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Arquivo mensal: janeiro 2012

Comunidade boliviana se prepara para a Festa de Alasita 2012

Nos dias 24 e 25 será comemorada a Festa de Alasitas, organizada pela Associação Gastronômica Cultural e Folclórica Boliviana Padre Bento, os festejos serão em devoção ao Ekeko, Deus da fortuna.

A tradicional festa pagã é celebrada do dia 24 de janeiro e também é comemorada no Brasil. Neste ano em São Paulo as comemorações acontecem em dois dias.

A deidade tem muitos fiéis que buscam melhores condições financeiras. A festa de Alasitas que acontece há anos em São Paulo, mostra que os imigrantes veem ao Brasil, mas não esquecem suas raízes religiosas muito menos sua fé.

Àqueles que desejam alcançar o sonho da casa própria ou ter um carro, compram miniaturas destes bens e os colocam em suas casas perto da imagem, bem como dinheiros falsos em dolar e euro. 

A crença religiosa explica que tendo suas graças alcançadas é fundamental ser grato, por isso muitos fiéis cedem cigarros que são colocados na boca da imagem de Ekeko. O final do ritual se dá depois das cinzas serem guardadas na carteira, segundo os fiéis esse ato traz mais dinheiro e prosperidade.

Com apresentação de bandas e grupos folclóricos (a definir) e comidas típicas a festa promete receber bolivianos e brasileiros.

Serviço

Clube Regatas Tietê

Endereço: Rua João Veloso Filho, 323

Vila Guilherme – São Paulo

Horário: A partir das 9h

Fonte: http://www.boliviacultural.com.br/ver_noticias.php?id=949

 

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Publicado por em 08/01/2012 em Bolivianos, Notícias

 

Mão de obra com sotaques

Com uma economia em crescimento, o Brasil vira destino de muitos que buscam uma vida melhor

