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Arquivo mensal: abril 2014

Fórum discute relações Brasil-Tunísia

Encontro ocorrerá no dia 06 de maio na Fiesp e terá lideranças e empresários dos dois países. Ministro tunisiano da Indústria, Minas e Energia estará presente.



São Paulo – As relações econômicas do Brasil e da Tunísia serão tema de um fórum que vai acontecer no dia 06 de maio na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. O ministro da Indústria, Minas e Energia da Tunísia, Kamel Ben Naceur, estará no encontro acompanhado de uma delegação de empresários da nação árabe. O ministro também vai participar do relançamento do Conselho Empresarial Brasil-Tunísia, na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, um dia antes do encontro na Fiesp.

No Fórum “Parceria Tunísia-Brasil: Oportunidades a abraçar” serão abordadas as oportunidades de cooperação econômica, negócios e investimentos entre os dois países. Falarão lideranças do setor empresarial tunisiano e brasileiro, além do próprio ministro. O relançamento do Conselho Empresarial será um dos temas do encontro. Ele foi criado em 2002 e reúne representantes de setor empresarial das duas nações. Com o relançamento, o grupo passará a ter representação de novos setores, como o de turismo, médico e farmacêutico.

O embaixador da Tunísia em Brasília, Sabri Bachtobji, afirma que a Tunísia tem atualmente um clima favorável para parcerias, já que possui uma nova constituição, além de um novo governo. Segundo o diplomata, o país quer estabelecer cooperação com nações da região Sul (países em desenvolvimento) como o Brasil e não apenas com a Europa e o mundo árabe. “Temos uma amizade tradicional com o Brasil”, afirma Bachtobji, lembrando que, no entanto, é preciso impulsionar a cooperação entre as duas regiões com projetos concretos.

O fórum será uma oportunidade para troca de informações entre empresários e lideranças da Tunísia e do Brasil. “Quando se conhecem mais, os operadores econômicos têm toda inteligência e experiência para ver onde há oportunidades para fazer negócios”, afirmou Bachtobji à ANBA. “Queremos criar uma nova sinergia para encorajar a cooperação”.

A Tunísia também tem um novo código para investimentos estrangeiros, o que deve incentivar o interesse internacional pelo país. As vantagens de investir no país árabe serão apresentadas no Fórum da Fiesp. No encontro, os brasileiros serão convidados a participar do Fórum de Investimentos da Tunísia, que ocorrerá em 12 e 13 de junho deste ano, em Túnis.

A ideia do Fórum surgiu durante uma visita do embaixador Bachtobji à Câmara Árabe e à Fiesp no ano passado. A data foi escolhida para aproveitar a oportunidade da Apas, feira do setor de alimentação que ocorre de 05 a 08 de maio em São Paulo.

Os empresários que integrarão a delegação tunisiana também devem participar da feira, que terá estande organizado pela Câmara Árabe. A delegação terá aproximadamente 10 pessoas. Também integrarão o grupo representantes da União Tunisiana da Indústria, do Comércio e do Artesanato (Utica) e da Agência de Promoção de Investimentos Estrangeiros (Fipa).

Fonte: http://www.anba.com.br/noticia/21863539/oportunidades-de-negocios/forum-discute-relacoes-brasil-tunisia/

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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias

 

Festival no Sesc Pompeia reúne a música e a dança dos Bálcãs

Entre os dias 23 de abril e 7 de maio, a Península Balcânica desembarca em São Paulo. O Sesc Pompeia proporciona uma viagem pela Bulgária, Grécia, Macedônia, Turquia, Romênia, entre outros países que fazem parte da região dosBálcãs durante o Festival de Música e Dança dos Bálcãs, que reúne nomes nacionais e internacionais em shows, performances, encontros e workshops, abordando as tradições culturais. Algumas atrações têm entrada Catraca Livre, enquanto outras têm ingressos a até R$ 20.

Com curadoria de Betty Gervitz, o festival começa com a apresentação do Mawaca. No dia 23, o grupo que pesquisa e interpreta músicas de diversas culturas apresenta o show do álbum “Inquilinos do Mundo”, com melodias e ritmos de povos nômades, refugiados, exilados e ciganos de todo o mundo.

