RSS

Arquivo mensal: março 2015

O sonho brasileiro de um refugiado sírio

O sírio Bashar Frzly, 22 anos, precisou morar a 11 mil quilômetros de casa para estudar no curso universitário que sempre sonhou. Há duas semanas, o jovem integra a turma do primeiro ano do curso de engenharia civil da Unifeb, em Barretos. Bashar decidiu migrar para o Brasil no início do ano passado, depois de lutar na guerra civil da Síria – ele prefere não detalhar de qual lado esteve no conflito, se nas tropas do seu xará, o ditador Bashar al-Assad, ou no exército rebelde. “Tenho receio pelos meus pais e meu irmão que ficaram em Damasco”, justifica.

O jovem sempre quis cursar engenharia civil, mas não tinha recursos para custear uma faculdade privada. Chegou a ingressar em uma universidade pública, mas no curso de economia, que frequentou por um ano e meio. Enquanto isso, trabalhava de barman em um restaurante da capital síria. A decisão de mudar radicalmente de vida veio em fevereiro de 2014. Inspirado em um dos irmãos, que migrou para os Estados Unidos, Bashar escolheu o Brasil. Havia três destinos possíveis em solo brasileiro, onde viviam parentes: Mato Grosso, Rio Preto e Barretos. Optou pela última cidade, onde vive uma tia.

Logo nos primeiros dias em Barretos, o sírio procurou saber se a cidade oferecia o curso de engenharia. Havia, na Unifeb. Bashar prestou vestibular e teve bom desempenho nas questões objetivas, mas foi um fracasso na redação. “Não sabia quase nada de língua portuguesa”, lembra.  O jovem então frequentou cursinho e aprendeu o idioma. Prestou novamente o vestibular na faculdade e, dessa vez, foi aprovado. As primeiras aulas empolgaram Bashar. “Estou gostando muito. Adoro ciências exatas e matemática.” Para os professores do curso, o desafio é fazer com que o jovem compreenda termos técnicos da profissão em português. “Temos de ter um cuidado especial com esse fator, para que ele não seja prejudicado”, afirma o coordenador do curso de engenharia da Unifeb, Ademar Watanuki.

Bashar Frzly_estudantesirio2O sírio Bashar Frzly com o professor Ademar Watanuki em laboratório da faculdade de engenharia civil em Barretos

Apesar da saudade da família, Bashar pretende seguir a carreira de engenheiro no Brasil, depois de formado. “Gosto muito do Brasil, fui muito bem recebido aqui. E no meu país não há futuro por causa das incertezas da guerra.”

Não há estimativas confiáveis sobre o número de sírios refugiados da guerra na região. No Brasil, são cerca de 1,6 mil refugiados atualmente, segundo o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). Só em 2014 foram feitas 1.326 solicitações de sírios para permanecer em território brasileiro, um aumento de quase 9.000% em relação a 2011, quando a guerra civil começou.

Guerra já matou 220 mil pessoas

Os Estados Unidos estão pressionando o presidente da Síria, Bashar Assad, para que discuta seriamente uma estratégia de transição para encerrar a guerra civil no país, que já dura quatro anos. O governo americano está convencido de que não há uma solução militar, mas apenas política. Representantes do governo sírio e da oposição participaram de discussões em Moscou em janeiro, embora o principal grupo de oposição sírio tenha boicotado a conferência.

O conflito no país já deixou mais de 220 mil mortos, desalojou cerca de um terço da população e proporcionou o surgimento do grupo extremista Estado Islâmico, que hoje controla um terço do país e do Iraque.

Fonte: http://www.diariodaregiao.com.br/cidades/o-sonho-brasileiro-de-um-refugiado-s%C3%ADrio-1.20644

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized

 

Países com mais refugiados no Brasil: República Democrática do Congo

A República Democrática do Congo (RDC) é um país vasto, com uma natureza rica e exuberante e inúmeros recursos naturais; entre eles, minerais como ouro, diamante e coltan, usado na fabricação de smartphones e tablets. O cenário seria promissor. Mas a riqueza desta terra não foi sua salvação.

Os minerais sob o solo do Congo, especialmente na região Leste, são, há muitos anos, um dos principais motivos pelos quais o país vive em guerra, juntamente com disputas políticas, territoriais e entre etnias diferentes – Hutus e Tutsis.

Já são cerca de 5,5 milhões de mortos desde 1998, e muitas das vítimas não perdem suas vidas em conflitos diretos. Elas padecem de doenças que se alastram na região e pela falta de alimentos.