Marília Medrado

marilia.medrado@folhauniversal.com.br

A crise que assolou a economia mundial em 2008, vista por especialistas como a primeira fase das atuais turbulências financeiras, foi decisiva para que o artista plástico italiano Daniele Bergamaschi, de 46 anos, se mudasse para o Brasil. “Segui meu coração, pois me apaixonei por uma brasileira, filha de italianos, que morou mais de 10 anos na Itália. Ela queria ficar mais próxima da família e, visto o período de crise europeu, não pensamos duas vezes e viemos o quanto antes”, afirma. Desde meados de abril de 2009 no Brasil, ele já expôs suas obras na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. “Gosto muito do Brasil e fui muito bem recebido. Tenho meu trabalho reconhecido como artista e como teórico da arte italiana”, completa.
Buscando novas oportunidades de trabalho e a realização de sonhos, pessoas de diferentes países não param de chegar ao Brasil. Segundo dados do Ministério da Justiça, o número de estrangeiros regulares no Brasil cresceu 52,5% em 6 meses. Até junho de 2011, havia 1,466 milhão de pessoas registradas no Departamento da Polícia Federal, contra 961 mil em dezembro de 2010. São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná são os principais destinos dos estrangeiros, cuja maioria é de origem portuguesa (328.856), boliviana (50.640), chinesa (35.265) e paraguaia (17.604) (Veja quem são e onde estão os estrangeiros que vêm ao Brasil no mapa ao fim da página). Os pedidos de naturalização também dobraram, passando de 1.056 para 2.116 entre 2009 e 2010.
O aumento no número de imigrantes é atribuído, principalmente, ao crescimento econômico e à consolidação do Brasil no mercado internacional – segundo uma consultoria britânica, o Brasil já é a sexta maior economia do mundo –, combinado à situação de algumas das maiores economias do mundo, que seguem mergulhadas na crise. Além da dívida norte-americana, países europeus, como Grécia, Irlanda, Portugal, Itália e Espanha não param de cortar empregos, de reduzir os benefícios sociais e de aumentar a arrecadação de impostos, em troca de ajuda financeira.
Durante uma visita ao Brasil, em fevereiro de 2011, o engenheiro português Hugo Veríssimo, de 34 anos, aproveitou  3 dias de suas férias para distribuir currículos.  Chamado por uma empresa para trabalhar em São Paulo, ele retornou ao País já em agosto. “Apesar de coincidir, mais ou menos, com a época de crise na Europa, eu já tinha intenção de trabalhar fora de Portugal há um ano. Mas, toda semana, recebo currículos e perguntas de portugueses que querem vir ao Brasil. Tem muita gente interessada”, conta Veríssimo.
“Há muito emprego no País, principalmente em áreas que exigem conhecimento técnico e profissional específico, cargos que os brasileiros ainda não estão preparados para preencher”, diz o advogado Grover Calderón, especialista em imigração e presidente da Associação Nacional dos Estrangeiros e Imigrantes no Brasil. De janeiro até setembro de 2011, o Ministério do Trabalho concedeu 51.353 mil autorizações para estrangeiros trabalharem no Brasil, um aumento de 32,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Empregado em uma confecção de roupas de São Paulo, o paraguaio José Maria Brizuela, de 31 anos, está no Brasil há dois anos. Depois de passar pela Argentina e deixar a Espanha devido à crise de 2008, ele tinha o mesmo desejo de muitos imigrantes. “Vim em busca de uma vida melhor, emprego e salário bom. Lá no meu país é mais difícil”, diz.  Além de arcar com todas as despesas, Brizuela consegue enviar dinheiro para sua família no Paraguai. “Lá, o meu salário chegava e sumia”, conta.
Além do aspecto econômico, o Brasil é conhecido pela hospitalidade por quem vem de fora. “Diferente de outros países, onde os estrangeiros são presos ou perseguidos, o Brasil é visto como um local onde os direitos dos imigrantes são respeitados”, diz Calderón. Segundo o Ministério da Justiça, outro ponto que colaborou para o aumento do número de estrangeiros legais no Brasil foi a aprovação da Lei da Anistia Migratória – que abrange todos aqueles que chegaram ao País antes de 1º de fevereiro de 2009 – e que regularizou até agora a situação de 45 mil imigrantes. Além dela, o Acordo sobre Residência para Nacionais dos Estados Partes do Mercosul, que está em vigor desde 2009, permite que cidadãos que integram o bloco econômico requeiram visto em país diferente do seu de origem ou residência, caso já esteja nesse país, mesmo que em situação irregular.
Torcedor do Corinthians, que já frequentou ensaios de escolas de samba e conhece o Rio de Janeiro, Minas Gerais e o litoral norte paulista. A descrição poderia ser de um típico brasileiro, não fosse o sotaque francês de Rémi Sraïki, de 26 anos. “Me apaixonei pelo Brasil quando vim há 10 anos, pela primeira vez, com a minha família. Desde então, sempre quis voltar”, diz. Desde o fim de 2010 em São Paulo, ele deixou seu emprego na França e aprendeu um pouco de português antes de desembarcar em território nacional. “Aqui é um ambiente diferente. Os jovens têm uma luz de esperança nos olhos, não existe isso na França. Aqui vi muitas pessoas se expressarem com a arte, a música e até no jeito de se vestir”, conta.
Uma pesquisa realizada com 17 mil pessoas em 23 nações pelo Instituto Ipsos MORI mostrou que o Brasil é o país que tem a visão mais positiva sobre os imigrantes. Para 49% dos brasileiros, os estrangeiros tornam o país um lugar mais interessante de se viver e 47% consideram que a imigração traz vantagens econômicas. “Os estrangeiros movimentam a economia brasileira e trazem, além do idioma, experiências culturais e sociais diferentes”, afirma Calderón.
 

Fonte: http://www.folhauniversal.com.br/brasil/noticias/mao-de-obra-com-sotaques–9583.html

 
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Publicado por em 08/01/2012 em Notícias

 

Conflito divide comunidade síria no Brasil

O conflito entre opositores e o regime de Bashar al Assad não tem provocado divisões apenas na Síria. A numerosa comunidade de sírios-brasileiros também está dividida, entre o apoio e a rejeição ao regime.