Além disso, participa da programação a banda Bálkãn Neo, liderada pelo músico búlgaro Martin Lazarov, que toca uma fusão original dos ritmos tradicionais do Leste Europeu com a música instrumental brasileira. Um encontro musical entre o grupo Methorios, que interpreta músicas da Grécia utilizando instrumentos tradicionais, e a brass band norte-americana Zlatne Uste, também é destaque entre as atrações.

Confira a programação completa do festival no site.

 
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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias

 

Ministro sudanês conhecerá mineração brasileira

Ahmed El Karori, ministro da Mineração do país árabe, participa de simpósio do setor em Ouro Preto, em maio. Ele também terá agenda em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

Aurea Santos

 São Paulo – O ministro da Mineração do Sudão, Ahmed El Karori, estará na Brasil de 12 a 16 de maio para conhecer melhor as tecnologias do setor no País. Ele irá participar do 6º Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral, que acontece em Ouro Preto, Minas Gerais, e também terá agenda em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

“Ele quer conhecer a vasta experiência do Brasil em mineração e tentar institucionalizar uma cooperação. Ele deseja saber mais sobre a tecnologia brasileira e também sobre serviços e consultorias na área”, explica Abd Elghani Elkarim, embaixador do Sudão em Brasília.

Elkarim conta que, depois da divisão territorial do Sudão, na qual seu país perdeu importantes fontes de petróleo, a mineração se tornou prioridade para a economia local. “No ano passado, exportamos US$ 2,5 bilhões em ouro”, destaca. Ele ressalta que, mesmo com a separação em dois países, o Sudão ainda é o terceiro maior país africano em extensão. “E este território inclui muitos minérios”, aponta.

Além do simpósio, El Karori fará visita ao Ministério das Minas e Energia (MME), na capital federal. Os demais compromissos da agenda do ministro ainda estão sendo programados pelo MME e pelo Itamaraty. “Ele quer convidar empresas brasileiras para conhecerem o potencial de mineração do Sudão, e não só as empresas de exploração, mas também as de serviços, consultoria e área técnica”, adianta Elkarim.

Segundo dados do Ministério da Mineração do Sudão, o setor ainda não é muito desenvolvido por lá e sua contribuição para a economia do país não ultrapassa 4%. Apesar disso, a pasta informa que tem se obtido resultados estimulantes na exploração mineral e que diversas empresas locais e estrangeiras têm trabalhado no país.

Atualmente, os únicos produtos do setor no Sudão são ouro (associado a outros minerais), minérios de crômio, gipsita, sais e materiais para construção, principalmente matérias-primas para cimento, além de pequenas quantidades de fluoreto e manganês.

Fonte: http://www.achixclip.com.br/noticia/25365241/diplomacia/ministro-sudanes-conhecera-mineracao-brasileira/

 
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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias

 

Acre ‘deporta’ para São Paulo 400 refugiados do Haiti

SÃO PAULO – Cerca de 400 refugiados do Haiti chegaram a São Paulo nos últimos 15 dias, sem ter local adequado para ficar. Eles estavam, principalmente, em um abrigo de Brasileia, cidade de 22 mil habitantes no sul do Acre, que teve de ser fechado por falta de condições. Agora, estão na Casa do Migrante, local apoiado pela Pastoral do Migrante da Igreja Católica, no Glicério, região central da cidade, onde não há condições para receber tanta gente.

Viagem foi feita com avião da Força Aérea - LUCIANO PONTES/SECOM AC–14/4/2014
LUCIANO PONTES/SECOM AC–14/4/2014
Viagem foi feita com avião da Força Aérea

A vinda dos refugiados causou indignação na Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo. A titular da pasta, Eloisa de Souza Arruda, acusa seu colega Nilson Mourão, secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos do Acre, de ser “desleal” por não tê-la procurado antes de financiar a viagem dos refugiados. Mourão, por sua vez, diz que a secretária precisa “se informar melhor” sobre a situação.

A maior parte dos haitianos que vieram para a capital paulista foi abrigada na casa de amigos e parentes que já estavam na capital. Entretanto, cerca de cem deles estão na pastoral.

O padre Antenor Dalla Vecchia, que atua na pastoral, afirma que os refugiados estão em situação precária. “Eles estão dormindo em nosso galpão, que obviamente não foi projetado como moradia.” Afirma, no entanto, que todos têm recebido alimentação e cuidados adequados. “Eles saem durante o dia, tentam arrumar emprego e moradia, mas voltam para dormir”, diz o padre.

