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Arquivo mensal: setembro 2013

Nova entrevista com Amer Masarani, da comunidade síria no Brasil

Membro da Coordenação da Revolução Síria no Brasil, grupo no Facebook que defende a queda do presidente sírio, Bashar al-Assad, o comerciante Amer Masarani concedeu entrevista a este blog há um ano. Novamente ele fala sobre a questão atual da Síria. Confira abaixo:

O ACNUR informou que desde o início da guerra civil, em 2011, mais de 2 milhões de cidadãos fugiram do país, metade deles crianças. A vinda de refugiados sírios para o Brasil até alguns meses atrás era pequena, esse quadro mudou? Você tem números atualizados e principais localidades que estão se deslocando aqui no Brasil?

 Não só o ACNUR como todo mundo está minimizando os números tanto de refugiados como dos mortos e ninguém esta falando dos prisioneiros e desaparecidos. Só na semana passada saíram 91 mil refugiados da Jordânia e o numero dos refugiados neste país ainda passa de 1 milhão e 200 mil; na Turquia tem a mesma quantidade de refugiados e no Líbano também apesar que o governo do Líbano não considera os sírios como refugiados, por isso não são contabilizados pela ONU. São 900 mil refugiados no Líbano.
Tem havido apoio do governo brasileiro no tratamento do tema? Ainda há dificuldades para se conseguir vistos para o país e na chegada dessas pessoas no Brasil?
Dados atualizados dos refugiados no Brasil eu não tenho hoje, mas o governo não está apoiando em nada. Há um boato que o governo brasileiro vai diminuir as exigências para os sírios para ganharem o visto mais rápido.
Os refugiados que conseguem chegar ao Brasil contam com algum tipo de apoio local? Em que sentido? Essa rede de apoio é formada pela comunidade síria ou também por brasileiros, ONGs, sociedade civil?
Os refugiados que chegam ao Brasil têm apoio da Caritas no parte da documentação. E da União Islâmica, Liga da Juventude Islâmica, Coordenação da Revolução Síria no Brasil e civis brasileiros. Todos ajudam em achar emprego, moradia, sextas básicas, remédios etc.
Alguns noticiários internacionais têm apontado que a guerra civil na Síria tem tomado contornos de um conflito entre diferentes orientações religiosas. Você acredita nisso? Isso faz alguma diferença em relação aos refugiados que têm vindo para o país e sua recepção aqui?

O problema na Síria não e civil ou religioso. As imprensas estatais do país estão tentando aplicar isso e divulgar estas imagens, mas a guerra na Síria é uma guerra do povo contra ditador. Tem muitos guerreiros cristãos lutando contra o ditador e ate alauitas.Aqui no Brasil da mesma foram tratados os Sírios em geral.

Há expectativa de que uma eventual intervenção dos EUA e a queda do governo possa trazer fim ao conflito e retorno dos refugiados? O que acha das manifestações que estão sendo convocadas contra a intervenção dos EUA na Síria?

Intervenção dos Estados Unudos do jeito que Obama falou, em castigar o regime só por causa das armas químicas, isso não aceitamos. Queremos intervenção da ONU para

1-      Intervenção humanitária em primeiro grau.

2-      Acabar com a matança em geral.

3-      Tirar este regime assassino por completo.

4-      Levar os responsáveis pela matança na Síria desde 15/03/2010 para justiça internacional.

5-      Considerar todos que apoiaram o regime como terroristas e criminosos de guerra, tipo Irã e Hizbullah, Assim aceitamos a intervenção.

 E a respeito da manifestação, é uma manifestação mascarada, mostrando que a manifestação é contra a intervenção, mas na verdade é em apoio ao regime Assad. E por isso eles levantam foto do ditador.

Você acha que a queda do atual governo e a mudança no poder trará paz ao país ou pode haver conflitos internos, de diferentes facções quando um novo grupo subir ao poder?

Sim eu acho que a queda do regime vai trazer a paz. E temos exemplos reais no norte do país onde não tem mais governo Assad.

A vida está voltando normal nas ruas, as escolas estão abertas, só os grupos ligados a Assad ainda atacam estas regiões.

E mesmo se houver algumas probleminhas entre a população (porque lá não tem facções), vai ser resolvido rápido pelo próprio povo.