A guerra civil que assola o país tem dois lados principais. De um deles, o governo da RDC, apoiado pela Angola, Namíbia e Zimbábue. Do outro, grupos rebeldes, que lutam contra o governo e entre si, motivados pela riqueza da terra, que garante aos rebeldes também o apoio internacional de Uganda e Ruanda. Ambos os países se beneficiam com o comércio dos minerais extraídos pelos rebeldes do Congo e, por isso, apoiam e fornecem armamentos para alguns grupos.

Entre os grupos rebeldes mais ativos destacam-se o M23, desertores do exército que, após uma rebelião de cerca de 20 meses, baixaram as armas, derrotados pelo exército congolês, em 2013. Já as Forças Democráticas de Libertação da Ruanda (FDLR) permanecem no Leste da RDC, beneficiando-se da extração ilegal de minerais na região.

Com um governo frágil, a corrupção fortalecida no país e uma riqueza incalculável sob o solo, a República Democrática do Congo segue com poucas perspectivas de melhora. E a população, em busca de melhores recursos, segue buscando abrigo principalmente em países vizinhos.

No Brasil, até outubro de 2014, 784 congoleses estavam em situação de refúgio. É o caso de Odon Mwanzete, que chegou ao país em 2013. Odon, que é formado em direito pela Universidade de Kinshasa, foi obrigado a deixar a família após sofrer perseguições políticas.

Foto tirada em Kinshasa, capital do Congo / Foto: Irene2005/Flickr

De acordo com Odon, as manifestações contra o governo resultam em prisões no seu país de origem. O congolês se lembra das manifestações que aconteceram dia 28 de novembro de 2011 contra o governo, época em que trabalhava como defensor de direitos humanos. “Os partidos de oposição e ONGs de direitos humanos se mobilizaram para impedir, mas a polícia matou muitas pessoas”, relata Odon. “Minha mulher falou para eu me mudar de Kinshasa, pois a polícia havia ido até nossa casa me procurando”, completa. Odon se mudou para Goma, onde sua prima morava. Mas, em dois meses, foi preciso se mudar novamente. “O governo acusou o marido da minha prima de colaborar com os rebeldes do M23 e ele foi preso e torturado”, explica.

Odon e a prima, acompanhada dos filhos, fugiram para a Angola e, de lá, foram trazidos para o Brasil pelo missionário que os acolheu no país. “No dia 13 de abril de 2013 nós chegamos ao Brasil. Mas ele não havia dito qual seria nosso destino. Só quando cheguei ao aeroporto de São Paulo soube que era o Brasil!”, conta.

No Brasil, Odon encontrou dificuldades para revalidar seu diploma e conseguir um bom emprego. Por isso, sofre com os salários baixos e o custo de vida alto, mas não pode voltar ao seu país enquanto o governo atual estiver no poder. Seus planos? Estudar, revalidar o diploma e encontrar ajuda para trazer a família, razão maior de sua saudade da terra natal, para o Brasil.

– See more at: http://www.adus.org.br/2015/03/paises-com-mais-refugiados-no-brasil-republica-democratica-do-congo/#sthash.llbIJUtC.dpuf

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized

 

Mutirão recebe mais de 300 refugiados sírios na zona sul de São Paulo

BRASÍLIA, 26 de março de 2015 (ACNUR) – A Prefeitura de São Paulo, em parceria com a Sociedade Beneficente Muçulmana de Santo Amaro (SOBEM), realizou no último sábado uma ação para atender mais de 300 refugiados sírios e moradores de Cidade Ademar na Mesquita Santo Amaro, zona sul de São Paulo. Coordenado pelo programa São Paulo Carinhosa, o mutirão envolveu diversas secretarias para o atendimento de famílias e crianças em situação de vulnerabilidade social, oferecendo serviços de saúde, direitos humanos, educação e orientações para o trabalho.

“Esta é a segunda experiência que estamos realizando com a ajuda de diversas áreas da Prefeitura que tem uma interface com a imigração. Pelo fato de que nas famílias há muitas crianças, nós estamos tentando contribuir um pouquinho e temos também junto conosco as secretarias de Direitos Humanos, Educação, várias áreas da Saúde, Assistência Social e Trabalho. Então está ação é como um acolhimento para a chegada que eles têm aqui”, afirmou a primeira-dama Ana Estela Haddad, que dirige o programa.

