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Arquivo mensal: maio 2011

Ortodoxos Russos no Brasil

 

 

 Quanto a religião, os imigrantes russos são em sua maioria cristãos ortodoxos e, em São Paulo, inicialmente usavam o templo sírio-libanês para celebrar suas missas em eslavo eclesiástico. Todavia, logo quiseram construir a sua própria igreja e assim o fizeram. Em 1930 construíram a Igreja da Santíssima Trindade no bairro de Vila Alpina. Em 1935, chegou ao Brasil o bispo D. Theodosio para fundar a Diocese Ortodoxa, com sede à rua Tamandaré, onde foi construída a Catedral de São Nicolau. Outros templos ortodoxos ergueram-se em São Paulo e em outras localidades do Brasil (Rio, Niterói (RJ), Porto Alegre e Santa Rosa (RS) e Goiânia (GO)..

As paróquias ortodoxas dos imigrantes russos ortodoxos, existentes em São Paulo, pertencem não a Igreja Ortodoxa da Rússia mas à Igreja Ortodoxa Russa no Exílio, que mantêm 6 templos nesta cidade (3 paróquias e 3 templos inativos). No momento, somente os templos ortodoxos russo do Rio de Janeiro(RJ), Niterói (RJ), Porto Alegre e Santa Rosa (RS) pertencem ao Patriarcado de Moscou (no total, 4 templos).

Os católicos russos do Brasil são pouco numerosos e pertencem ao Ordinariato para fiéis católicos do rito oriental, ora entregue ao Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, Arcebispo do Rio de Janeiro. Ele mantêm, desde 1950 e com muito sucesso e simpatia dos próprios ortodoxos, a Obra Ecumênica Russa, cuja realização maior foi a criação dos Institutos São Vladimir (dos Padres Jesuitas, para meninos) e Santa Olga (das Irmãs Ursulinas de rito bizantino-russo, para meninas). Estes institutos prestaram uma valiosíssima contribuição na educação e instrução de língua russa, rito bizantino e folclore russo e, durante a sua existência, acolheram e educaram mais de 500 crianças, filhos de imigrantes russos. A seriedade e a eficiência de seus métodos educativos de respeito às tradições russas e de integração à cultura brasileira foram muito apreciados pelos pais dessas crianças e por toda a colônia russa. Com o passar dos anos e advento de novas gerações estes institutos não foram mais procurados e foram desativados nos anos 90..

O centro da Obra Ecumênica Russa é a Igreja russa da Anunciação (R. dos Sorocabanos, 150), localizada perto do monumento do Ipiranga, em São Paulo e dirigida pelo Pe. Joan Stoisser S.J. Existe também um bom numero de Batistas, com culto em língua russa.

 

Fonte:http://www.brazil.ru/pt/article_Orthodoxy

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Publicado por em 30/05/2011 em Russos

 

História da imigração russa

A imigração russa no Brasil. Assim se chama esta reportagem de autoria de nosso correspondente Viktor Voronov.

 

 