Desde 2010, o Acre já recebeu cerca de 20 mil haitianos, que estavam sendo transportados pelo governo do Estado para onde eles pediram para ir. O fluxo, porém, parou com a cheia do Rio Madeira, que isolou o Estado. Isso superlotou Brasileia e o abrigo foi transferido para Rio Branco. A viagem para outros Estados só ocorreu por meio de caronas em aviões cargueiros que abasteceram o Acre durante a crise e voltavam vazios.

Crise. “Esse secretário Nilson Mourão não procurou seu equivalente em São Paulo, que, por acaso sou eu, para providenciar os cuidados adequados. Procurou o padre da pastoral e avisou que ‘alguns’ haitianos chegariam aqui. Chegaram 400”, afirma Eloisa.

Ela se queixa de o Acre ter financiado a viagem, usando a Força Aérea Brasileira (FAB) e diz que os haitianos estão sem carteira de trabalho. “Isso os expõe ao tráfico de pessoas e ao tráfico de drogas”, diz a secretária paulista.

Embora reconheça que o colega acriano não tenha cometido nenhuma ilegalidade, ela afirma que, “nos padrões internacionais, isso poderia ser classificado como deportação forçada”, ao descrever o transporte, com ônibus urbanos de Rondônia de lá até aqui.

A secretária deve visitar nesta quinta-feira, 24, o abrigo do Glicério e diz que a primeira providência foi contatar o Ministério Público do Trabalho para acelerar a obtenção de carteira de trabalho. Em seguida, pretende cobrar da Prefeitura o fornecimento de abrigos adequados. O prefeito Fernando Haddad (PT) disse ontem que apura a situação e que a cidade ajudará como puder.

“Acho que pode haver um viés político (o governador do Acre é do PT) ao tentar transformar um problema humanitário, de tão fácil solução para o Estado mais rico da federação, em uma crise”, disse o secretário acriano.

“O que a secretária precisa entender é que o Acre não é o destino deles. Eles preferem ir para Mato Grosso, São Paulo e Rio Grande do Sul e nós ajudamos. É o digno”, afirmou Mourão.

 

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,acre-deporta-para-sao-paulo-400-refugiados-do-haiti,1157704,0.htm

 
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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias

 

Propostas de emprego mobilizam haitianos em pátio de igreja em SP

Padres reclamam de falta de apoio de órgãos públicos.
Grupo veio do Acre após estado sofrer com cheia do Rio Madeira.

A oferta de emprego para a auxiliar de enfermagem haitiana Marie-Claudine Pierre, de 41 anos, é um sinal de esperança para uma numerosa comunidade de haitianos que chegou a São Paulo nas últimas duas semanas. Entretanto, dezenas  ainda esperam por uma oportunidade de trabalho em frente à Paróquia Nossa Senhora da Paz, no Centro de São Paulo.

Na manhã desta quarta-feira (23), Marie-Claudine não escondia o sorriso após o convite de um casal de brasileiros. “Estou muito contente. Foi mais rápido do que eu imaginava”, disse. No Haiti, ela trabalhava em um hospital, mas a situação financeira do país, que já não era muito boa, tornou-se ainda mais difícil depois do terremoto de 2010. Ela deixou o país e chegou a morar dois anos e meio em Santo Domingo, na República Dominicana. “Eu deixei dois filhos, de 17 e de 14 anos, no Haiti. Meu sonho é juntar dinheiro e trazê-los cá”, afirmou.

Após cerca de dois meses no Brasil, ela vai trabalhar na casa do advogado Carlos Duarte, de 70 anos, no Jardim da Saúde, na Zona Sul da capital paulista. “Soube há alguns dias que esses ônibus com haitianos estavam chegando aqui. Como os brasileiros não estão querendo trabalhar, eu decidi vir aqui. Como ela fala castelhano, o que facilita a nossa vida”, contou.

A mulher dele, Natalina Ferreira, disse que está disposta a ajudar na adaptação da nova empregada. “A gente sabe que ela vai sentir saudades de casa. Estou consciente que vamos ter que ensinar a fazer algumas coisas, que ela não vai gostar de algumas comidas, mas a gente se adapta”, disse. O casal vai separar um quarto com banheiro para alojá-la.