Segundo membros da comunidade ouvida pela BBC Brasil, a maior parte prefere o silêncio.

Outros, pelo contrário, optaram pela militância, organizando protestos contra o regime, em frente ao consulado sírio na avenida Paulista, em São Paulo.

A oposição a Assad é mais disseminada entre os sírios que chegaram ao país nas últimas décadas. Um dos líderes é Ehad al Tariri. Há 14 anos no Brasil, o empresário trocou Damasco por São Paulo.

“Quem vive no Brasil sentiu o que é liberdade, sentiu o que é democracia”, diz Tariri. Ele calcula que cerca de 40% da comunidade hoje está contra Assad, mas qualquer número é apenas uma suposição.

“Ninguém está pedindo liberdade demais. Nós queremos pelo menos é respirar”, diz o também empresário Mohamed Elatar, que chegou ao país há dez anos para viver com o tio.

“Temos uma preocupação muito grande com os parentes na Síria, já que a comunicação é dificil”, diz.

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram na repressão do regime sírio aos protestos contra o governo, iniciados em março de 2011, num dos capítulos mais sangrentos da chamada Primavera Árabe.

Homs

O principal reduto dos oposicionistas na Síria é a cidade de Homs, origem de boa parte dos sírios-brasileiros e nome de um tradicional clube em São Paulo.

Mas no Club Homs, a duas quadras do consulado sírio, grande parte dos associados é a favor de Assad, garante o advogado Eduardo Elias, neto de sírios e presidente doaFederação das Entidades Árabes do Brasil, Fearab.

Elias diz que o grande temor dos sírios-brasileiros de origem cristã é que se reproduza, com a eventual queda de Assad, a perseguição aos cristãos ocorrida durante o Império Otomano.

Foi essa a razão que fez o seu avô e milhares de outros sírios migrarem para o Brasil no fim do século 19 e início do século 20.

“Existem facções radicais que querem a todo custo limpar religiosamente a Síria”, diz Elias.

A influência dos sírios-libaneses, a maioria de origem cristã, pode ser vista em sobrenomes ilustres como Alckmin, Kassab, Hadad, Suplicy e Maluf.

Elias defende a posição de Assad e diz que os protestos são parte de um complô estrangeiro para desestabilizar o país.

“O Hafez (Assad, pai de Bashar) fez uma coisa muito inteligente. Ele retirou a religião da carteira de identidade”, diz o advogado, ressaltando que os cristão veem na família Assad uma garantia de proteção à minoria cristã.

Brasil

Para o jornalista sírio Tammam Daaboul, 31 anos, há 18 vivendo em São Paulo, “a maior parte da comunidade síria não mantém vínculos diretos com o país e não tem informação suficiente para se posicionar politicamente”.

Daaboul nega que exista um conflito sectário no país, já que há uma tradição de convivência pacífica entre a maioria muçulmana sunita com as minorias alauitas e cristã.

“Um conflito sectário na Síria só ocorreria se fosse incentivado. E o medo é o principal catalisador para isso”, diz.

Daaboul também cobra um posicionamento mais ativo da diplomacia brasileira. Segundo ele, o Brasil é respeitado tanto pela oposição quanto pelo governo sírio e poderia ajudar em uma solução política para o conflito.

“O Brasil poderia, através dos Brics, principalmente com a Rússia e a China, criar um protocolo de trabalho” para negociações entre os dois lados.

“Os Brics têm condição de ditar o caminhar da crise. Têm recursos e mais força política do que a própria Liga Árabe”, diz.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/celular/noticias/2012/01/120105_siria_brasil_assad_mm.shtml

 
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Publicado por em 08/01/2012 em Notícias

 

Em SP, nos últimos anos, houve um salto de imigrantes vindos do Haiti

SÃO PAULO – Há seis meses no Brasil, o haitiano Christal Joseph, 25 anos, quer juntar dinheiro para voltar ao seu país, mas sonha em antes viajar pelo Brasil a passeio. Diz ainda que não está muito feliz na capital paulista, pois não recebeu os salários dos dois últimos meses em que trabalhou como ajudante de carpinteiro na construção de um prédio.