 

 
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Publicado por em 24/09/2013 em Sírios

 

Goiás começa a ser destino de refugiados da guerra civil na Síria

Comunidade síria está apreensiva com possível ataque norte-americano contra o regime de Bashar al-Assad, que poderá agravar a crise no país árabe. Após início do conflito 10 cidadãos sírios já se refugiaram no Estado e o número poderá crescer. Padre Rafael Javier Magul diz que Ocidente apoia Al-Qaeda na Síria
Fernando Leite/Jornal Opção
Sheik Kamal Muhd Mahmud Hamideh ora pela paz na Síria na Mesquita de Anápolis

Frederico Vitor

O arquiteto Hanna vivia nas proximidades de Damasco, capital da Síria, quando eclodiu a guerra civil que vem devastando o país. Pai de três filhos — uma professora de inglês, um jornalista e uma criança de 2 anos —, há quase dois meses a família mora no Setor Bueno, em Goiânia. O chefe do clã de cristãos ortodoxos trouxe a família fugindo da guerra em seu país. Aqui está em busca de emprego, mas não descarta a ideia de montar o próprio negócio, a exemplo de outras centenas de compatriotas que escolheram o Brasil como a nova morada.

De acordo com as estimativas do cônsul honorário da Síria em Goiás, o médico, advogado e comerciante Jamal Youssef, de 54 anos, que há 20 vive em Anápolis, atualmente residem em todo o Estado cerca de 2 mil cidadãos sírios natos mais aproximadamente 20 mil descendentes. Após o início da guerra civil, dez sírios já se refugiaram em Goiás, e este número tende a crescer com o agravamento da crise.

Não bastassem os intensos combates entre as tropas fiéis ao presidente Bashar al-Assad e os insurgentes oposicionistas ao regime, a Síria está na iminência de sofrer um ataque dos Estados Unidos, em resposta ao bombardeio com gás venenoso em um subúrbio de Damasco, ocorrido no dia 21 de agosto, que teria vitimado cerca de 1.400 civis, entre crianças, mulheres e idosos. Navios de guerra americanos estariam posicionados no Mar Me­di­ter­râneo, próximo da costa síria, aumentando ainda mais a tensão na região.

Estima-se que em to­do o Estado a comunidade á­ra­be-libaneses, sírios, palestinos e egípcios seja de aproximadamente 300 mil cidadãos, entre os lá nascidos e seus descendentes. Des­de a primeira leva migratória, no começo do século 20 — os sí­rios-libaneses chegaram a Goiás em 1903 —, é inegável a in­fluência exercida por eles na so­ciedade goiana. Quando o Mundo Árabe, conjunto de 22 na­ções, abrangendo o Norte da África e a Ásia Ocidental, era do­mínio do Im­pério Turco-Otomano, mi­lhares de sírios e li­baneses imigraram pelo mun­do, inclusive para o Brasil e, con­sequen­temente, para Goiás.

É extensa a lista de políticos, médicos, advogados, empresários, agropecuaristas, militares, professores, músicos, jornalistas, publicitários, promotores de justiça, magistrados e artistas que são ou têm descendência árabe. Tam­bém não se pode deixar de ressaltar a con­­tribuição árabe no desenvolvimento econômico de Goiás, principalmente no comércio. Eles chegaram e iniciaram suas atividades comerciais como mascates, depois como lojistas varejistas para, enfim, ganharem destaque nos negócios de vendas no atacado.

A comunidade árabe foi uma das responsáveis por dinamizar as atividades comerciais em Anápo­lis e Catalão, principalmente, e outros municípios goianos de economia arrojada. Os árabes, em especial os sírios, nasceram em uma região onde floresceu o comércio durante o período renascentista. A Síria foi durante séculos o encontro co­mer­cial entre Ásia e Europa, e to­do um aprendizado comercial veio com eles para o Brasil durante o processo imigratório do início do século 20.

Novos imigrantes?

Mais de cem anos depois, os sírios poderão novamente desembarcar em terras brasileiras em número considerável. Desta vez os causadores da diáspora não são os turcos-otomanos, mas os próprios concidadãos que travam uma violenta guerra civil que, desde o início do conflito, já resultou na fuga de mais de 2 milhões de pessoas para países vizinhos, como o Líbano. O Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados estima que o número de sírios que deixam o país para fugir da guerra possa atingir os 3 milhões no final deste ano. Trata-se de uma catástrofe sem paralelo na história recente, e tende a piorar.