A imigração russa no Brasil tem mais de 100 anos de história e origem na primeira metade do século XIX, princípios do século XX. Os primeiros imigrantes russos, maioritariamente camponeses sem terra, fundaram, no estado do Rio Grande do Sul, uma povoação chamada Campina das Missões.
A segunda onda de imigrantes russos invadiu o Brasil no período posterior à Revolução de Outubro de 1917 e nos anos de guerra civil na Rússia. Muitos dos imigrantes russos radicados no Brasil tinham cursos superiores e médios, pelo que ocuparam uma boa posição social no Brasil e arranjaram bons empregos como o de engenheiro, empresário, cientista, professor e outras. Muitos estabeleceram residência fixa no estado de São Paulo e na capital paulista.
A terceira onda imigratória ocorreu no pós-guerra e levou para o Brasil dezenas de milhares de russos, refugiados da Revolução de Outubro nos países europeus que foram ocupados pela Alemanha nazi, ex-prisioneiros de guerra e aqueles que foram levados à força pelos nazi para a Alemanha.
A imigração prosseguiu nos princípios dos anos 50 do século passado. Milhares de russos residentes na Manjuria, na China, tiveram de abondar a China com a chegada ao poder do partido comunista chinês. Nos anos 90, o Brasil viveu mais uma invasão dos russos, desta feita, especialistas contratados, dos quais alguns obtiveram vistos permanentes e outros, a nacionalidade brasileira.
Hoje em dia, os russos, emigrados, em diferentes épocas, da Rússia são chamados em sua terra natal de compatriotas. Nosso convidado de hoje é o representante do Centro de Cooperação Russa em São Paulo, Dmitri Dalmatov. Vamos ter uma conversa sobre a comunidade russa no Brasil.
– Quantos russos vivem no Brasil e quais profissões exercem?
Dmitri Dalmatov:  Os números citados são diferentes e variam entre 25 mil e 30 mil. Os russos se concentram sobretudo nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás. Sua principal área de trabalho é a agricultura. Boa parte dos produtos agrícolas produzidos por russos nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás, sobretudo carne, é exportada para a Rússia. Aqueles que residem no estado de São Paulo trabalham em áreas diferentes e não podem ser agrupados em uma única categoria. Exercem profissões diferentes, de engenheiro, de professor de língua russa e outras – diz Dmitri Dalmatov.
– O que aproxima os russos no Brasil e qual é seu papel e lugar na vida desse país?
Dmitri Dalmatov:  A comunidade russa no Brasil participa com grande interesse e entusiasmo de todas as atividades realizadas sob a égide do Centro de Cooperação Russa e da Embaixada, como exposições, concertos, manifestações históricas e culturais, e mantém-se fiel às tradições russas. Seu interesse pela Rússia cresceu após a crise dos anos 90, quando a economia russa recuperou e o papel da Rússia no cenário político internacional aumentou. A comunidade russa, como que se lembrando de suas relações com a Rússia, intensificou suas atividades no Brasil. Embora a comunidade russa não tenha, infelizmente, uma ampla representação nos órgãos de poder local, consegue levar à prática iniciativas legislativas para ela importantes. O exemplo é a lei estadual da celebração do dia 9 de outubro como Dia da Imigração Russa no Brasil – disse D. Dalmatov.
– O que tem a dizer sobre a abertura da Casa Russa em São Paulo, a perspectiva da dupla nacionalidade, russa e brasileira, ou, como alternativa, o regime simplificado de visto para os russos residentes no Brasil e a falta de professores de língua russa em número suficiente?
Dmitri Dalmatov: Essas questões estão em uma fase de ajustamento. A abertura da Casa Russa em São Paulo não é, por enquanto, possível. Temos a intenção de instalar, em 2011, em Brasília, uma estrutura semelhante, ou seja, o Centro Russo de Ciência e Cultura. Quanto a São Paulo, continuamos trabalhando, juntamente com a comunidade russa e a prefeitura local, para que nos concedam um lote de terreno ou um prédio para instalar a Casa Russa. O que conseguimos, até o momento, é uma promessa de nos conceder um prédio e uma área adjacente na zona de residência concentrada de russos na Vila Zelina. Todavia, esse prédio deverá alojar não só a cultura russa, mas sim, todas as culturas eslavas representadas no Brasil. A questão da nacionalidade é mais complicada, pois a Constituição da Rússia não permite a dupla nacionalidade. Por isso, estamos estudando a hipótese de emissão de uma carteira de compatriota que proporcione certos benefícios, por exemplo na área da saúde, aos emigrantes russos em visita à Rússia. No que respeita aos vistos, o respectivo acordo foi assinado pelos Presidentes de nossos dois países e deve agora ser ratificado por nossos parlamentos. O parlamento brasileiro adiou a ratificação para o próximo ano. Agora sobre professores de língua russa. Ultimamente, têm surgido no Brasil muitos cursos de língua russa ministrados por russos sem formação profissional nessa área. Mesmo assim, esses cursos dão seus frutos, e nós os ajudamos em material didático e outra literatura necessária. Como não temos um centro de ciência e cultura no Brasil, não podemos contratar oficialmente professores russos – disse D.Dalmatov.
– Como avalia a atuação da sociedade de cultura e educação “Esperança” e de outras entidades semelhantes?
Dmitri Dalmatov: Temos várias associações, entre as quais a sociedade “Esperança”, o grupo “Volga” e um grupo coral “Melodia”, dirigidas pelo Conselho Coordenador da Comunidade Russa. Realizamos conjuntamente várias atividades culturais, ajudando-nos mutuamente.
– Em que a Rússia ajuda a comunidade russa no Brasil?
Dmitri Dalmatov: Realizamos exposições, temos filmes com legendas em português que são exibidos tanto em nosso centro como em cinemas. Financiamos, quando podemos, diversas atividades, alugamos espaços para a realização de eventos.
– Há desejosos de se mudar para a Rússia para a residência fixa?
Dmitri Dalmatov: Apesar de todos os nossos esforços, não são muitos aqueles que desejam mudar-se para a Rússia. Os russos radicados no Brasil já têm o seu modo de viver, sua posição social e filhos aqui crescidos. Por essa razão, não querem mudar sua vida. Mais do que isso, os imigrantes russos fixaram-se no Brasil há muito tempo. Aqueles que queriam, principalmente fieis da Igreja Ortodoxa dos Ritos Velhos, desistiram quando foram para uma visita à Rússia e ficaram sabendo que não podiam comprar um lote de terreno para praticar a agricultura em razão de não serem nacionais da Rússia — disse Dmitri Dalmatov.
Os fieis dos ritos velhos são descendentes dos seguidores das correntes religiosas na Rússia contrárias à reforma da Igreja que foi realizada no século XVII pelo Patriarca Nikon e previa a revisão do missal e dos ritos religiosos. Daí, seu nome: fieis dos ritos velhos. — Como os descendentes dos imigrantes encaram a Rússia?
Dmitri Dalmatov: Como a Rússia recuperou suas posições no cenário internacional, os jovens começaram a interessar-se mais pela Rússia: estudam a língua russa, participam de atividades das sociedades de cultura aqui representadas. Em outras palavras, a esperança de haver continuidade existe. Esperamos que a geração mais velha transmite sua experiência e suas tradições à jovem geração.

Fonte:http://portuguese.ruvr.ru/2009/11/05/2181244.html

 
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Publicado por em 30/05/2011 em Russos

 

A chegada dos russos no Brasil

O primeiro contato registrado pela História aconteceu em 1804 durante a primeira expedição russa de volta ao mundo. Os dois navios desta expedição, “Nadejda” e “Neva”, atracaram em portos brasileiros, inclusive em Recife. Conta a lenda que a tripulação foi convidada para uma festa naquele porto e, durante a mesma, os marinheiros russos fizeram uma demonstração de passos de suas danças folclóricas. Os anfitriões, impressionados, gostaram e passaram a imitar estes passos introduzindo-os no folclore local e dando origem ao famoso “frevo”.

A primeira imigração oficial de russos para o Brasil ocorreu após a malfadada revolução de 1905 na Rússia, tendo o governo brasileiro concedido asilo político aos revolucionários.
Em 1906, grupos descontentes com as renovações litúrgicas promovidas pela Igreja Ortodoxa Russa, os assim chamados “staroveri” (“fiis do antigo credo”), resolveram deixar o país para manterem as suas crenças religiosas. Eram grupos formados em sua maioria de camponeses de todas as regiões da Rússia e que acabaram por se fixar-se como pequenos produtores rurais em diversos estados brasileiros. No Estado de Mato Grosso os “staroveri” estabeleceram-se numa fazenda onde, ate hoje, cultivam a terra num sistema coletivo.

Quanto a religião, os russos são quase todos ortodoxos e, em São Paulo, inicialmente usavam o templo sírio-libanês para celebrar suas missas em eslavo eclesiástico. Todavia, logo quiseram construir a sua própria igreja e o fizeram. Em 1930 construíram a Igreja da Santíssima Trindade no bairro de Vila Alpina. Em 1935, chegou ao Brasil o bispo D. Theodosio para fundar a Diocese Ortodoxa, com sede rua Tamandar, onde foi então, construída a Catedral de São Nicolau. Outros templos ortodoxos ergueram-se em São Paulo e em outras localidades do Brasil (Rio, Niterói, Porto Alegre, Goiânia e Santa Rosa).