Haitianos vindos do Acre são acolhidos na Paroquia Nossa Senhora da Paz, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)Mickeline mostra fotos dos filhos (Foto: Flavio Moraes/G1)

Com um olhar triste, Mickeline Pierre, de 23 anos, aguardava nesta manhã uma proposta de trabalho. Na bolsa, ela guarda as fotos dos quatro filhos pequenos, que ficaram com os avós. “Dois têm três anos e dois, quatro”, conta enquanto os novos colegas apreciam os retratos dos gêmeos. Tendo apenas um diploma primário, ela se diz disposta a trabalhar como doméstica, dama de companhia ou em um restaurante. Perguntada se estava arrependida de deixar o Haiti, ela diz que não tinha mais condições de ficar lá. “Sinto muito a falta deles. Até agora não tive condições de ligar para a minha família”, afirma a haitiana que chegou em 23 de janeiro.

Como muitos dos outros haitianos hospedados de maneira improvisada na igreja, sede da Missão Paz, em São Paulo, ela entrou no país pelo Acre. Devido à calamidade provocada pelas cheias do Rio Madeira, a permanência dos imigrantes no estado tornou-se inviável. Por isso, o governo do estado organizou a retirada dos haitianos, que foram levados em aviões até Porto Velho, em Rondônia. De lá, partiram em ônibus para várias regiões do Brasil. Cidades do sul do país estão entre os destinos mais procurados pelos imigrantes.

A economia é ciência que me encanta. Gostaria de fazer uma pós-graduação em finanças públicas ou em política econômica. Quero voltar e ajudar na reconstrução do meu país. Eu deixei lá minha família e a minha noiva, que está me esperando”
Bien Aimé Dertilus,
de 29 anos, economista

Cada proposta de emprego que os padres apresentam ao grupo mobiliza dezenas de imigrantes. Eles escutam a descrição atentamente e entregam o passaporte para demonstrar o interesse. Ricardo Assainth, 18 anos, tenta organizar os colegas, traduzir as informações e reunir os documentos dos interessados nas vagas. Nesta manhã, eles tinham 15 oportunidades de emprego, sendo duas de porteiro. Quando questionado, com o que quer trabalhar, ele afirma: “Eu fiz curso de computação. Se eu encontrasse algo nessa área… Também poderia trabalhar em um restaurante”, afirma.

O economista Bien Aimé Dertilus, de 29 anos, que se comunica em francês, criolo ou inglês, ainda não domina o português, mas não teme o desafio de aprender a língua rapidamente. “Em três meses, isso estará resolvido”, estima. Incialmente, ele aceita desempenhar qualquer função, mas a longo prazo tem sonhos mais ousados. “A economia é ciência que me encanta. Gostaria de fazer uma pós-graduação em finanças públicas ou em política econômica. Quero voltar e ajudar na reconstrução do meu país. Eu deixei lá minha família e a minha noiva, que está me esperando”, diz.

O fotógrafo L´Occident Benito, de 19 anos, que também já morou na República Dominicana, enquanto sonha em trabalhar na sua área. “No momento, eu aceito qualquer proposta de trabalho, mas gostaria de trabalhar como fotógrafo, que é o que me faz feliz.”

Do poder público, não recebemos ajuda, mas da comunidade civil já tivemos várias manifestações de solidariedade”
Antenor Della Vecchia, padre

Igreja aponta falta de apoio
O Ministério da Justiça afirmou, em nota, que “mais de R$ 4,2 milhões foram repassados para os serviços de assistência”, além de R$ 1,3 milhão para os serviços de saúde que auxiliam os imigrantes.

O padre Antenor Della Vecchia, porém, diz que a comunidade por onde já passaram mais de 500 pessoas nas últimas duas semanas não recebeu nenhum auxílio da administração pública.

“Do poder público, não recebemos ajuda, mas da comunidade civil já tivemos várias manifestações de solidariedade”, afirmou. A comunidade haitiana já estabelecida no Centro já organizou um almoço no domingo (20). Na terça-feira (21), uma sopa foi dada aos imigrantes, mas nesta quarta-feira (23) por volta do meio dia o padre sentia falta de marmitas para distribuir.