Como o Brasil é lar de milhares de sírios imigrados, não será difícil que uma nova leva venha a desembarcar no país e em Goiás. Nesta perspectiva, o empresário sírio Marwan Elias Youssef, de 51 anos, que vive no País desde 1988, não descarta a possibilidade de trazer para Goiânia mais de 30 parentes que se encontram na Síria. “A preocupação é grande, não saio da internet em busca de notícias. Meus familiares estão bem, entretanto estamos arrumando vistos para que venham para o Brasil, mesmo contrariando a minha vontade, que é a permanência em nossa terra”. O empresário, que dirige uma em­presa atacadista que emprega 550 funcionários na capital, é irmão do cônsul Jamal Youssef.

Cristão ortodoxo, Marwan é casado com uma síria, mãe de seus três filhos que nasceram no Brasil. Ele formou-se em Arquitetura na Univer­sidade de Alepo, a capital da província homônima e maior cidade do país, localizada no norte da Síria. Na terra natal chegou a servir o Exército durante dois anos após terminar a faculdade. Marwan e Jamal não são críticos do regime de Bashar al-Assad. Segundo eles, o líder sírio é alvo de um esforço internacional que busca sua queda por causa de sua proximidade com o regime teocrático do Irã, país xiita que é o principal rival das nações árabes ricas em petróleo e de go­vernos e população de maioria sunita, como a Arábia Saudita.

O pároco da Igreja Orto­doxa São Nicolau de Goiânia e São João Batista de Ipameri, Rafael Javier Magul, argentino de origem síria, defende a estabilização da sociedade do país árabe por meio do governo de Bashar al-Assad. Para o  religioso, que há cinco anos mora em Goiás e é líder de uma pequena mas importante comunidade de cristãos ortodoxos, o levante rebelde contra o regime é resultado de equívocos da política externa de potências ocidentais. “Infelizmente, novamente, o Ocidente, por de trás de um termo que chamam de democracia, não mede suas consequências. Querem impor algo que não se impõe, a democracia.”

Mais: para o religioso, Bashar al-Assad não teria usado armas químicas contra a população civil, como acusam os Estados Unidos. “É algo racional. O regime sírio aceitou que os inspetores da ONU fossem investigar a autoria dos ataques. Como um governo que possui armas químicas convida inspetores para investigá-lo na mesma semana em que teria feito uso de tais artefatos? Isto é uma loucura”, diz. Javier Magul afirma que a resistência armada contra Bashar al-Assad não é formada apenas por rebeldes descontentes com o governo, mas por terroristas treinados por organizações como a Al-Qaeda de Osama bin Laden. “O Ocidente combate a Al-Qaeda, mas por que na Síria o estão apoiando com armas e dinheiro? É algo contraditório.”

Muçulmanos em Goiás

Em Anápolis está a única mesquita de Goiás e uma das mais importantes do Brasil — dada sua localização estratégica entre Goiânia e Brasília. O templo foi fundado por imigrantes árabes muçulmanos, em sua maioria libaneses, em 1970 e, atualmente, é administrado pelo sheik palestino Kamal Muhd Mahmud Hamideh, que há 40 anos mora em Goiás. Ele veio com os pais para o Brasil na década de 60, em virtude das consequências do término da Segunda Guerra Mundial, como a criação do Estado de Israel, em 1948. Diferentemente do padre ortodoxo Rafael Javier, o líder muçulmano evita dar opiniões sobre a crise na Síria. Ele apenas diz “orar pela paz e para que o conflito não se agrave ainda mais.”

De corrente sunita, a decisão do sheik Kamal Hamideh de não opinar sobre a questão síria é compreensível, haja vista que o islã, mesmo sendo a religião que mais cresce no mundo — o islamismo é a fé de 1 bilhão de seguidores e religião majoritária em 50 países —, ainda é pouco conhecido e assimilado em um país de maioria cristã, como o Brasil. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o total dos que seguem o islamismo no Brasil passou de 27.239 no ano 2000 para 35.167 em 2010. São Paulo concentra o maior número, seguido do Paraná e do Rio Grande do Sul. A pesquisa também aponta que 684 muçulmanos vivem em Goiás, porém o número pode ser maior, segundo Fátima Hamideh, mu­lher do sheik da mesquita anapolina.