A grande maioria dos russos que permaneceu no pais, concentrou-se principalmente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Nos Estados do Paraná, Mato Grosso e Goiás prevaleciam os grupos dos supracitados “starovery”.
No estado de São Paulo a maioria dos imigrantes russos se instalam no estado de São Paulo, principalmente em Nova Odessa e na capital, voltando-se para atividades industriais, empresariais, técnicas, teatro e representações culturais, e para o exercício de profissões liberais.
Fonte:news-of-russia.info

pioneiras russas imigrantes

 

Fonte: http://www.imigrantesbrasil.com/2008/04/chegada-dos-russos-no-brasil.html

 
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Publicado por em 30/05/2011 em Russos

 

XVI Festa do Imigrante em São Paulo

A tradicional festa reúne culinária típica, dança folclórica e artesanato de comunidades de imigrantes nos dias 29 de maio e 5 de junho

O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura e do Memorial do Imigrante, promove nos dias 29 de maio e 5 de junho a 16ª Festa do Imigrante, no Arsenal da Esperança, no bairro da Mooca. A tradicional festa reúne representantes de mais de 20 comunidades de imigrantes em São Paulo, que apresentam sua culinária típica, dança folclórica e artesanatos. No ano passado, mais de 20 mil pessoas participaram dos dois dias de festa.

No evento, o público poderá conhecer as manifestações culturais, artísticas e gastronômicas de diversas nações que povoam São Paulo, além de resgatar a história dos mais de 2,5 milhões de imigrantes que passaram pela antiga Hospedaria dos Imigrantes desde final do século XIX. “É um momento de celebração da convivência entre os diferentes povos que marcam a formação da cidade de São Paulo”, destaca o secretário da Cultura, Andrea Matarazzo.

A festa acontece no Arsenal da Esperança, prédio histórico do Complexo da Hospedaria dos Imigrantes, onde também funciona o Memorial do Imigrante, atualmente em reforma. No espaço serão montadas barracas de culinária típica como o Eisbein (joelho de porco), o tradicional prato alemão; o Apfelstrudel (folhado de maçã), sobremesa da Áustria; a Paella Valeciana, prato do leste da Espanha, feito com carne e frutos do mar; a Mussaka, culinária grega; e o Halawi, doce árabe com pasta de gergelim.

Durante os dias de Festa, os grupos formados por imigrantes e descendentes da Alemanha, América Latina, Líbano, Áustria, Croácia, Grécia, Itália, Lituânia, Paraguai, Polônia, Portugal, Portuguesa, Rússia, Síria, entre outras, realizam apresentações artísticas que evocam as raízes da imigração. A festa conta também com barracas de artesanato trazido pelas comunidades.

Uma novidade da edição deste ano é a realização do Espaço Arte e Reflexão, que será uma área dinâmica do evento, com oficinas de arteeducação, exibição de audiovisuais e bate-papos que possibilitem ao público refletir sobre os movimentos migratórios antigos e atuais, seus agentes e contribuições. Haverá no espaço da festa um posto de arrecadação da Campanha do Agasalho.

Serviço
XVI Festa do Imigrante
Data:
29/05 (domingo) e 05/06 (domingo) das 10h às 16h
Local: Arsenal da Esperança – prédio histórico, do mesmo complexo da Hospedaria dos Imigrantes.
Endereço: Rua Dr. Almeida Lima, nº 900 – Mooca
Entrada: R$ 6,00 (Grátis: menores de 7 anos / meia entrada: estudantes, aposentados e maiores de 60 anos).

 

Fonte: Portal do Governo do Estado de São Paulo

 
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Publicado por em 30/05/2011 em Notícias

 

Imigração japonesa no Brasil

Imigração japonesa no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

História

Razões da imigração

Necessidade de emigração no Japão

Cartaz de propaganda da imigração de japoneses para o Brasil.

O Japão estava superpovoado no século XIX. O país tinha ficado isolado do Mundo durante os 265 anos do período Edo (Xogunato Tokugawa), sem guerras, epidemias trazidas do exterior ou emigração. Com as técnicas agrícolas da época, o Japão produzia apenas o alimento que consumia, sem praticamente formação de estoques para períodos difíceis. Qualquer quebra de safra agrícola causava fome generalizada.

O fim do Xogunato Tokugawa deu espaço para um intenso projeto de modernização e abertura para o exterior durante a era Meiji. Apesar da reforma agrária, a mecanização da agricultura desempregou milhares de camponeses. Outros milhares de pequenos camponeses ficaram endividados ou perderam suas terras por não poder pagar os altos impostos, que, na era Meiji, passaram a ser cobrados em dinheiro, enquanto antes eram cobrados em espécie (parte da produção agrícola).

Os camponeses sem terra foram para as principais cidades, que ficaram saturadas. As oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras, formando uma massa de trabalhadores miseráveis.

A política emigratória colocada em prática pelo governo japonês tinha como principal objetivo aliviar as tensões sociais devido à escassez de terras cultiváveis e endividamento dos trabalhadores rurais, permitindo assim a implementação de projetos de modernização.[5]

A partir da década de 1880, o Japão incentivou a emigração de seus habitantes por meio de contratos com outros governos.[6] Antes do Brasil, já havia emigração de japoneses para os Estados Unidos (principalmente Havaí), Peru e México. No início do século XX, também houve grandes fluxos de emigração japonesa para colonizar os territórios recém-conquistados da Coreia e Taiwan. Somente no Brasil e Estados Unidos se formaram grandes colônias de descendentes de japoneses. Praticamente todos os imigrantes que formaram grandes colônias na Coreia e Taiwan retornaram ao Japão depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Necessidade de imigração no Brasil

Ryu Mizuno (centro), que organizou a primeira viagem de imigrantes japoneses ao Brasil

Com a expansão das plantações de café, faltava mão-de-obra na zona rural paulista no final do século XIX e no início do século XX. A economia cafeeira foi o grande motor da economia brasileira desde a segunda metade do século XIX até a década de 1920.

O Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846, até então era considerado muito distante física e politicamente do Brasil. O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895.