A pasta foi procurada pelo G1 a respeito da situação enfrentada pela paróquia, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

Para o padre, é importante é que a administração pública pense na criação de uma casa para acolher os imigrantes. “É preciso criar em médio prazo um espaço para acolher os imigrantes, porque eles têm necessidades específicas como aprender a língua, conhecer a cultura, entender as questões trabalhistas. Eles precisam de orientações muito específicas. Entendo que a criação desse espaço exige decisões políticas, que levam tempo. Mas existe a necessidade de se tomar uma atitude para acolhê-los agora, porque eles já estão aí”, afirmou. O padre também alerta para a necessidade de agilizar a emissão das carteiras de trabalho. “Eles estão dispostos a trabalhar. Têm muitos sonhos e vontades. O que falta é a oportunidade.”

Haitianos vindos do Acre são acolhidos na Paroquia Nossa Senhora da Paz, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)Haitianos vindos do Acre são acolhidos na Paroquia Nossa Senhora da Paz, em São Paulo (Foto: Flavio Moraes/G1)Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/04/propostas-de-emprego-mobilizam-haitianos-em-patio-de-igreja-em-sp.html

 
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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias

 

Após se refugiar no Brasil, congolês sonha em ser astro do basquete

Jovem de 18 anos aguarda que seu status seja aprovado por comitê.
Acostumado a comer carne de cães e gatos, ele fala da difícil adaptação.

O congolês Al, de 18 anos, chora até hoje ao se lembrar do dia em que uma tragédia na família o fez deixar sua cidade natal, Goma, no leste da República Democrática do Congo. Morador de uma área de conflito, ele diz que a irmã foi estuprada por integrantes das forças armadas de Ruanda, país vizinho que cobiça a região de Goma por sua riqueza mineral.

Segundo Al (cujo nome verdadeiro não será divulgado por questões de segurança), o crime foi apenas um dos cometidos pelos algozes naquele dia. “Quando eles não encontravam coisas para roubar, faziam todo tipo de maldade. Sempre aconteceu isso. Se eu estivesse na casa, eles me pegariam para lutar. Se eu recusasse, seria morto.”

O medo de novos ataques e a instabilidade política no Congo, que há anos passa por uma crise humanitária causada por embates entre governo e opositores do presidente Joseph Kaliba, fizeram com que Al, a irmã, o marido dela e o cunhado decidissem sair de vez do país.

Em maio de 2013, a família procurou um campo da Organização das Nações Unidas (ONU) e pediu ajuda para sair de Goma. Após passar pela capital, Kinshasa, conseguiu auxílio de um conhecido de um amigo para fugir do Congo. Os quatro embarcaram em um navio em 5 de maio do ano passado, com destino incerto.

Há nove meses no Brasil, o jovem vive em São Paulo, onde trabalha, joga basquete e aguarda a aprovação do pedido de refúgio feito ao Comitê Nacional de Refugiados (Conare). Al deve se juntar aos outros 617 congoleses reconhecidos como refugiados no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça. Os estrangeiros desse país africano já formam o terceiro maior grupo de refugiados em território nacional (veja o mapa com todas as nacionalidades).

Nova vida
Em entrevista ao G1 na sede da Cáritas (organização da sociedade civil que ajuda refugiados) emSão Paulo, o jovem de 1,98 metro sorri ao projetar seu futuro, apesar de a lembrança da violência sofrida pela irmã assombrá-lo constantemente.

Feliz com o novo emprego em uma lanchonete na Zona Sul da capital paulista, Al também comemora o fato de ter passado em uma “peneira” para jogar como pivô em um time de basquete no interior do estado. “Uma vez sonhei que serei uma estrela do basquete, da NBA [a liga norte-americana].”

Sinto falta da minha avó e dos meus amigos. Mas nunca mais quero voltar. Sei que nada vai mudar lá. Essa guerra vai continuar para sempre.”
Al, 18 anos,
congolês que solicita refúgio no Brasil

Tímido e falando pausadamente em português com sotaque francês, Al lembra da longa viagem entre o porto de Boma, cidade litorânea do Congo, até o Brasil. Ele e os três parentes foram colocados de forma clandestina no porão de um navio cargueiro. “Davam para a gente bolacha e água. Não deixavam a gente subir [para o convés].” O trajeto durou dois meses. Além da alimentação e higiene precárias, o jovem sofria pela falta de informações. “Não tinha ideia para onde iria. Fiquei com medo.”