Tatiana Palmerston Lemos, goiana de Caldas Novas — que, ao converter-se ao islaminsmo passou a se chamar Fátima Ha­mideh —, afirma que hoje há uma islamização maior por parte de brasileiros natos em detrimento de estrangeiros muçulmanos que entram no País. Ela explica que o idioma e a ausência de uma sociedade islâmica dificultam a adaptação de famílias que profetizam o Islã e imigram para o Ocidente, cujas regras sociais e religiosas contrastam com a realidade da terra de origem. “O povo muçulmano não é identificado pela região onde nasce, nem pela raça ou idioma, mas pelo modo de vida”, explica. “O Centro Is­lâmico de Anápolis vem fazendo um importante trabalho no resgate da identidade islâmica, e na defesa dos direitos religiosos junto ao governo federal.”

O islamismo é a religião mo­no­teísta fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia. O muçulmano é o seguidor da fé islâmica, também identificado por islamita. Em árabe, islã significa “rendição” ou “submissão” e se refere à obrigação do muçulmano de se­guir a vontade de Deus. O termo está ligado a outra palavra árabe, “salam”, que significa “paz” — o que reforça o caráter pacífico e tolerante da fé islâmica.

Nem todos os muçulmanos são árabes. Na realidade, o Orien­te Médio reúne somente cerca de 18% da população islâmica no mundo — sendo que turcos, afegãos e iranianos (persas) não são árabes. Outros 30% de muçulmanos estão no subcontinente indiano — Índia e Paquistão —, 20% no norte da África, 17% no sudeste da Ásia e 10% na Rússia e na China. Há minorias muçulmanas em quase todas as partes do mundo, inclusive nos Estados Unidos e no Brasil. A maior comunidade islâmica do mundo vive na Indonésia.

Não há registro de sírios muçulmanos que frequentem a mes­quita de Anápolis. A maioria dos fiéis é de origem palestina, libanesa e egípcia. Às sextas-feiras o templo é aberto a orações, pois é dia sagrado para o muçulmano, as­sim como o sá­ba­do é para o ju­deu e o do­min­go para os cristãos. Fátima Ha­mi­deh diz que há um esvaziamento dos templos mu­çul­ma­nos brasileiros, por con­ta da fal­ta de uma legislação que ampare os que seguem a re­li­gião. “Sex­ta-feira é o nosso dia pa­ra orações, mas nem todos comparecem à mesquita porque não con­seguem dispensa do trabalho, e não há lei no Brasil que defenda os nossos costumes.”

Fátima Hamideh denuncia o preconceito velado no Brasil contra a comunidade muçulmana. Ela diz ter sofrido constrangimento religioso ao solicitar espaço em um hospital para fazer uma das cinco orações diárias, voltada para Meca (cidade sagrada dos muçulmanos), que todo fiel deve fazer no decorrer do dia. “Pedi um lugar para orar, mas me foi negado. Senti-me mal e comecei a chorar, pois era um compromisso que eu tinha com Deus que foi quebrado por conta da intolerância de outras pessoas.”

Conflito na Síria vai além da questão religiosa

A Síria é um país localizado no Sudoeste Asiático, com extensão territorial de 183 mil quilômetros quadrados e banhado pelo mar Medi­terrâneo ao oeste, fronteiriço a Israel ao sudoeste, com a Jordânia ao sul, Iraque a leste e Turquia ao norte. Com população estimada em 24 milhões, etnicamente cerca de 90% dos habitantes são árabes, 9% curdos e 3% drusos. No aspecto religioso, 77% da população é muçulmana, os cristãos são minoria, correspondem apenas a 10%, que se dividem entre católicos, maronitas e ortodoxos. Entre a população islâmica, 65% são sunitas e 13% são alauítas, um dos grupos de corrente xiita do qual Bashar al-Assad faz parte.

O site da BBC informa que desde o começo dos protestos contra o governo, iniciados em março de 2011, o regime sírio vem lançando uma ofensiva contra opositores, que, segundo a ONU, já deixou mais de 9 mil mortos no país. Bashar al-Assad assumiu o comando da Síria ao suceder o pai, Hafez al-Assad, que comandou o País entre 1971 até sua morte, em 2000. Ao ascender ao poder, Bashar al-Assad adotou um discurso reformista que poderia satisfazer os anseios da União Europeia e dos Estados Unidos, mas que na prática não produziu nenhuma concessão ao movimento de oposição.