Além disto, a política de imigração brasileira era executada não só como um meio de colonizar e desenvolver o Brasil, mas também de “civilizar” e “branquear” o país com população europeia. A imigração de asiáticos foi praticamente proibida em 1890. Neste ano, o decreto nº 528 assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. O mesmo decreto não restringia, até incentivava, a imigração de europeus. Somente em 1892, foi aprovada a lei nº 97 que permitia a entrada de imigrantes chineses e japoneses no Brasil e, assim, o decreto nº 528 de 1890 perdeu seu efeito.[7]

O preconceito contra o recebimento de imigrantes asiáticos era muito forte. Todos asiáticos eram considerados raças inferiores que prejudicariam o “branqueamento” que ocorria no Brasil com o recebimento de imigrantes europeus. Havia também o medo do “perigo amarelo”, isto é, que as grandes populações de orientais se espalhassem étnica e culturalmente pelas Américas. O medo do “perigo amarelo” tinha sido exacerbado pelo expansionismo militarista do império nipônico que, buscando conquistar terras para colonizar, derrotou a China em 1895 e a Rússia, em 1905 (a terceira derrota de um país europeu em frente a um não-europeu nos tempos modernos, a primeira sendo a Invasão Mongol na Europa em 1241, a segunda a Itália perante a Etiópia em 1896). Finalmente, havia o sentimento de que o imigrante japonês era um “quisto inassimilável” devido a seus costumes e religião.[8]

Francisco José de Oliveira Viana, autor do livro clássico “Populações Meridionais do Brasil” (publicado em 1918), e Nina Rodrigues, criador da Medicina Legal no Brasil, foram os grandes ideólogos do “branqueamento” do Brasil.[9] Oliveira Viana propagava o antiniponismo pois considerava que “o japonês [fosse] como enxofre: insolúvel”.[8]

Apesar do preconceito, a necessidade de mão-de-obra era muito grande e a vinda de um navio com imigrantes japoneses começou a ser planejada para 1897. Entretanto houve uma crise de superprodução cafeeira nesta época, os preços internacionais desabaram e a vinda de imigrantes foi então desestimulada.[10]

Por volta de 1901, os preços internacionais do café haviam se recuperado e o governo do Brasil voltou a estudar o recebimento de imigrantes japoneses. O encarregado de negócios da primeira missão diplomática brasileira no Japão, Manuel de Oliveira Lima, foi consultado e deu parecer contrário ao projeto de recebimento de imigrantes japoneses. Escreveu então ao Ministério das Relações Exteriores alertando sobre o perigo de o brasileiro se misturar com “raças inferiores.[8]

Em 1902, o governo da Itália proibiu a emigração subsidiada de italianos para o Brasil. As fazendas de café sentiram uma grande falta de trabalhadores com a diminuição da chegada de italianos e o governo brasileiro aceitou o recebimento de imigrantes japoneses. Em 1907, o Brasil criou a “Lei de Imigração e Colonização”[6] que regularizou a entrada de todos imigrantes e acabou definitivamente com as restrições do decreto nº 528 de 1890.[7]

Em novembro de 1907, o empresário Ryu Mizuno firmou um acordo com o Estado de São Paulo pelo qual seriam trazidos 3.000 imigrantes japoneses para trabalhar como agricultores.[10] Este contrato pode ser considerado como o marco inicial da imigração japonesa para o Brasil.

A pré-imigração

Apesar de receber japoneses durante o final do século XIX e nos anos iniciais do século XX, na condição de visitantes, somente em 1906 chegou ao Brasil um grupo significativo disposto a estabelecer uma colônia.

Liderados por Saburo Kumabe, o grupo situou-se em 1907 na fazenda Santo Antônio, no atual município de Conceição de Macabu (então distrito de Macaé), no estado do Rio de Janeiro. A colônia durou cinco anos, fracassando por razões diversas. Além da falta de investimentos, epidemias e saúvas, o principal problema foi que se tratava de um grupo heterogêneo de pessoas – advogado, professores, funcionários públicos – sem agricultores com experiência em cultivar a terra.

Primórdios da imigração oficial

O navio Kasato Maru atracado no Porto de Santos, 1908

Imigrantes japoneses no Kasato Maru, Porto de Santos, 1908

O Kasato Maru é considerado pela historiografia oficial como o primeiro navio a aportar no Brasil com imigrantes japoneses. A viagem de 52 dias começou no porto de Kobe e terminou no Porto de Santos em 18 de Junho de 1908. Vieram 165 famílias (781 pessoas) que foram trabalhar nos cafezais do oeste paulista.

O recebimento não foi especialmente caloroso. Apenas um jornalista elogiou os imigrantes dizendo que eles eram “limpos”, coisa não muito comum entre os europeus naquela época. A revista carioca “O Malho” em sua edição de 5 de dezembro de 1908 publicou uma charge de imigrantes japoneses com a seguinte legenda: “O governo de São Paulo é teimoso. Após o insucesso da primeira imigração japonesa, contratou 3.000 amarelos. Teima pois em dotar o Brasil com uma raça diametralmente oposta à nossa“.[8]

Na primeira leva de imigrantes de 1908, poucos eram agricultores, e assim relatou o presidente do Estado de São Paulo Manuel Joaquim de Albuquerque Lins em sua mensagem ao Congresso do Estado de São Paulo em 1909:

A immigração japoneza parece não produzir os resultados esperados. Os 781 primeiros imigrantes, introduzidos na vigencia do contracto de 6 de Novembro de 1907, deram entrada na Hospedaria da Capital em junho do anno indo; mas, na maioria individuos solteiros e pouco habituados á lavoura, esquivaram-se a certos serviços agricolas, que abandonaram aos poucos. Sómente ficaram nas fazendas algumas familias constituidas por verdadeiros agricultores, que trabalham muito a contendo dos fazendeiros em cujas propriedades se localizaram.”

O contrato previa que a estada dos imigrantes nas fazendas deveria ser de cinco anos, porém as más condições fizeram com que a maioria saísse das fazendas no mesmo ano.[6]

Somente em 28 de junho de 1910, chegou a Santos outro navio, o Ryojun Maru, trazendo mais 906 imigrantes japoneses.