Há cerca de nove meses, o navio atracou no Porto de Santos, no litoral paulista. Sem entender a língua falada nem saber onde estava, Al seguiu orientação de um colega do responsável por colocá-lo na embarcação e pegou um ônibus que o deixou na capital. “Só fui descobrir em que país estava quando me enviaram para um albergue. Eu nunca tinha ouvido falar do Brasil”, conta. “Não escolhi vir para cá. Deus é que permitiu que isso acontecesse.”

A adaptação do congolês não foi fácil. Além de aprender uma nova língua (com ajuda de dicionários francês-português que comprou), Al teve de se adaptar a uma cultura diferente, com costumes distintos – principalmente à mesa. Habituado a se alimentar da carne de cães e gatos, o jovem estranhou o fato de os animais aqui serem exclusivamente domésticos. Questionado sobre o sabor da comida brasileira, ele responde, sem jeito: “Não gostei”.

Uma das primeiras experiências desagradáveis que Al teve em São Paulo foi causada por um churrasco grego. “Vi aquela carne sendo cortada e achei que era bom. Quando soube que, por R$ 3, além da comida eu podia beber quanto suco quisesse, aproveitei.” Em um espaço de poucos minutos, o rapaz, esfomeado, comeu dois pães e bebeu litros do líquido colorido. “Em seguida, peguei um ônibus e vomitei muito. Depois, no albergue, passei muito mal. Tive de tomar remédios. Prometi que não ia comer mais nada na rua.”

Congolês diz que a comida brasileira não o agrada, mas está feliz no país (Foto: Caio Kenji/G1)
Congolês diz que a comida brasileira não o agrada,
mas que está feliz no país (Foto: Caio Kenji/G1)

O jovem precisou encarar, ainda, o tamanho gigantesco da cidade – no início, sofreu por ter ficado em um abrigo distante daquele para o qual a irmã foi enviada – e a burocracia – para abrir uma conta em um banco, teve de enfrentar dezenas de filas em vários dias –, entre outros percalços.

De positivo no Brasil, o africano considera os sistemas de educação e hospitais públicos. “Lá no Congo, as pessoas devem ter dinheiro para estudar e ir ao médico. Muita gente morria por não ter dinheiro para ir a um hospital.”

Ele diz que, nos próximos meses, pretende conciliar sua rotina de trabalho e treinos com os estudos. O plano é começar uma faculdade de engenharia elétrica. “Não entendo como aqui, no Brasil, há escola e as pessoas não querem estudar.”

Atualmente, Al mora com a irmã e o cunhado em uma casa na Zona Oeste de São Paulo. Todos estão empregados e buscam se fixar no Brasil como refugiados. Questionado se sente falta de algo do Congo, ele cita a avó e os amigos. “Mas nunca mais quero voltar. Sei que nada vai mudar lá. Essa guerra vai continuar para sempre.”

Jovens congoleses
Nos últimos anos, jovens congoleses passaram a receber atenção especial de órgãos que atuam com refugiados. “Percebemos que menores desacompanhados vindos de muito longe, principalmente do Congo, passaram a chegar ao Brasil. Não era um perfil que estávamos acostumados”, diz a advogada Larissa Leite, da Cáritas. “Essa questão dos menores tem nos levado a procurar novos programas [para atendê-los].”

Só fui descobrir em que país estava quando me enviaram para um albergue. Eu nunca tinha ouvido falar do Brasil. Não escolhi vir para cá. Deus é que permitiu que isso acontecesse.”
Al, 18 anos

O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, afirma que os jovens congoleses são um dos focos do progama de reassentamento brasileiro, no qual são recebidos estrangeiros que conseguiram o refúgio em um país e, por alguma circunstância, precisam ir para um terceiro lugar. Atualmente, esse convênio é feito quase que na totalidade com países latino-americanos, mas o projeto está em processo de ampliação.

O represente do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Andrés Ramirez, diz que os jovens congoleses foram escolhidos pois têm todas as condições de se integrar ao nosso país. “A língua francesa, que é uma língua românica, não é tão diferente do português. Além disso, por serem jovens, eles têm mais facilidade para obter um emprego e se adaptar a uma cultura nova”, destaca.

“Está sendo feito agora esse trabalho para que não ocorram problemas como os já registrados com os palestinos, que chegaram há alguns anos e tiveram muita dificuldade para se integrar à sociedade brasileira. Trata-se de um processo complexo, não apenas em nível legal, mas também econômico, social e cultural”, conclui Ramirez.

