, basicamente, em exportações, para um sistema de crescimento mais calcado no consumo interno, aumento de renda, em serviços e inovação. “A transição de um para outro não será rápida”, disse.

Para ele, essa é uma parceria única para o Brasil já que a grande potência montou uma estrutura de produção que é voltada para grandes investimentos e para a exportação. “Ao mesmo tempo, o Brasil se transforma, para a China, em uma oportunidade de investimentos.
Portanto, acho que há uma coincidência de interesses no tempo. O comércio continuará sendo dinâmico. Mas, por conta da queda nos preços das matérias-primas, os valores possivelmente vão sofrer um pouco esse impacto e teremos números menores neste e no próximo ano. Mas o dinamismo comercial estará lá. E teremos uma ênfase e atenção maior na relação voltada para investimentos”, ressaltou o embaixador.

No cenário atual de instabilidade econômica, ele acredita que as parcerias e as relações Brasil-China têm sua singularidade. “Talvez não necessariamente devem ser vistas num contexto que possa ser do BRICS ou da América Latina. É uma relação econômica importante, vigorosa e dinâmica demais para estar subordinada a contextos ou grupos maiores. Tem, portanto, suas características próprias. O lado comercial sempre foi o mais vistoso, com um crescimento quase exponencial”.

Leão explica ainda que para que o setor privado possa contribuir com essas relações bilaterais, voltadas no caso para infraestrutura, será preciso parcerias que ofereçam conhecimento de mercado, experiência operacional, conhecimento das regras fiscais, financeiras, do mercado de capitais.

“A China tem uma experiência muito curta de implantação de sua capacidade produtiva fora do próprio território. A estratégia de sair, determinada pelo governo chinês, está se realizando gradualmente. Então, a China não tem uma experiência consolidada.
Muitas vezes, ela entra comprando tecnologia, marca. Ou seja, na medida em que a China se aproxima do Brasil e se engaja num programa de investimentos, ela vai precisar de parcerias que ofereçam conhecimento de mercado, experiência operacional, conhecimento das regras fiscais, financeiras, do mercado de capitais. Há toda uma série de circunstâncias, um ambiente de negócios que a China precisará ser, de alguma maneira, iniciada, e, portanto, necessitará de parceiros”.

O setor privado brasileiro, disse, estará também interessado em engajar-se em programas de longo prazo, sobretudo em se tratando de projetos de infraestrutura. “Assim, as empresas brasileiras poderão oferecer uma parceria que será valorizada”, finaliza.

Fonte: Guia Marítimo-SP

 
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Publicado por em 27/07/2015 em Uncategorized

 

Chineses podem vir a fabricar helicópteros em São José

A questão vem sendo mantida em sigilo, mas os estudos feitos pela China sobre o polo aeroespacial de São José dos Campos são cada vez mais avançados em sua busca de locais propícios a investimentos na América Latina.
Desde que o ministro da Ciência e Tecnologia da República Popular da China, Wan Gang, visitou o Parque Tecnológico de São José dos Campos há um mês exatamente, há uma forte especulação de que uma fábrica de helicópteros possa ser instalada na cidade.

O Brasil e a China têm uma larga experiência de projetos em parceria, principalmente ligados ao polo de São José dos Campos. A nova proposta entre os dois países em estabelecer uma ampliação nos projetos comuns deu início às ações de cooperação bilateral iniciadas em ciência, tecnologia e inovação e agora abrangerá também a área de parques tecnológicos entre os dois países.

O encontro, por parte dos chineses, é também uma avaliação do potencial do Vale do Paraíba ter uma fábrica de helicópteros. As empresas que fornecem para a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e os núcleos de pesquisas sobre materiais compostos e a cadeia produtiva da Helibras, sediada em Itajubá, no sul de Minas Gerais, são pontos atrativos para a China. Além da reformulação curricular que passará o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e o ingresso de novos cursos com associações internacionais.

O governo chinês vê grandes dificuldades para estabelecer sua fábrica de aeronaves de asas rotativas na Argentina, conforme anunciado neste ano, por falta de qualificação de mão de obra e de empresas parceiras.

Nem o polo de Córdoba, que foi um grande centro aeronáutico no passado e tem sido retomado nos últimos anos, terá qualificação para as exigências da China. Além disso, a proximidade de São José dos Campos com os programas chineses é grande.

O objetivo da China é ampliar sua participação no programa espacial brasileiro, com a produção de mais satélites com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ingressar no mercado de lançadores de satélites em parceria com o Brasil, depois do fracasso da associação com os ucranianos na Alcantara Cyclone Space (ACS)

O caso está ainda sendo tratado preliminarmente, embora a decisão possa sair ainda este ano. Não está descartada que as conversas avancem para pré¬-entendimentos sobre a fábrica de helicópteros aportar de vez no Brasil. A China tem uma joint venture, a Harbin¬ Embraer, para a produção de jatos na China há mais de uma década.