Para o Representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, “ações como o mutirão realizado pela prefeitura paulista em parceria com a SOBEM são muito importantes para a prevenção de doenças entre os refugiados. A colaboração das organizações muçulmanas, governo local e a sociedade civil é de grande importância estratégica”, afirmou Ramirez.

Assim como a primeira ação, realizada em junho do ano passado na Mesquita do Pari, região central, o mutirão realizado em Santo Amaro teve o objetivo de integrar os refugiados junto a sociedade brasileira. Esta atitude cidadã faz com que dezenas de famílias recém-chegadas ao Brasil sintam um pouco mais de conforto nesta acolhida, eliminando as principais dificuldades que encontram.

“Meu marido veio quatro meses antes que eu e mesmo assim tive muita dificuldade, principalmente na comunicação. Muitos conhecidos desembarcam no aeroporto e não conseguem se comunicar, mesmo falando inglês. Hoje eu vim aqui para conhecer melhor os serviços de saúde e aproveitei para colocarmos as nossas vacinas em dia. É muito importante saber que existe um serviço assim”, disse Rania Tameen, enquanto esperava para ser atendida ao lado de seus dois filhos. Rania já se inscreveu para o curso de português oferecido pela comunidade.

Serviços – A parceria com a Secretaria Municipal de Saúde possibilitou que os refugiados fossem cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, durante toda a tarde foram oferecidos exames preventivos, orientações sobre a dengue, teste para diabetes, pressão arterial, avaliação de saúde bucal e vacinação para crianças e adultos.

A Secretaria Municipal de Educação também esteve presente prestando orientações sobre vagas nas escolas municipais de ensino infantil e fundamental (EMEIs e EMEFs). Durante os atendimentos, também foram oferecidos serviços de inclusão social, como o cadastramento no programa Bolsa Família.

“Eu vim aqui para conhecer de perto como está o acolhimento e o atendimento aos imigrantes e refugiados desta guerra civil na Síria, que tem causado tantos problemas. Eles fogem e acabam chegando aqui no Brasil, em especial em São Paulo, onde há a maior comunidade sírio-libanesa. Eles sabem que podem ser acolhidos pelo colégio 24 de Março, pela mesquita mulçumana e pela SOBEM. Por este motivo, a parceria que estamos realizando aqui hoje é fundamental”, afirmou o secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy.

Inclusão no mercado de trabalho – Mesmo com qualificação e ensino superior, muito refugiados encontram dificuldade na hora de conseguir um emprego formal pela inexistência carteiras de trabalho e principalmente pela baixa fluência na língua portuguesa. Por conta disso, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo realizou o cadastramento da comunidade no Centro de Apoio ao Trabalho (CAT).

“Nós temos aqui muitos médicos, engenheiros, arquitetos, então o primeiro problema é resolver a questão da documentação. A partir do momento que você tem a documentação em mãos, nós temos que garantir que hajam carteiras profissionais para que eles sejam inseridos no mercado de trabalho e principalmente, que hajam empresas que ofereçam vagas para esses trabalhadores”, afirmou o secretário Artur Henrique.

Fonte: http://www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/mutirao-recebe-mais-de-300-refugiados-sirios-na-zona-sul-de-sao-paulo/

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized

 

China e Brasil estudam parceria em parques tecnológicos

Representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação reuniram-se com o vice-ministro de Ciência e Tecnologia da China, Cao Jianlin, e sua delegação.

Os dois países têm diversas ações em andamento em ciência, tecnologia e inovação, em setores como nanotecnologia e biologia.

A delegação chinesa expressou interesse em ampliar esta cooperação com o Brasil para abranger os parques tecnológicos, área em que o país asiático tem tradição.

“Hoje, 13% do Produto Interno Bruto [PIB] do país é oriundo dos parques tecnológicos. A China tem usado os parques tecnológicos como importantes instrumentos de desenvolvimento econômico e até social. Eles tratam os parques tecnológicos como ambientes de inovação; são iniciativas mais ampliadas que no Brasil”, disse Álvaro Prata, secretário executivo do MCTI.

Para estreitar o diálogo nessa direção, o MCTI e a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Iniciativas Inovadoras (Anprotec) estão organizando um seminário sino-brasileiro sobre parques tecnológicos, a ser realizado ainda neste ano, no Parque Tecnológico São José dos Campos(SP). “Nós queremos dividir e aprender com a China a experiência de gerenciamento de parques tecnológicos”, afirmou Prata.