O regime concentrou poder econômico, político e militar nas mãos da comunidade alauíta, que representa apenas 13% da população. A maioria sunita (64%) se viu excluída e passou a acusar o governo de corrupção e nepotismo. Os confrontos entre oposição e forças de segurança do regime de al-Assad começaram na cidade de Daraa — sul do país —, quando 14 crianças foram presas e supostamente torturadas após escrever em um muro um slogan relacionado às revoltas que ocorriam na Tunísia e no Egito, a chamada Primavera Árabe. As manifestações que pe­diam mais democracia — porém não a queda de Bashar al-Assad — foram reprimidas pelas tropas sírias, mas os protestos não só continuaram como se espalharam por todo o País.

As manifestações começaram exigindo mais democracia e liberdade individual. Quando as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes desarmados, a oposição passou a exigir a queda de Bashar al-Assad. O presidente se recusou a renunciar, mas fez concessões para tentar aplacar os manifestantes. Entre elas estão o fim do estado de emergência, que durou 48 anos, e uma nova constituição, que prevê a realização de eleições multipartidárias.

Os protestos mais intensos ocorreram sistematicamente em cidades e áreas totalmente sunitas, onde praticamente não há alauítas ou cristãos. Depois que as manifestações se espalharam por todo o País, opositores e partidos políticos clandestinos formaram uma frente antigoverno, chamada Conselho Nacional Sírio (CNS), de maioria sunita e apoiada pela Irmandade Muçulmana, que opera fora da Síria. Um segundo grupo, o Comitê de Coordenação Nacional, dentro dos limites fronteiriços do País, foi formado por opositores que temem a orientação islâmica do CNS.

A oposição armada ao regime é composta por militares desertores que se organizaram no Exército Livre da Síria, que coordena ataques contra as forças de segurança do regime a partir da Turquia. A imprensa internacional que cobre a crise afirma que há insurgentes de pelo menos 18 nacionalidades diferentes lutando contra o regime de Bashar al-Assad.

Xadrez Árabe

O que ocorre hoje no Oriente Médio é um verdadeiro jogo de xadrez entre as potências ocidentais — Estados Unidos, França e Reino Unido — aliados de países árabes ricos em petróleo, de população muçulmana de corrente sunita — Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Kuwait — que se opõem ao Irã, país de regime teocrático governado pelos aiatolás (altos dignitários na hierarquia xiita), que tem como principal aliado na região a Síria de Bashar al-Assad.

A Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, não vê com bons olhos a influência iraniana no mundo árabe. Liquidar o maior aliado dos iranianos na região seria um bom começo para o enfraquecimento da influência xiita do regime dos aiatolás. A imprensa internacional vem divulgando que há indícios de que os sauditas, governados pela família Saud, estariam financiando os rebeldes sírios. Do outro lado do jogo, o regime sírio teria respaldo da Rússia, uma velha aliada, sua maior fornecedora de armas. O País de Vladimir Putin, nos últimos anos, exportou bilhões de dólares em material bélico ao regime de Bashar al-Assad.

Os russos têm diversos interesses geopolíticos e econômicos na Síria, e isso inclui o ponto de apoio técnico-material da Marinha de Guerra da Rússia, a base naval de Tartus, a única localizada na costa do Mar Mediterrâneo sob controle dos russos, após o colapso soviético. A importância estratégica desta base naval é tamanha que a faz imprescindível no apoio aos navios da armada russa que realizam missões  no Golfo de Áden — uma reentrância no norte do Oceano Índico, à entrada do Mar Vermelho, entre a costa norte da Somália e a costa sul da península arábica —, além de ser um centro de manutenção e abastecimento para a frota proveniente do Mar Negro.

De acordo com o professor de Geopolítica do Instituto de Estudos Geoambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG) Romualdo Pessoa Campos Filho, a Síria é a última pedra do dominó, cuja queda irá possibilitar um cerco ao Irã, permitindo aos aliados ocidentais — Estados Unidos, França e  Reino Unido — atingirem o território daquele país pelo Mediterrâneo. Outro fator que gera preocupação é a possibilidade de um ataque sírio contra Israel — principal aliado dos Estados Unidos na região —, em represália a um eventual ataque americano contra Bashar al-Assad. “Essa guerra tem o potencial de gerar um conflito de dimensões mundiais, envolvendo a Rússia, Europa, Turquia e Egito.”