Apesar de tudo, a imigração de japoneses continuou em ascensão. Em 1914, quando o governo de São Paulo interrompeu a contratação de imigrantes, a população japonesa no Brasil era estimada em apenas 10 mil pessoas.[6] Até 1915, chegaram no Brasil mais 3.434 famílias (14.983 pessoas) de imigrantes japoneses.

Dificuldades dos primeiros tempos

Os imigrantes japoneses tiveram muita dificuldade em se adaptar ao Brasil. Idioma, hábitos alimentares, modo de vida e diferenças climáticas acarretaram um forte choque cultural.

A maior parte dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e retornar para o Japão após poucos anos. Uma parcela considerável nunca aprendeu a falar o idioma português[carece de fontes?].

O enriquecimento rápido em terras brasileiras era um sonho impossível. Submetido a horas exaustivas de trabalho, o imigrante tinha um salário baixíssimo e o preço da passagem era descontado no salário. Ademais, tudo o que o imigrante consumia deveria ser comprado no armazém do fazendeiro. Em pouco tempo as dívidas se tornavam enormes.

Entretanto, através de um sistema de parceria com fazendeiros locais, muitos japoneses conseguiram economizar e comprar seus primeiros pedaços de terra. A primeira compra de terra por japoneses no interior de São Paulo ocorreu somente em 1911.[6] Com a ascensão social e a vinda de parentes, a maioria dos imigrantes japoneses decidiu-se pela permanência definitiva no Brasil.

Outro fator que facilitou a permanência definitiva no Brasil foi que os contratos de imigração eram feitos com famílias. Japoneses solteiros não podiam imigrar sozinhos, como foi permitido com outras etnias. O padrão comum foi a imigração de famílias de japoneses com filhos pequenos ou de casais recém-casados.

A primeira geração nascida no Brasil viveu de forma semelhante a de seus pais imigrantes. Ainda pensando em regressar, os imigrantes educavam seus filhos em escolas japonesas fundadas pela comunidade. A predominância do meio rural facilitou tal isolamento. Cerca de 90% dos filhos de imigrantes japoneses falavam apenas o idioma japonês em casa. Muitos brasileiros de origem japonesa em zonas rurais ainda possuem dificuldades em falar o idioma português.

A partir de 1912, grupos de japoneses passaram a residir na ladeira Conde de Sarzedas em São Paulo.[8] O local era próximo do centro da cidade e alugar cômodos ou porões de sobrados era o melhor que os pobres imigrantes podiam pagar. Na década de 1920, a rua Conde de Sarzedas já era conhecida como o local preferido de residência dos japoneses que deixavam o campo. Com o crescimento da comunidade, o entorno do bairro da Liberdade tornou-se então um bairro japonês com lojas e restaurantes típicos.[6]

  • Imigrantes japoneses indo para a colheita de café, 1930
  • Imigrantes japoneses cuidando de plantação de café
  • Imigrantes japoneses peneirando café
  • Japanese Imigrants in tea Plantation 01.jpg
    Imigrantes japoneses em plantação de chá em Registro, São Paulo
  • Japanese Imigrants in tea Plantation 02.jpg
    Imigrantes japoneses em plantação de chá em Registro, São Paulo
  • Japanese Imigrants with silkworm breeding 01.jpg
    Imigrantes japoneses com sua criação de bicho-da-seda, São Paulo
  • Japanese Imigrants with silkworm breeding 02.jpg
    Imigrantes japoneses com sua criação de bicho-da-seda, São Paulo
  • Armazém japonês em São Paulo, 1940

Os imigrantes japoneses tiveram muita dificuldade em se adaptar ao Brasil. Idioma, hábitos alimentares, modo de vida e diferenças climáticas acarretaram um forte choque cultural.

A grande imigração nipônica

Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes japoneses para o Brasil cresceu enormemente. Entre 1917 e 1940, vieram 164 mil japoneses para o Brasil. A maior parte dos imigrantes chegou no decênio 19201930.

O crescimento da imigração para o Brasil foi estimulado quando os Estados Unidos baniram a entrada de imigrantes japoneses através da United States Immigration Act de 1924. Outros países, como Austrália e Canadá, também colocaram restrições a entrada de imigrantes japoneses. O Brasil tornou-se então um dos poucos países no mundo a aceitar imigrantes do Japão.

Também houve projetos de restrição de imigração de japoneses no Brasil. Em 22 de outubro de 1923, o deputado Fidélis Reis apresentou um projeto de lei de regulação da entrada de imigrantes com um artigo que dizia: É proibida a entrada de colonos da raça preta no Brasil e, quanto ao amarelo, será ela permitida, anualmente, em número correspondente a 5% dos indivíduos existentes no Brasil.[11]

A imigração de japoneses, entretanto, cresceu durante a década de 1930. Cerca de 75% dos imigrantes japoneses foram para São Paulo, estado que tinha grande necessidade de mão-de-obra para trabalhar nos cafezais. Com a abertura de novas frentes de trabalho, os imigrantes japoneses iam trabalhar também no cultivo de morango, chá e arroz. Pequenas comunidades nipo-brasileiras surgiram no Pará com imigrantes japoneses atraídos pelo cultivo da pimenta do reino.

Na década de 1930, o Brasil já abrigava a maior população de japoneses fora do Japão. Muitos imigrantes japoneses continuaram a chegar neste período, muitos deles atraídos pelos parentes que já tinham anteriormente emigrado.