Programa espacial

O programa espacial CBers (China-Brazil Earth Resources Satellite, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) também esteve na pauta da reunião ocorrida no MCTI.

Em dezembro de 2014, o CBers-4 foi lançado com sucesso do Centro de Lançamentos Taiyuan, em Pequim – é o quinto exemplar do programa de satélites de sensoriamento remoto desenvolvido por meio da parceria.

Os dois países discutiram ações futuras no âmbito da iniciativa. “O CBers não é apenas um programa bilateral, ele já se tornou uma marca”, ressaltou o presidente da AEB, José Raimundo Coelho.

Iniciado nos anos 1980, o CBers é coordenado pela AEB e desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI) e pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial.

Há também entendimentos no sentido do desenvolvimento de foguetes em parceria com a China.

Fonte: http://www.investe.sp.gov.br/noticia/china-e-brasil-estudam-parceria-em-parques-tecnologicos/

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized

 

Exposição de quadrinistas africanos e brasileiros chega a Campinas

A Biblioteca Municipal “Professor Ernesto Manoel Zink” abriu na última segunda-feira, dia 23 de março, a exposição de quadrinhos “Brasil-África: nações irmãs também nos quadrinhos”. A mostra que traz diversas obras de quadrinistas africanos e brasileiros é organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e fica em cartaz até o dia 23 de abril.

O evento é parte das atividades do Troféu Angelo Agostini, premiação anual da Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas (AQC) de São Paulo, que segue para todo o interior. Foi montada a primeira vez em São Paulo para comemorar Dia do Quadrinho, em 30 de janeiro.

A curadoria é de dois profissionais: o congolês Jérémie Nsingi e o brasileiro Bira Dantas. Na mostra, Nsingi é responsável pelos desenhos africanos e Dantas organizou a ala dos brasileiros.

A maioria dos quadrinhos africanos tem textos em francês. Na mostra estão presentes obras dos profissionais: Pahé (Gabão), Georges Pondy, Youmbi Narcisse, Kangol, Bibi e Joelle Ebongue (Camarões), Gihèn (Tunísia), Benjamin Kouadio Costa do Marfim), Mokdad Amirouche (Argélia), Didier Kasai (República Centro -Africana), Massiré Toukara (Mali), Brahim Rais e Omar Ennaciri ABIME (Marrocos), Sylvestre (Burkina Faso), Popa (Tanzânia), Dwa de Eric (Madagascar) e Al Mata (Congo).

Os brasileiros são Marcelo D’Salete, Flávio Luiz, André Diniz, Pestana, Junião, Pedro  Franz, Marcos Franco, Hélcio Rogério, Alisson Affonso, Eloyr Pacheco, Fernando Damasio, Janio Garcia, ALves, Bira Dantas, Fabiano, Carriero, Julio Cesar Pereira, Evandro Costa, Arlindo Paulistano e Paulo Baptista.

Serviço

“Brasil-África: nações irmãs também nos quadrinhos”

Data: 23 de março a 23 de abril de 2015
Horário: segunda a sexta- feira, das 9h às 17h
Local: Biblioteca Pública Municipal “Professor Ernesto Manoel Zink” – Avenida Benjamin Constant, 1.633, Centro, Campinas
Informações: (19) 2116-0423

Fonte: http://www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=26423

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized

 

Sorocaba sedia campanha nacional chamada “Brasil For África”

Sorocaba sedia nesta quarta-feira (dia 25), às 14h, o lançamento de uma campanha nacional chamada “Brasil For África”, voltada para a arrecadação de materiais escolares destinados às crianças de Togo, na África, além de e instituições sociais de Sorocaba e São Paulo. A campanha é realizada pela Ação On Line, em parceria com o Consulado do Togo, ONG Quilombinho (Sorocaba), Educadores sem Fronteiras (São Paulo) e Comunidade Solidariedade (Togo-África).

O lançamento da campanha acontecerá no auditório da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), à Rua Santa Cruz, 116, no Centro.

Fonte:http://www.gazetadevotorantim.com.br/noticia/12906/.html

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized

 

O debate sobre terrorismo e imigrantes chega ao Brasil

A violência e o rápido avanço do autointitulado Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EI) tem chamado atenção no mundo inteiro desde meados de 2014. Uma das estratégias utilizadas pelo EI que mais preocupam a comunidade internacional é a sua propaganda através de redes sociais. É por meio dessas ferramentas que o grupo vem propagando sua ideologia radical e cooptando jovens de diversos países para engrossar suas fileiras. Estima-se que mais de 2.000 jovens ocidentais já teriam aderido ao grupo.