Um dos exemplos sobre as facilidades encontradas pelos chineses está no fato de o polo aeronáutico já constituído em São José dos Campos ser o maior do hemisfério sul e um dos mais destacados do mundo. Além das mudanças anun¬ciadas na expansão do ITA prever o aprimoramento nas áreas de pesquisas acadêmicas sobre novos produtos para o setor aeroespacial brasileiro, no qual contemplaria as aeronaves de asas rotativas.

Anunciada com muita publicidade, a produção na Argentina do helicóptero chinês multimissão CZ¬11, em 2012, inclusive com voo demonstrativo, não progrediu a contento, apesar do apoio do governo do país vizinho, embora já tenha reconhecido a dificuldade em suprir as necessidades industriais e de mão de obra qualificada para o empreendimento.

Os chineses também buscam acordos, além da área espacial, em nanotecnologia e veículos elétricos. Participaram da visita da delegação da China ao Parque Tecnológico, em 19 de junho passado, representantes da empresa Embraer, Boeing e da chinesa BYD, e autoridades locais: o prefeito Carlinhos Almeida, vice¬ prefeito Itamar Cóppio e vários secretários. Também participou da reunião o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho. DIVULGAÇÃO A China tem uma joint venture, a Ilarbin¬ Embraer, para a produção de jatos na China há mais de uma década. Além disso, existe o fato de o polo aeronáutico já constituído em São José dos Campos ser o maior do hemisfério sul e um dos mais destacados em todo o mundo.

Fonte: http://www.investe.sp.gov.br/noticia/chineses-podem-vir-a-fabricar-helicopteros-em-sao-jose/

 
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Publicado por em 27/07/2015 em Uncategorized

 

Chineses vieram em busca de oportunidades

Diversificar os mercados é uma das apostas das empresas em períodos de turbulência na economia local. Em geral, o empresário brasileiro amplia suas frentes de ação em direção aos países da América do Sul, onde encontra maior afinidade cultural. Mas na última década a China tem ganhado força entre os parceiros comerciais do país, e as oportunidades por lá costumam ser boas.

Nesta segunda-feira, 20/07, representantes da província chinesa de Zhongshan desembarcaram no Brasil com a intenção de atrair investimentos e produtos brasileiros para lá. Eles participaram de uma rodada de negócios promovida pela São Paulo Chamber of Commerce, braço da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) voltado ao comércio exterior. Os números impressionam.

A província possui 16 centros de inovação tecnológica, concentra cinco mil empresas de eletroeletrônico, 10 mil empresas voltadas ao segmento de iluminação, seus fabricantes de eletrônicos movimentaram US$ 40 bilhões no ano passado e 70% dos jogos eletrônicos e equipamentos de entretenimento que atendem o mercado chinês são produzidos em Zhongshan.

Yang Wenlong, vice-prefeito de Zhongshan, quer que empresas brasileiras ganhem mais espaço nessas estatísticas. “O Brasil é um parceiro estratégico. No último ano o intercâmbio comercial entre a província e o Brasil cresceu 10,5%, e tem muito espaço para crescer”, garantiu a autoridade chinesa.

Em 2014 a balança comercial entre o Brasil e a província de Zhongshan movimentou US$ 430 milhões. “Os produtos agrícolas, o artesanato brasileiro, entre outros bens, nos interessam muito”, apontou Wenlong.

YANG WENLONG, VICE-PREFEITO DE ZHONGSHAN (DIR.), APOSTA NO BRASIL COMO PARCEIRO ESTRATÉGICO

A província chinesa encontra-se em um local estratégico. Ela fica próxima a Hong Kong e Shenzhen, por onde passa grande parte da movimentação comercial mundial. Está em execução um ambicioso projeto que pretende ligar Zhongshan a estas duas outras províncias por meio de pontes que irão cruzar um extenso braço de mar. “Queremos ser a porta de entrada de produtos brasileiros para o restante da China”, diz Liu Yuhong, representante do governo de Zhongshan.

Evidentemente há o interesse dos chineses em trazer seus produtos para o Brasil também. Com o apoio da ACSP, 14 empresas da província chinesa apresentaram seus produtos para representantes de comerciais importadoras brasileiras.

Para o empresário Roberto Ticoulat, vice-presidente da ACSP, esse intercâmbio é fundamental para superar os momentos de dificuldade pelos quais as empresas brasileiras estão passando. “Estamos investindo nesses intercâmbios, principalmente com a China. A proposta é capacitar as empresas a operarem no mercado exterior”, diz o vice-presidente da ACSP.

Uma das apostas de Ticoulat é o Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), uma ação da Apex-Brasil em parceria com o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (Ceciex), da ACSP. O projeto permite que micro, pequenas e médias empresas, que estejam dispostas a exportar, sejam  capacitadas por instituições de pesquisa, a exemplo da Fundação Vanzolini, e recebam o suporte de comerciais exportadoras para adentrarem no mercado externo.