  • Um dos últimos grandes desembarques de imigrantes japoneses no Porto de Santos (ano 1937 ou 1938)
  • Trem levando imigrantes japoneses partindo de Santos para a cidade de São Paulo (1935)
  • Imigrantes japoneses esperando acomodações na Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo (cerca de 1935)
  • Imigrantes japoneses na Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo (cerca de 1935)

O nacionalismo da Era Vargas

A Assembleia Nacional Constituinte de 1933 foi local de discussões de “teses científicas” de eugenia racial que propunham a necessidade do “branqueamento” da população brasileira. O grande defensor destas idéias foi o médico Miguel Couto (eleito pelo Distrito Federal, hoje Rio de Janeiro) apoiado por outros deputados médicos como o sanitarista Artur Neiva da Bahia e Antônio Xavier de Oliveira do Ceará. Juntos, eles pediram o fim da imigração dos degenerados “aborígenes nipões”.[8]

A consequência foi a aprovação por larga maioria de uma emenda constitucional que estabelecia cotas de imigração sem fazer menção a raça ou nacionalidade, e que proibia a concentração populacional de imigrantes. Segundo o texto constitucional, o Brasil só poderia receber, por ano, no máximo 2% do total de ingressantes da cada nacionalidade que fora recebido nos últimos 50 anos.[8] Apenas os portugueses foram excluídos dessa lei. Estas medidas não afetaram a imigração de europeus como italianos e espanhóis que já tinham ingressado em grande quantidade e cujo fluxo migratório era descendente. Entretanto, o regime de cotas, que irá vigorar até a década de 1980, restringiu a imigração de japoneses, assim como, futuramente, a de coreanos e chineses.

A ditadura do Estado Novo implantado por Getúlio Vargas em 1938 procurou ressaltar o nacionalismo brasileiro através da repressão à cultura de imigrantes que formavam comunidades fechadas como os japoneses e alemães.

O decreto nº 383 de 18 de abril de 1938 determinou várias proibições aos estrangeiros: não poderiam participar de atividades políticas, formar qualquer tipo de associação, falar línguas estrangeiras em público ou usá-las como língua de alfabetização de crianças.

A transmissão de programas de rádio em línguas estrangeiras foi proibida. As publicações impressas (jornais, revistas, livros) em língua estrangeira também foram proibidas, a não ser que fossem bilíngue, japonês-português, por exemplo. Como a publicação bilíngue era muito cara, jornais e revistas deixaram de circular. Em 1939, uma pesquisa da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, de São Paulo, mostrou que 87,7% dos nipo-brasileiros assinavam jornais em idioma japonês, um índice altíssimo para qualquer língua e qualquer época no Brasil.[8] O decreto nº 383 de 1938 praticamente acabou com a disseminação de informações na comunidade japonesa, pois boa parte desta sequer compreendia o idioma português.

A partir de então, a entrada de imigrantes japoneses ficou cada vez mais difícil. O ministro da Justiça Francisco Campos, em 1941, defendeu a proibição do ingresso de 400 imigrantes japoneses em São Paulo escrevendo: “seu padrão de vida desprezível representa uma concorrência brutal com o trabalhador do país; seu egoísmo, sua má-fé, seu caráter refratário, fazem deles um enorme quisto étnico e cultural localizado na mais rica das regiões do Brasil“.[5]

Segunda Guerra Mundial

A segunda geração de japoneses no Brasil desistiu, definitivamente, de retornar ao Japão, principalmente quando a eclosão da Segunda Guerra Mundial tornou impossível sair do Brasil.

Antes mesmo de entrar em guerra, o governo brasileiro tomou medidas que afetavam a comunidade nipo-brasileira. Quando houve os torpedeamentos de navios brasileiros por submarinos alemães, o bairro da Liberdade já concentrava a maior população de nipo-brasileiros na cidade de São Paulo. Alguns dias depois, na noite de 2 de fevereiro de 1942, agentes policiais do DEOPS – Departamento Estadual de Ordem Pública e Social, acordaram os nipo-brasileiros residentes nas ruas Conde de Sarzedas e da rua dos Estudantes e, sem qualquer ordem judicial, avisaram que eles teriam que abandonar a área em 12 horas. Sem ter para onde ir, a maioria ficou. Entretanto, o mesmo se repetiu na noite de 6 de setembro, quando se deu um prazo de dez dias para os nipo-brasileiros se mudarem definitivamente da região.[8]

A comunidade nipo-brasileira foi duramente atingida por medidas restritivas quando o Brasil declarou guerra ao Japão em agosto de 1942.

Nipo-brasileiros não podiam viajar pelo território nacional sem salvo-conduto expedido por autoridade policial; mais de 200 escolas da comunidade japonesa foram fechadas; os aparelhos de rádio foram apreendidos para que não se ouvissem transmissões em ondas curtas do Japão.[8]

Os bens das empresas japonesas foram confiscados[8] e várias empresas de nipo-brasileiros sofreram intervenções, entre as quais o recém-fundado Banco América do Sul.[12]

Os nipo-brasileiros foram proibidos de dirigir veículos automotores, mesmo se fossem táxis, ônibus ou caminhões de sua propriedade. Os motoristas contratados pelos nipo-brasileiros tinham que ter uma autorização da polícia.[8]

Os imigrantes e descendentes de italianos e alemães sofreram diversas formas de discriminação oficial ou não durante a Segunda Guerra Mundial, porém o sentimento foi mais forte contra os nipo-brasileiros. Milhares de imigrantes japoneses foram presos ou expulsos do Brasil por suspeitas de espionagem.[6] A delação anônima de atividades “contra a segurança nacional” surgia de desavenças entre vizinhos, cobrança de dívidas e até brigas de crianças.[8] Nipo-brasileiros foram presos por atividades suspeitas quando se reuniam em piqueniques e encontros artísticos.

O medo de contatos entre imigrantes e submarinos inimigos exacerbou-se. No dia 10 de julho de 1943, cerca de 10 mil imigrantes japoneses e alemães que residiam em Santos foram obrigados, em 24 horas, a fechar suas casas e negócios e a se mudar para longe do litoral brasileiro. A polícia agiu sem qualquer aviso prévio. Cerca de 90% das pessoas deslocadas eram nipo-brasileiros.[8] Restaram em Santos apenas nipo-brasileiros com cidadania brasileira, porém muitos também tiveram que se mudar para acompanhar seus pais ou cônjuges.[13] Para residir na baixada Santista, os japoneses passaram a dever possuir um salvo-conduto concedido conforme a vontade das autoridades policiais.[8]

Nunca foi confirmada qualquer suspeita de atividades de nipo-brasileiros contra a “segurança nacional”. Apesar disto, em 1942, a colônia japonesa que introduziu o cultivo da pimenta em Tomé-Açu, no Pará, foi praticamente transformada em um “campo de concentração” (expressão da época) do qual nenhum nipo-brasileiro poderia sair.[8] Nesta época, o embaixador brasileiro em Washington, Carlos Martins Pereira e Sousa, incentivava o governo do Brasil a transferir todos os nipo-brasileiros para “campos de internamento” sem necessidade de apoio jurídico, do mesmo modo como tinha sido feito com os nikkeis residentes nos Estados Unidos.[8]

A irreverência popular foi incentivada com marchinhas de Carnaval que ironizavam o imperador Hiroito e a “terra do micado”.[8] Um nipo-brasileiro sentia-se muito mais ofendido quando troçavam do imperador Hiroito do que um teuto-brasileiro quando troçavam de Hitler ou um ítalo-brasileiro quando troçavam de Mussolini. Na época, o imperador Hiroito não era somente Chefe de Estado, mas também a figura central da religião oficial japonesa, o xintoísmo, sendo venerado em altares domésticos como descendente dos deuses.