Recentemente a questão atravessou o oceano, após uma matéria do jornal Estado de São Paulo deste domingo (20) que revelou a preocupação do governo brasileiro com a cooptação de jovens no país. Segundo a matéria publicada, o EI estaria interessado em estender seu espectro de novos militantes, que hoje está concentrado na Europa, para a América do Sul. Nesse contexto, a preocupação do governo brasileiro seria a influência que o Estado Islâmico teria sobre os Sírios que deixaram a zona de conflito e vieram para o Brasil, e a ameaça que isso pode representar para as Olimpíadas de 2016.

A discussão sobre terrorismo e imigrantes é uma constante há muito tempo em países da Europa e nos Estados Unidos, mas no Brasil começa a aparecer como novidade. O tema merece cuidado, pois atinge justamente aqueles que mais sofrem nos conflitos internacionais: quem se vê obrigado a fugir do seu país. O imigrante costuma ser atrelado à ameaça externa, e por mais que o Brasil seja considerado um país miscigenado e orgulhoso de sua “mistura”, não está imune à xenofobia.

O Brasil sempre teve um papel de liderança na proteção internacional de refugiados e é considerado um país acolhedor. Desde 2013 a sua população de refugiados vem crescendo aceleradamente. Até outubro de 2014, segundo o ACNUR (Agência da ONU para refugiados), o total de refugiados reconhecidos no Brasil era de 7.289 (sem contar os mais de 39.000 nacionais haitianos, que receberam vistos por razões humanitárias).

Esse perfil crescente de refúgios concedidos pode ser explicado pela postura solidária do Brasil com as vítimas do conflito sírio, que tiveram a entrada no Brasil facilitada pelo CONARE (Comitê Nacional de Refugiados). Desde 2013, praticamente 100% das solicitações apresentadas por nacionais da Síria foram reconhecidas. E em julho de 2014 os sírios tornaram-se a principal nacionalidade dos refugiados que vivem no Brasil, representando 20% do total de refugiados no país. A lei brasileira de refúgio garante documentos básicos aos esses refugiados, incluindo documento de identificação e de trabalho, além da liberdade de movimento no território nacional e de outros direitos civis.

Entretanto o refugiado também encontra dificuldades para se integrar à sociedade brasileira, em relação à burocracia, à língua, à cultura e ao preconceito. Na medida em que o debate sobre terrorismo surge no Brasil, afeta diretamente os refugiados e os estrangeiros no país.

Segundo Gustavo Pereira, advogado do GAIRE (Grupo de Assessoria a Imigrantes e Refugiados da UFRGS), “aquele que mais sofre na pele a luta contra o terror e o rótulo de ameaça à segurança nacional é a figura abstrata do ‘estrangeiro’”. E não é o estrangeiro turista que, até certo ponto, é bem-vindo, o problema estaria no estrangeiro que busca reconstruir sua vida fora do país natal.

No Rio Grande do Sul, que recebe 17% dos refugiados brasileiros, diversas organizações se preocupam com esses indivíduos. Dentre elas está o GAIRE, um grupo constituído de estudantes e profissionais das áreas de Direito, Relações Internacionais, Psicologia, Letras, Ciências Sociais, Políticas Públicas e Serviço Social, que existe desde 2007, e presta serviços jurídicos e multidisciplinares a imigrantes e refugiados no estado. O Grupo auxilia estrangeiros com a burocracia e em trâmites com o governo em questões que envolvem pedidos de naturalização e de nacionalização, vistos, previdência, casamento, acesso à educação e à saúde, entre outras.

Além da ação direta nas comunidades de refugiados e imigrantes do Rio Grande do Sul, o GAIRE trabalha em conjunto com outros organismos engajados na causa, atuando politicamente por melhores condições para os estrangeiros na integração ao Brasil. O grupo participa de reuniões e encontros acadêmicos e governamentais sobre o assunto, atentando tanto para a legislação sobre migrações como para a adaptação sociocultural dos novos residentes.

Fonte: http://www.sul21.com.br/jornal/o-debate-sobre-terrorismo-e-imigrantes-chega-ao-brasil/

 
Deixe um comentário

Publicado por em 27/03/2015 em Uncategorized