– O Brasil está melhor que outros países, e muita gente fala que São Paulo é o melhor do Brasil. Agora não sei se posso dizer se o Brasil é bom, porque trabalhei e não recebi – conta ele ao GLOBO.

Joseph é um dos muitos haitianos que, segundo o Consulado do Haiti em São Paulo, chegam ao estado buscando emprego, principalmente na construção civil. De acordo com o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, antes do terremoto do Haiti, ocorrido em janeiro de 2010, havia cerca de 30 a 40 haitianos morando no estado. Hoje, são de 600 a 800.

– São pessoas que querem trabalhar, juntar dinheiro para mandar para a família. A maioria tem nível de escolaridade mais baixo – afirma o cônsul.

Foi pela Bolívia que Joseph entrou no Brasil. Mas não saiu do Haiti: veio da República Dominicana. Segundo ele, no seu país, sua família está trabalhando – o pai é lavrador e a mãe, vendedora -, mas ainda não conseguiu reformar a casa afetada pelo terremoto.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/sp-nos-%C3%BAltimos-anos-houve-salto-imigrantes-vindos-005119954.html

 
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Publicado por em 08/01/2012 em Haitianos, Notícias

 

1,6 mil haitianos receberam visto para trabalhar e estudar no Brasil em 2011

O Ministério da Justiça (MJ) divulgou, nesta sexta-feira (6), que 1,6 mil haitianos, que entraram ilegalmente no país, tiveram sua situação regularizada após a emissão de vistos humanitários em 2011. O documento é emitido pelo Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e permite que os estrangeiros possam trabalhar e estudar no Brasil.

Segundo o MTE, 634 haitianos receberam o visto entre janeiro e setembro de 2011 — último período com dados analisados e concluídos pelo ministéro. Destes, 397 estão no Amazonas, 207 no Acre, 14 em São Paulo, três no Tocantins e 13 em outros estados.

Ainda de acordo com o Ministério da Justiça, estima-se que cerca de quatro mil haitianos tenham entrado no Brasil em 2011. Outros dois mil imigrantes do Haiti entraram com processo para obter o visto humanitário e são analisados pelo MJ e pelo MTE.

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, informou que os haitianos não podem ser considerados como refugiados, pois não estão enquadrados na Convenção de Genebra, de 1951, e na lei nº 9.474/97, do Brasil. Eles são tratados como imigrantes sob caráter humanitário.

Cerca de 500 haitianos entraram no Acre entre Natal e Ano Novo, segundo Secretária de Justiça e Direitos Humanos do estado (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)Cerca de 500 haitianos entraram no Acre entre Natal e Ano Novo, segundo Secretária de Justiça e Direitos Humanos do estado (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)

Situação no Acre
Segundo a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre, cerca de 500 haitianos entraram no período entre Natal e Ano Novo. O governo acriano solicitou ajuda ao governo federal para prestar assistência humanitária aos haitianos. Foram doadas, de acordo com o Ministério da Justiça, 14 toneladas de alimentos. Destas, oito toneladas já foram entregues, segundo as autoridades do Acre.

O Ministério da Justiça informou que a Polícia Federal está monitorando esses haitianos que entraram no país no fim de ano e começo de 2012. A maioria deles fica em Brasiléia e em Epitaciolândia. “Hoje, temos 1.250 haitianos no Acre. Eles recebem três refeições diárias, mas conseguimos dar alojamento para 80 deles, a maioria mulheres com crianças e idosos. Todos ficam em uma pousada alugada pelo governo estadual”, disse Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre.

De acordo com ele, 2,5 mil haitianos já passaram pelo Acre desde fevereiro de 2011. “Assim que consquistam o visto, eles procuram seus destinos no país. O Acre não é o destino final deles, pois muitos querem ir para Rondônia, Santa Catarina e São Paulo”, afirmou Mourão.

Segundo o secretário, os haitianos que vão para Rondônia seguem para o estado vizinho para trabalhar nas usinas de Jirau e Santo Antônio. “Quem segue para Santa Catarina são procurados por empresas de construção de piscinas. Em São Paulo, são requisitados para a construção civil”, disse Mourão.