Notícias degradantes sobre os japoneses foram comuns na imprensa brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1945, David Nasser e Jean Manzon, a dupla de jornalista-fotógrafo mais famosa do país, publicaram em “O Cruzeiro“, a revista de maior tiragem da época, uma matéria ilustrada na qual pretendiam ensinar aos brasileiros a distinguir um japonês de um chinês. David Nasser escreveu, entre outras coisas, que o japonês podia ser distinguido pelo “aspecto repulsivo, míope, insignificante”.[8]

  • Imigrantes japoneses derrubando mata virgem
  • Imigrantes japoneses com sua plantação de batatas
  • Família de imigrantes japoneses
  • Família de imigrantes japoneses

 Pós-guerra

O forte antiniponismo continuou no Brasil além do final da Segunda Guerra Mundial.

Nesta época, surgiu a Shindo Renmei, uma organização terrorista formada por nipo-brasileiros que assassinava os nipo-brasileiros que acreditavam na derrota japonesa. Os assassinatos cometidos pela Shindo Renmei e o sentimento antinipônico da época causaram vários conflitos violentos entre brasileiros e nipo-brasileiros.

Os políticos brasileiros continuaram a valorizar o imigrante europeu como o mais desejado. O decreto-lei nº 7.967 de 1945 regulava a política imigratória e dizia que o ingresso de imigrantes dar-se-ia considerando a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia.[11]

Além de preferir o imigrante europeu, alguns políticos brasileiros propuseram medidas extremamente antinipônicas. Durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1946, foi colocada em votação a emenda no 3165 proposta pelo deputado carioca Miguel Couto Filho (filho do deputado constituinte de 1934) que dizia apenas: “É proibida a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência”. Frequentemente, o deputado Miguel Couto Filho discursava na tribuna da assembleia constit

 
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Publicado por em 24/05/2011 em Japoneses

 

Judaísmo no Brasil- entenda como começou

Judaísmo no Brasil

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

 

 

Judeus brasileiros יהודים הברזילאי
Israel Brasil
Henrysobel21092006.jpg Marcelo Gleiser.JPG Moacir Scliar.jpg
Silviosantos.jpg Dan Stulbach.jpg Natália Timberg.jpg
Roberto Justus.jpg Serginho Groisman.jpg Juca Chaves.jpg
Bussunda AgBrasil.jpg Niskier09102006.jpg Minc.jpg
Notáveis Judeus brasileiros:
Henry SobelMarcelo GleiserMoacyr Scliar
Silvio SantosDan StulbachNatália Thimberg
Roberto JustusSerginho GroismanJuca ChavesBussundaArnaldo NiskierCarlos Minc
População total
91.795 (1980)[1]
Regiões com população significativa
Bandeira do Estado de São Paulo.svg São Paulo 44.569  
Bandeira Estado RiodeJaneiro Brasil2.svg Rio de Janeiro 29.157  
Bandeira Estado RioGrandedoSul Brasil.svg Rio Grande do Sul 8.330  
Bandeira do Paraná.svg Paraná 2.408  
Bandeira de Minas Gerais.svg Minas Gerais 1.656  
Bandeira de Pernambuco.svg Pernambuco 1.276  
Bandeira do Pará.svg Pará 899  
Bandeira da Bahia.svg Bahia 855  
Línguas
Português, Hebraico, Yidish, Alemão, Polaco, Russo, Ladino.
Religiões
Judaísmo
Grupos étnicos relacionados
Ashkenazim, Sefaradim, Mizrahim e outras divisões étnicas do Judaísmo.

O Brasil conta hoje com uma população de 96.000 judeus,[2] sendo a segunda maior comunidade judaica da América Latina e a décima primeira a nível mundial.

A imigração judaica no Brasil foi um movimento migratório do início do século XIX até a primeira metade do século XX, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Norte. Somam hoje mais de 90 mil praticantes do Judaísmo no Brasil, sendo o número de ascendentes não muito exato. O judeu brasileiro é um brasileiro que possui ascendentes e/ou crença judaica. Também são consideradas judeus brasileiros as pessoas nascidas no exterior mas radicadas no Brasil.

Os judeus no Brasil colônia

O Brasil foi palco para a primeira comunidade judaica estabelecida nas Américas. Com a expulsão dos judeus de Portugal, logo após a sua descoberta, judeus convertidos ao catolicismo (cristãos-novos) já se haviam estabelecido na nova colônia. Ao menos dois pisaram na terra quando Pedro Álvares Cabral chegou em 1500, fazendo parte de sua tripulação: Mestre João, médico particular da Coroa Portuguesa e astrônomo; e Gaspar da Gama, intérprete (ajudara Vasco da Gama nas Índias, onde vivia) e comandante da nau que trazia mantimentos.

Nos dez anos seguintes, outros dois judeus naufragaram perto da costa brasileira e integraram-se aos indígenas: João Ramalho e Diogo Álvares Correia, o “Caramuru”, que serviriam de intérpretes para novos portugueses que foram chegando. No mesmo período, Fernão de Noronha extraía pau-brasil da costa atlântica; as árvores ficariam conhecidas como “madeira judaica”. Muitos judeus portugueses, procurando fugir da intolerância católica em Portugal, viam no “novo mundo” a oportunidade de praticar livremente seu culto, incluindo-se aí os cristianizados que praticavam o judaísmo em segredo – os cristãos-novos. Martim Afonso de Sousa era um dos cristãos-novos que chegaram ao Brasil no século XVI, como governante de uma das capitanias hereditárias.