Al sonha em ser jogador de basquete (Foto: Caio Kenji/G1)Congolês Al, de 18 anos, sonha em ser jogador de basquete (Foto: Caio Kenji/G1)

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/04/apos-se-refugiar-no-brasil-congoles-sonha-em-ser-astro-do-basquete.html

 
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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias

 

Brasil tem hoje 5,2 mil refugiados de 79 nacionalidades

Colombianos e angolanos são quase metade; mapa revela origem de todos.
Pedidos de refúgio têm crescido exponencialmente nos últimos anos.

Os números revelam que os pedidos de refúgio no país têm crescido exponencialmente ao longo dos anos. Em 2013, foram 5.256, ante 566 em 2010. As solicitações aceitas também aumentaram: de 126, em 2010, para 649 no ano passado.

Para o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, o aumento é decorrente exclusivamente das condições internacionais. “Isso acontece devido ao agravamento da crise no Oriente Médio e dos conflitos nos países africanos e também no nosso continente”, diz.

O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Andrés Ramirez, concorda que o acirramento de conflitos, como a guerra civil na Síria, é fator fundamental para esse fluxo, mas ressalta também uma presença maior do Brasil no cenário internacional. “As solicitações aumentaram no mundo todo. Além das crises humanitárias antigas, como a do Iraque e a do Afeganistão, em 2011 houve a Primavera Árabe. Problemas na Costa do Marfim, no Mali, na Somália e no Sudão do Sul também foram registrados”, afirma.

O refúgio é um direito de estrangeiros garantido por uma convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1951 e ratificada por lei no Brasil em 1997. Segundo o Ministério da Justiça, o refúgio pode ser solicitado por “qualquer estrangeiro que possua fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, opinião pública, nacionalidade ou por pertencer a grupo social específico e também por aqueles que tenham sido obrigados a deixar seu país de origem devido a uma grave e generalizada violação de direitos humanos”. Com esse status, as pessoas passam a ter os mesmos direitos dos habitantes do país.

As entrevistas com os estrangeiros são feitas por técnicos, que fazem um relatório atestando ou não sua elegibilidade. A decisão final é tomada em reunião plenária do Conare. Em 2013, pela primeira vez o número de solicitações aprovadas foi maior que o de negadas – 649 contra 636.

Nacionalidades
Atualmente, há refugiados de 79 nacionalidades vivendo no Brasil. O maior grupo é formado por colombianos: 1.154 no total. Desses, 360 são reassentados, isto é, estrangeiros que conseguiram refúgio em um país e, por alguma circunstância, precisaram migrar para um terceiro.

Alunos na aula de português (Foto: Gabriel Chaim/G1)Refugiados sírios fazem aula de português em
São Paulo (Foto: Gabriel Chaim/G1)

O Brasil é uma das poucas nações que participam do programa de reassentamento do Acnur. Segundo o Ministério da Justiça, no caso dos colombianos, o objetivo é cooperar com o Equador na busca por uma solução para os mais de 55 mil colombianos refugiados naquele país. O compromisso de ajuda foi assumido pelo Brasil diante de organismos internacionais.

O representante do Acnur afirma que houve mudanças importantes na Colômbia recentemente, com o reconhecimento por parte do governo da responsabilidade em crimes cometidos nos últimos 50 anos de conflito, a reparação das vítimas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a restituição de terras. “O início do diálogo de paz é importante, mas os colombianos continuam deixando o país porque não têm confiança de que o processo vai dar certo. Há muito ceticismo e a maioria acha que a situação não vai mudar radicalmente”, diz Ramirez.

1.154
é o total de colombianos refugiados,
o maior grupo
no país

Segundo ele, um acordo firmado entre países do Mercosul possibilita que colombianos – e também argentinos, paraguaios, uruguaios, chilenos e peruanos – solicitem residência permanente no Brasil. Por essa razão, muitos optam por não pedir o refúgio, já que existe essa possibilidade.

Os angolanos aparecem na segunda posição do ranking de refugiados no Brasil, com 1.062 pessoas. Esse número, no entanto, deve diminuir gradativamente, pois houve um pedido do Acnur para que fosse cessada a condição de refugiados aos habitantes que deixaram o país africano durante a guerra civil (que durou quase três décadas e foi encerrada em 2002), em razão de a situação já ter sido estabilizada. O processo ainda está em curso.