Segundo Ministério da Justiça, 1,2 mil haitianos receberam vistos humanitários em 2011 (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)Segundo Ministério da Justiça, 1,2 mil haitianos receberam vistos humanitários em 2011 (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)

Caminho até o Acre
Os haitianos que deixam Porto Príncipe, capital do Haiti, passam pela República Dominicana, seguem pelo Panamá e Equador e desembarcam em Lima, no Peru. No país peruano, os haitianos viajam para Puerto Maldonado.

Outro caminho feito por eles é pela cidade boliviana, Cobija. “Tanto de Puerto Maldonado como de Cobija, eles entram por Brasiléia e Epitaciolândia. Para a primeira cidade acriana, o acesso é por uma ponte. Para a segunda, apenas uma pequena rua separa os dois países. Felizmente, a PF está aumentando o efetivo e a fiscalização no trecho, dificultando a entrada de novos imigrantes ilegais”, disse Mourão.

De acordo com o secretário, os haitianos preferem ficar no Brasil do que nos países vizinhos como Bolívia e Peru. “Eles relatam que sofrem violência física e sexual, roubo e extorsão. Por isso eles praticamente correm para cá. O perfil dos haitianos é diferentes de outros que costumamos ver. Eles têm estudo, eram qualificados profissionais quando viviam no Haiti e podem ser bem aproveitados para diversas áreas de produção no país”.

Fonte: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/01/16-mil-haitianos-receberam-visto-para-trabalhar-e-estudar-no-brasil-em-2011.html

 
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Publicado por em 08/01/2012 em Haitianos, Notícias

 

Haitianos descobrem que sonho de vida melhor pode virar pesadelo

No caminho até a chegada ao Brasil, imigrantes sofrem com coiotes, fome e violência

O Globo- 08/01/12

BRASILEIA (AC) – Anoitece em Brasileia e centenas de haitianos se espalham na Praça Hugo Poli, uma das principais da cidade, em animados grupos. Uns ocupam a quadra, outros arriscam manobras na pista de skate, vários conversam sentados em bancos ou ao redor dos quiosques. Em minutos, o burburinho dá lugar a sorrisos e longos abraços. É a chegada de três mulheres, que acabam de descer de um táxi puxando malas de rodinhas, em cujas alças ainda estão presos os tíquetes de companhias aéreas. Uma delas é Rosina François, de 27 anos; sua história se encaixa como uma luva no sonho haitiano de morar no Brasil, ganhar um bom salário e, aos poucos, trazer a família.

Rosina é mulher de Dominique Desne, 34 anos, que chegou ao país em novembro, pela fronteira do Acre, assim como centenas de outros haitianos, como O GLOBO revelou na última semana. Hoje, vive em Sorocaba, no interior de São Paulo. Funcionário de uma empresa de construção civil, ele trabalha como pedreiro, é registrado e mora num alojamento da firma no município vizinho de Votorantim. O salário é de R$ 1.100 por mês. Com horas extras, chega a R$ 1.700, suficiente para alugar uma casa para a família que, em breve, estará de novo reunida. Os próximos a chegar são os três filhos do casal, Loumensa, de 7 anos, Donalason, de 4, e Chenala, de 9.

– Vim porque vi que quem tinha vindo havia conseguido emprego para trabalhar – diz Dominique.

O sonho haitiano de trabalhar no Brasil e ganhar salários de até R$ 4 mil começa numa agência de viagens da República Dominicana, com a qual todos fecharam negócio, mas de cujo nome nenhum diz se lembrar. É lá que são vendidos os pacotes de imigração ilegal, a preços que vão de US$ 1.000 a US$ 2.600. O roteiro é conhecido: República Dominicana, Panamá e Lima. A partir da capital peruana, o trajeto é feito de ônibus, passando por Puerto Maldonado, até Iñapari, última cidade antes da fronteira com Assis Brasil, porta de entrada oficial ao território brasileiro pela rodovia Interoceânica, que liga o Brasil ao Oceano Pacífico, num trajeto de 1.700 km.