O presidente sírio assassinado em Goiás

Um dos casos emblemáticos que exemplifica a ligação entre os sírios e Goiás foi o caso do presidente Mohamed Adib Chichakli, que se refugiou e morreu no município goiano de Ceres. O general nasceu em Hama, na Síria, em 1910. Por meio de um golpe militar, articulado em 1950, chegou à Presidência da Síria, com apenas 40 anos de idade.

Em 1952, mediante eleições gerais, foi confirmado presidente. Em virtude de suas reformas políticas, entre as quais a reforma agrária, acabou sendo deposto em 1954, por um novo golpe militar. Retirado à força do poder, fugiu para a Arábia Saudita, França e Suíça. Aconselhado por amigos, mudou-se para o Brasil, passando oito meses no Rio de Janeiro. Com o dinheiro que lhe foi dado por líderes sauditas, o general comprou uma fazenda de 1.250 alqueires goianos, em Pequi­zei­ros, antigo norte de Goiás, atualmente Tocantins, para onde se mudou com a família.

Mais uma vez acatando conselhos de amigos, Mohamed Chi­chakli se mudou para Ceres, município goiano que surgiu como uma colônia agrícola na década de 50. Na nova cidade, o general tornou-se fazendeiro e plantador de arroz. Porém, em 1964, ano em que o Brasil sofreu o golpe civil-militar, Mohamed Chichakli foi assassinado ao atravessar a ponte sobre o Rio das Almas, que liga Rialma a Ceres. O ex-presidente foi baleado com cinco tiros. O assassino seria um jovem sírio de origem drusi, cujos seguidores tinham sido perseguidos e suas aldeias bombardeadas pelo general quando presidente da Síria.

Fonte: http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/goias-comeca-a-ser-destino-de-refugiados-da-guerra-civil-na-siria

 
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Publicado por em 24/09/2013 em Notícias

 

Brasil poderá conceder vistos a refugiados da Síria

24/09

Brasília – O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira, 24, que dispõe sobre a concessão de visto apropriado a refugiados da Síria. A medida autoriza a concessão de visto, por razões humanitárias, aos indivíduos afetados pelo conflito armado na Síria que manifestem vontade de buscar refúgio no Brasil.

Para efeitos da resolução, são consideradas razões humanitárias “aquelas resultantes do agravamento das condições de vida da população em território sírio, ou nas regiões de fronteira com este, como decorrência do conflito armado na República Árabe Síria”.

O texto da medida esclarece ainda que o visto tem caráter especial e será concedido pelo Ministério das Relações Exteriores. A resolução vigorará pelo prazo de dois anos, podendo ser prorrogada.

Fonte:http://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/2013/09/brasil-podera-conceder-vistos-a-refugiados-da-siria.html

 
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Publicado por em 24/09/2013 em Notícias

 

Brasil tem boom de refugiados sírios – veja lista

Antes inexpressivo, o número de refugiados sírios no Brasil aumentou de 17, antes da guerra civil, para 261 neste ano. Eles já são 6% do total de refugiados no país

REUTERS/ Haider Ala

 Refugiados sírios deixam o país

 

Sírios deixam o país: a Síria já ocupa a quarta colocação entre as nações com maior número de refugiados no Brasil

 

São Paulo – O Brasil tem sido um destino cada vez mais recorrente dos cidadãos sírios que tentam escapar da guerra civil que já abala o país há mais de dois anos, agravada pelapossível intervenção militar dos Estados Unidos. Desde o início dos conflitos, em março de 2011, o número de refugiados sírios no Brasil saltou 15 vezes: foi de 17 para 261. Eles já correspondem a 6% do total de refugiados no país.

O levantamento é do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), órgão vinculado aoMinistério da Justiça responsável pela análise dos pedidos. De acordo com o Conare, o valor ainda pode aumentar em breve, uma vez que 31 pedidos estão sendo avaliados e devem ser aprovados.

Antes inexpressiva no quadro geral dos países que possuem refugiados no Brasil, hoje aSíria já ocupa a quarta posição, perdendo apenas para Angola (1.062 casos), Colômbia (743) e República Democrática do Congo (575).

O Brasil abriga um total de 4.407 refugiados, segundo o Conare.

De acordo com as regras internacionais, o refúgio é concedido ao imigrante caso seja comprovada perseguição em seu país de origem por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 2 milhões de sírios já tenham deixado o país para escapar dos conflitos.

Confira na tabela a seguir o número total de refugiados que existem hoje no Brasil, divididos pelas nacionalidades.