Fonte: http://www.dcomercio.com.br/categoria/negocios/chineses_vieram_em_busca_de_oportunidades

 
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Publicado por em 27/07/2015 em Uncategorized

 

Visão humanista da vida soviética chega a São Paulo

“Pela primeira vez na vida, atravessarei a Linha do Equador e o Oceano. Talvez eu veja o Cruzeiro do Sul.” Foi assim, com poesia, que o premiado fotógrafo russo Vladímir Lagrange previu a primeira visita para mostrar sua obra no Brasil, no início de 2014.

Agora, São Paulo é quem recebe as obras do fotógrafo pela primeira vez. Entre 25 de julho e 20 de setembro, a Caixa Cultural da capital paulista abriga a exposição “Assim Vivíamos”. São 65 imagens em preto e branco escolhidas a dedo, que mostram cenas do cotidiano da antiga União Soviética.

Marcando a abertura, Lagrange fará uma visita guiada com o curador da mostra, Luiz Gustavo Carvalho, no primeiro dia de visitação, às 11h, para falar sobre sua obra e o papel da fotografia russa na segunda metade do século 20.

“A mostra é uma ótima oportunidade para o público conhecer mais profundamente o cotidiano da antiga União Soviética por meio de uma testemunha sensível e direta. Na obra de Lagrange, encontram-se drama e humor, além de uma perene compaixão pelo ‘homem simples’, retratado pelo fotógrafo por meio de uma linguagem visual profunda e singular”, diz Carvalho.

Carvalho, que é pianista, conheceu a obra de Lagrange em 2007, durante os quatro anos em que viveu em Moscou. “Lagrange é um fotógrafo russo de extrema importância para o entendimento da sociedade soviética após a morte de [Iosif] Stalin [em 1953]”.

Senso de humor humanista

O desejo de Carvalho de trazer a obra de Vladímir Lagrange para o Brasil surgiu após outra exposição curada por ele nos últimos anos, a do fotógrafo lituano Antanas Sutkus.

“A ideia de mostrar a arte de Lagrange veio quase como um complemento a essa exposição, no sentido de que Sutkus oferece uma visão da União Soviética desde um país dominado, enquanto Lagrange traz a visão de dentro da Rússia”.

Ambos seguem a tradição humanista. Lagrange mostra, sempre com muito respeito, o cidadão comum da União Soviética com um toque de humor de maneira sutil.

Na análise de Carvalho, esse aspecto constitui outro ponto forte. “O senso de humor é algo delicado porque, na fotografia, pode cair muito facilmente na paródia, na anedota, na caricatura. E de uma maneira perspicaz, sempre guardando o humanismo, as obras dele não caem nestes domínios.”

É aí que entra a sensibilidade deste fotógrafo, tão notável quanto sua técnica.

“O dinamismo com o qual ele compõe as imagens é muito interessante. Elas são extremamente elaboradas, inclusive no que diz respeito à geometria das formas. O jeito como ele brinca com os contrastes e as perspectivas também é muito particular”, explica Carvalho.

A vida em preto e branco

Nascido em 1939, Lagrange iniciou a carreira aos 20 anos, em uma época em que não havia bons filmes fotográficos em cores à disposição na URSS.

“Isso determinou minha escolha [pelo preto e branco]; todos meus colegas usaram a fotografia em preto e branco. Até hoje, tenho uma certa nostalgia em relação a esse tipo de fotografia”, explica Lagrange.

“[O fotógrafo americano do início do século passado] Ansel Adams dizia que a fotografia em cores é literal demais, que não deixa espaço para interpretação pessoal”, completa.

Vladímir Lagrange fez carreira trabalhando para veículos de imprensa soviéticos, o que deixa margem para a dúvida: seu trabalho, então, é jornalismo ou arte?

“Quando tiro fotografias, não penso nessa distinção. Esse é o trabalho dos críticos e historiadores. Mas, na minha opinião, a fotografia em si é arte, não importa a tendência seguida pelo autor. Se for realismo, vanguarda, pós-modernismo etc., o importante é não deixar o espectador indiferente”, explica.

“É preciso dar algum impacto, trazer algo novo na visão do espectador, que gere reflexão.”

Quanto à censura, questão que também costuma rondar sua obra, ele diz que a autocensura, proveniente “da educação e princípios morais”, era mais forte que a exercida pelos editores.

“A censura era mais para escritores, artistas, cineastas. Na revista, não éramos muito perturbados com isso. Hoje em dia, tem algo errado com a imprensa no meu país, mas isso é já outra história.”

Política e ideologia à parte, para esse fotógrafo russo, o trabalho é um “remédio contra todas as doenças e a velhice”, sempre lhe trazendo novidades.

Fonte: http://br.rbth.com/arte/2015/07/22/visao_humanista_da_vida_sovietica_chega_a_sao_paulo_31105

 
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Publicado por em 27/07/2015 em Uncategorized