O Brasil dos sonhos dos haitianos não tem crise econômica, é carente de mão de obra e, de quebra, ainda há Ronaldo Fenômeno, ídolo dos jovens haitianos. Mas, em Iñapari, o sonho acaba: o trabalho da agência termina ali, a 113 quilômetros de Brasileia. O percurso pode ser feito de carro ou táxi em uma hora e meia. A diferença entre sonho e pesadelo é saber se a Polícia Federal brasileira permitirá a entrada sem o visto obrigatório, que deveria ter sido emitido no Haiti. Desde o Natal, a fronteira está liberada.

Relatos de roubo em travessia no mato

Quem chegou antes, entre novembro e dezembro, foi vítima de boatos de que a passagem sem visto estava impedida e caiu nas mãos de coiotes. Dois irmãos peruanos cobrariam US$ 50 para levar até a fronteira com a Bolívia, e outros US$ 50 para cruzar com os haitianos dentro da mata, numa caminhada de duas horas. Há quem diga que, para simular dificuldade, a dupla fazia os haitianos andarem em ziguezague. Na fronteira da Bolívia, houve quem cobrasse pedágio para evitar que fossem presos. Mais US$ 50. Os que não tinham dinheiro deixaram malas e objetos de valor.

A pé, carregando malas no meio do mato, haitianos contam ter sido também roubados e mulheres, estupradas. Houve até notícias não confirmadas de haitianos mortos no caminho.

Luciene Chachou, de 24 anos, e Joseph Christine, de 37, vivem o pesadelo. Cada uma pagou US$ 1.000 para vir. Ao chegarem em Iñapari, em dezembro, souberam que a fronteira estava fechada e aceitaram o trabalho dos coiotes. Na mata, diz Luciene, as duas foram agredidas e tiveram seus pertences arrancados. Após o susto, chegaram a Brasileia sem saber por onde começar e foram acolhidas por uma haitiana, que alugara uma casa, enquanto esperava pelo visto. Mas, esta semana, a mulher foi embora.

– Estamos na rua, não sabemos onde ficar – diz Joseph Christine, que só fala crioulo, sentada na praça ao lado da amiga e companheira de viagem.

Com a ajuda de um intérprete, ela conta que não gosta da comida oferecida pelo governo do Acre; acha as condições em Brasileia muito ruins e está decepcionada, porque a agência que vendeu “o pacote” disse a ela que, logo ao chegar, começaria a trabalhar. Há cozinheiros, padeiros, pedreiros e profissionais de todo o tipo entre os haitianos na praça de Brasileia.

O problema é que eles não têm como sair dali. Além da espera pelo visto humanitário, que demora até 45 dias, agora há o medo. No ano passado, grupos de haitianos receberam passagem do governo do Acre para ir até Porto Velho, em Rondônia, onde encontraram trabalho, principalmente ligados à construção de três hidrelétricas. Lá, muitos esperam ganhar dinheiro e seguir para o sonho maior: São Paulo.

Haitianos com diploma universitário ou com dinheiro não ficam no hotel da praça. Alugam casas e andam pelas ruas. Pelo menos 20%, calcula o governo do Acre, são estudantes que buscam vagas em universidades. Muitos deles têm Brasília como destino.

A notícia de um sucesso, como o de Dominique, ou recados da família que ficou no Haiti, de que um ou outro já está estudando ou bem empregado, alimenta a esperança de quem está em Brasileia. Fresner Jeune, de 29 anos já possui CPF e visto temporário, mas diz não ter dinheiro para seguir viagem. E tem muito medo de ficar na rua numa cidade grande. O que faria numa cidade de 11 milhões de pessoas como São Paulo? Quem o ajudaria?

– Você acha que dá para arrumar emprego em São Paulo? – pergunta, com olhar esperançoso.

Assim como Jeune, centenas de haitianos perambulam pelas ruas de Brasileia. O visto humanitário dado pelo governo, por enquanto, termina ali.

 
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Publicado por em 08/01/2012 em Haitianos, Notícias