Posição Nacionalidade Total de refugiados
1 Angola 1.062
2 Colômbia 743
3 Rep. Democrática do Congo 575
4 Síria 261
5 Iraque 215
6 Libéria 211
7 Serra Leoa 137
8 Cuba 134
9 Bolívia 127
10 Palestina 117
11 Sérvia e Montenegro 69
12 Nigéria 51
13 Somália 46
14 Sudão 45
15 Peru 45
16 Irã 37
17 Paquistão 34
18 Burundi 33
19 Líbano 32
20 Afeganistão 29

 

Posição Nacionalidade Total de refugiados
21 Butão 27
22 Equador 26
23 Costa do Marfim 26
24 Mali 22
25 Chile 21
26 Etiópia 20
27 Iugoslávia 20
28 Ruanda 18
29 Argentina 11
30 Guiné-Bissau 10
31 Rep. Da Geórgia 10
32 Gana 9
33 Rússia 9
34 Rep. Do Congo Brazzaville 8
35 Guiné-Conacri 8
36 Argélia 7
37 Paraguai 7
38 Macedônia 6
39 Apátrida 5
40 Croácia 5
41 Sri Lanka 5
42 Egito 5
43 Tanzânia 5
44 Bangladesh 4
45 Bósnia Herzegovina 4
46 El Salvador 4
47 Eritréia 4
48 Gâmbia 4
49 Nepal 4
50 Senegal 4
51 Vietnã 4
52 Zimbabue 4
53 África do Sul 3
54 Armênia 3
55 Haiti 3
56 Kosovo 3
57 Rep. Centro Africana 3
58 Venezuela 3
59 Chade 2
60 Líbia 2
61 Mauritânia 2
62 Polônia 2
63 Rep. Dominicana 2
64 Uganda 2
65 Camarões 1
66 Marrocos 1
67 Demais nacionalidades 14
TOTAL 4.407
 
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Publicado por em 24/09/2013 em Notícias

 

UFSCar: abertas inscrições para processo seletivo para refugiados

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) abriu inscrições para processo seletivo para candidatos refugiados. São 58 opções de cursos de graduação presenciais ofertados nos três campi da universidade (São Carlos, Araras e Sorocaba, todas em São Paulo).

O candidato precisa comprovar a condição de refugiado – com declaração emitida pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão colegiado vinculado ao Ministério da Justiça.

No dia 14 de outubro, será divulgada a lista de candidatos aceitos e a indicação de data e horário em que deverão comparecer para realizar as provas.

Mais informações podem ser obtidas com a Coordenadoria de Vestibular (Covest) da Universidade, pelo telefone (16) 3351-8152 ou pelo email covest@ufscar.br.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/ufscar-abertas-inscricoes-para-processo-seletivo-para-refugiados,c91f41c544331410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

 
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Publicado por em 24/09/2013 em Notícias

 

Direto ao assunto Mais Médicos Atentado no Quênia Mensalão Síria Protestos IDH Avalie sua cidade Mega-Sena Simão Brasil e África do Sul ampliarão cooperação em matéria de proteção ambiental

Brasil e África do Sul assinaram no último dia 16 em Foz do Iguaçú um Memorando de Entendimento sobre Cooperação na Área Ambiental que ampliará os acordos existentes desde 2008 no Ias, grupo trilateral de países que também inclui a Índia, informaram fontes governamentais neste domingo.

A assinatura do memorando bilateral foi realizada durante a Reunião Ministerial do chamado Basic, bloco integrado por Brasil, África do Sul, Índia e China, que prepara uma proposta conjunta para levar à Conferência das Partes de Mudanças Climáticas (COP19), prevista para ocorrer entre os dias 11 e 22 de novembro em Varsóvia, na Polônia.

O acordo complementa, com uma óptica bilateral, o Memorial de Entendimento assinado em 2008 entre Brasil, África do Sul e Índia.