“Como medida complementar, foi oferecida a possibilidade de eles continuarem no território nacional como residentes permanentes, por cumprirem todos os requisitos legais. Isso foi feito para que aqueles indivíduos que possuíam suficiente integração cultural e econômica por longos anos pudessem receber uma solução duradoura. E foi dada a oportunidade para os que tinham interesse em voltar fazerem isso, a partir do exercício de sua própria autonomia”, afirma o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.

Soldados da ONU patrulham a cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo. O prefeito da cidade impôs um toque de recolher para moto-táxis um dia depois de um ataque que matou um e deixou 22 feridos. (Foto: Junior D.Kannah/AFP)Soldados da ONU patrulham a cidade de Goma,
no leste da República Democrática do Congo, após
ataque com um morto e vários feridos, em 2012
(Foto: Junior D.Kannah/Arquivo AFP)

No caso de novas solicitações de angolanos, Abrão diz que o Conare faz uma análise “criteriosa e individualizada” para identificar se há um fundado temor de perseguição particular.

O terceiro maior grupo de refugiados no Brasil é formado por congoleses, que ainda convivem com uma crise humanitária em consequência de embates entre governo e opositores do presidente Joseph Kaliba. Ao todo, são 617 indivíduos com esse status reconhecido em território nacional.

Já os sírios ocupam a quarta posição do ranking. Dos 333 refugiados, 284 conseguiram o status no ano passado, após uma escalada da violência no país árabe, que registra em três anos mais de 150 mil mortos nos conflitos entre rebeldes e forças do regime do presidente Bashar al-Assad.

Pedidos
Do total de pedidos de refúgio feitos ao Brasil no ano passado, 2.242 (43%) foram de africanos. Outras 2.039 solicitações (39%) partiram de asiáticos. A maioria ainda não foi analisada.

Bangladesh lidera a lista de nacionalidades com o maior número de pedidos de refúgio em 2013, com 1.837. Apenas uma pessoa proveniente do país, no entanto, teve a condição reconhecida no ano passado. O Senegal aparece logo atrás, com 961 pedidos, sendo que apenas quatro habitantes conseguiram o status em 2013.

No sábado (11), 11 bengaleses foram encontrados com documentação ilegal no noroeste do Paraná (Foto: Polícia Rodoviária Estadual/Divulgação)Bengalis sem documentação no Paraná; esses
estrangeiros são líderes em pedidos de refúgio,
mas a maioria não se enquadra no status
(Foto: Polícia Rodoviária Estadual/Divulgação)

De acordo com o secretário nacional de Justiça, a maioria dos bengalis e senegaleses entra no Brasil por razões econômicas, que não se enquadram no refúgio. “Eles têm utilizado o expediente do refúgio porque têm encontrado excesso de burocracia na solicitação de visto prévio como imigrantes comuns. Quando é feita essa solicitação de refúgio, as convenções internacionais estabelecem que é preciso conceder a autorização provisória de permanência. Isso porque há um princípio da proteção imediata, até o julgamento do mérito”, explica Abrão.

Apesar de a entrada de haitianos ter triplicado na fronteira, eles também não são reconhecidos, em sua maioria, como refugiados. Para eles, há um visto especial humanitário, que permite que os habitantes do país, assolado por um terremoto em 2010, permaneçam no Brasil.

Entre as cidades do país que mais receberam pedidos de refúgio em 2013, São Paulo é a campeã, com 1.092 solicitações. Brasília recebeu 745, Guaíra (PR) – na fronteira com o Paraguai – teve 487 e Epitaciolândia (AC) – na fronteira da Bolívia e também perto do Peru –, 367.

Entre os estados, São Paulo também lidera, com 1.204 pedidos. O Paraná é o segundo com mais solicitações: 1.088.

Comparações
Apesar do aumento de concessões de refúgio no Brasil, o número de estrangeiros reconhecidos ainda é pequeno se comparado ao de outros países.

O Paquistão, que tem atualmente a maior população de refugiados do mundo, abriga cerca de 1,6 milhão de estrangeiros. E, no Líbano, quase um quarto da população é formada por refugiados sírios (1 milhão dos 4,4 milhões de habitantes).

Fonte: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/brasil-tem-hoje-52-mil-refugiados-de-79-nacionalidades-diferentes.html

 
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Publicado por em 24/04/2014 em Notícias