Brasil e África do Sul, como potências entre os países emergentes, contam com grandes povoações, inumeráveis riquezas naturais e características de produção agrícola similares, condições que permitem um trabalho de cooperação conjunta.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/09/15/brasil-e-africa-do-sul-ampliarao-cooperacao-em-materia-de-protecao-ambiental.htm

 
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Publicado por em 24/09/2013 em Notícias

 

Abertas as inscrições para o IV Seminário Nacional da Cátedra Sérgio Vieira de Mello

BRASÍLIA, 18 de setembro de 2013 (ACNUR) – Estão abertas as inscrições para o IV Seminário Nacional da Cátedra Sérgio Vieira de Mello, que será realizado nos próximos dias 30 de setembro e 1º de outubro na Universidade Federal do Paraná (UFPR), com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Com o tema “Deslocamentos Forçados, Fronteiras e Políticas Migratórias”, o seminário é direcionado à comunidade acadêmica e outros públicos interessados em questões como direito internacional e legislação brasileira sobre refúgio e apatridia, assim como integração local e políticas públicas para a população refugiada no Brasil.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFPR (www.ppgd.ufpr.br) ou diretamente no link goo.gl/7OFxhq.

Neste ano em que se recorda o 10º aniversárIo da morte do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, o seminário terá uma conferência sobre sua vida e legado humanitário. Então Representante Especial do Secretário Geral da ONU para o Iraque, ele e outros 22 funcionários da organização morreram após o bombardeio contra a sede da ONU em Bagdá, capital iraquiana. A apresentação será feita por Andrés Ramirez, Representante do ACNUR no Brasil.

No contexto do encontro anual, a universidade também está com chamada aberta para apresentação de trabalhos acadêmicos. O objetivo é incentivar a pesquisa, reflexão, discussão e produção intelectual sobre a questão dos refugiados, da apatridia e dos deslocamentos forçados em toda a comunidade acadêmica brasileira.

Os artigos devem seguir um dos seguintes eixos temáticos: 1) Políticas Migratórias e Reforma Legislativa, 2) Mobilidade Humana na Atualidade e seus Reflexos no Brasil, 3) Refúgio, Reassentamento e Apatridia e 4) Hospitalidade e os Desafios da Integração Local. Os resumos dos artigos devem ser enviados até o dia 25 de setembro para os emails verachueiri[arroba]gmail.com ejagediel[arroba]yahoo.com, identificando no assunto da mensagem “Trabalho para o evento Cátedra SVM”.

Sobre a CSVM – Implantada a partir de 2003 em alguns países da América Latina, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CSVM) tem como objetivos difundir o Direito Internacional dos Refugiados e promover a formação acadêmica e a capacitação de professores e estudantes nestes temas. Seu nome é uma homenagem ao brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto no Iraque naquele mesmo ano, que dedicou grande parte de sua carreira nas Nações Unidas ao trabalho com refugiados e operações de manutenção da paz.

No Brasil, participam da Cátedra universidades públicas, privadas, leigas e confessionais e o projeto incorporou uma nova vertente: o trabalho direto com os refugiados. Sendo assim, o atendimento solidário aos refugiados foi definido como nova prioridade, juntamente a produção de conhecimento acadêmico. De fato, várias das universidades associadas já desenvolvem diversas linhas de pesquisa sobre a proteção internacional de refugiados e também oferecem serviços comunitários a esta população.

O ACNUR e a comunidade acadêmica brasileira acreditam que as universidades devem ser centros de excelência para a produção e disseminação do conhecimento sobre a Proteção Internacional da Pessoa Humana, servindo também como espaços de apoio à proteção e integração dos homens, mulheres e crianças que foram forçados a abandonar seus lares e reconstruir suas vidas em outro país.

O Brasil abriga hoje aproximadamente 4.300 refugiados de mais de 70 nacionalidades diferentes. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados é uma agência da ONU criada em 1950 com o objetivo de proteger e assistir às vítimas de perseguição, intolerância e violência. Atualmente, mais de 35 milhões de pessoas estão sob o mandato do ACNUR, entre solicitantes de refúgio, refugiados, apátridas, deslocados internos e repatriados.

Serviço
IV Seminário Nacional da Cátedra Sérgio Vieira de Mello

·         Tema “Deslocamentos Forçados, Fronteiras e Políticas Migratórias”

·         Inscrições pelo site www.ppgd.ufpr.br ou link goo.gl/7OFxhq

·         Data: 30 de setembro e 1º de outubro, das 8h30 às 18h (dia 30) e das 9h às 18h (dia 1º)

·         Local: Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD)

·         Endereço: Praça Santos Andrade, nº 50, 3º andar – Curitiba –PR

Fonte: http://www.acnur.org/t3/portugues/noticias/noticia/abertas-as-inscricoes-para-o-iv-seminario-nacional-da-catedra-sergio-vieira-de-mello/

 
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