Mais judeus pioneiros chegaram ao país na época das invasões holandesas do Brasil, em 1630, uma vez que compunham na Holanda uma comunidade tolerada, razão pela qual os holandeses foram bem recebidos pela comunidade judaica já estabelecida no Brasil. O Nordeste brasileiro ficou sob o domínio holandês por vinte e quatro anos e, neste período, muitos sefarditas se estabeleceram no país, principalmente em Recife, onde tornaram-se prósperos comerciantes e fundaram a primeira sinagoga das Américas. Com a expulsão dos holandeses, a maioria dos judeus estabelecidos no Brasil fugiram para os Países Baixos ou outras possessões holandesas, como as Antilhas e Nova Amsterdã, que posteriormente seria renomeada como Nova York após ser cedidas aos ingleses. Ali fundaram a primeira comunidade judaica dos Estados Unidos.

As últimas informações sobre a presença destes judeus ibéricos no Brasil datam de meados do século XVIII. Nessa época, com o desenvolvimento da mineração na colônia, milhares de portugueses se deslocaram para a região das Minas Gerais, entre eles, um número considerável de cristãos-novos. Através da Inquisição, muitos desses sefarditas foram julgados, enviados à Portugal e condenados à prisão. De fato, muitos desses cristãos-novos não mais mantinham ligações com o judaísmo, mas, por serem ricos comerciantes e mineiros, eram acusados de praticar judaísmo por seus inimigos e dificilmente se livravam das condenações da Inquisição.

No final do século XVIII, já não havia mais relatos sobre judeus no Brasil. Todos haviam saído da colônia ou se convertido ao Cristianismo, o que faz com que muitos brasileiros possuam, mesmo sem saber, origens em judeus portugueses.

A imigração a partir do século XIX

Uma nova onda de imigrantes judeus, sefarditas, começou a chegar ao Brasil em 1810, vindos principalmente do Marrocos, estabelecendo-se na Amazônia, principalmente em Belém, onde fundaram em 1824 a mais antiga sinagoga em funcionamento no Brasil e, em 1848, o primeiro cemitério israelita do país; e em Manaus, onde chegaram em 1880. Boa parte dos que chegaram no final do século vinham em função da época dourada da borracha, e sua vinda foi financiada pelos que já estavam na região. Cametá, no interior do Pará, chegou a ter metade de sua população branca constituída de sefarditas.

As famílias mais ricas mudaram-se para o Rio de Janeiro com o declínio da borracha. Ainda assim, a grande assimilação que tiveram na região, envolvendo também sincretismo religioso, fez com que a proporção de descendentes de judeus entre a população branca da Região Norte (amplamente de sefarditas) seja a maior do país. A saga dos judeus amazônidas foi levantada no livro Eretz Amazônia, de Samuel Benchimol.

Em fins do século XIX, uma outra onda de imigração judaica já se fazia presente no sul do Brasil, inserida dentro do fenômeno da grande imigração no Brasil, que ocorreu principalmente entre 1870 e 1920. Neste período, cerca de 5,5 milhões de imigrantes desembarcaram no Brasil, sendo o número de judeus não muito expressivo, pois estes preferiam imigrar para os Estados Unidos.

Com a Proclamação da República do Brasil, uma Constituição foi promulgada, garantindo liberdade religiosa no Brasil, o que facilitou a vinda de imigrantes judeus, desta vez um grande número de asquenazes: a maior parte era proveniente do Leste europeu, regiões da atual Polônia, Rússia e Ucrânia. A maioria desembarcava no porto de Santos e rumava para a cidade de São Paulo onde rapidamente constituiu-se uma próspera comunidade de comerciantes judeus. Com a ascensão do nazismo na Alemanha na década de 1930, formou-se um maior contingente de imigrantes judeus (asquenazes em sua maioria) rumando para o Brasil. Além de São Paulo (principalmente no Bom Retiro), os judeus marcaram presença no Rio de Janeiro, no Sul do Brasil e em outras partes do país. No Rio Grande do Sul possui a fazenda Philipson, fundada no ano de 1904. Ela é considerada como a formadora da primeira escola judaica no Brasil e está localizada no município de Itaara ao lado da BR-158. Posteriormente os imigrantes e descendentes migraram do Bom Retiro para regiões nobres da cidade de São Paulo, como Higienópolis e Jardins.[3]

No Brasil, os imigrantes judeus praticamente não encontraram resistência religiosa e ficaram isentos de preconceito por parte da população local, o que tornou sua adaptação muito mais fácil que as comunidades judaicas norte-americana e argentina, por exemplo. Hoje em dia, a comunidade judaica brasileira participa ativamente na sociedade e estão bastante integrados no país.

Origem dos judeus brasileiros

Perguntados sobre sua origem étnica, os judeus brasileiros responderam:[4]

 
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Publicado por em 24/05/2011 em Judeus

 

Judeus já comemoram 100 anos no Bom Retiro

Centenário de imigração em São Paulo é em 2012, mas celebrações já começaram. Mostra especial foi montada na primeira sinagoga da cidade e conta com diversos objetos antigos

“Oh! Bom Retiro.” Era com essa expressão que muitos imigrantes judeus começavam a chegar, há 99 anos, no famoso bairro paulistano. Vindos do Leste Europeu, diversos deles fugidos de sistemas econômicos e políticos opressores, o nome do bairro era um convite para o início de uma nova vida. O centenário é no ano que vem, mas as comemorações já começaram. Uma exposição especial sobre a imigração foi montada neste mês na Sinagoga Comunidade Israelita (Rua da Graça, 160). A mostra conta com dezenas de objetos antigos trazidos pelos primeiros imigrantes, bem como diversas fotografias sobre a comunidade. Há também informações sobre as quatro principais ondas de imigração feitas pelo povo judeu.

foto: Keiny Andrade/Diário SP
Memória: Carlos Dimant, guia espiritual da sinagoga, posa ao lado de fotografia pertencente à exposição. Para ele, memória judaica precisa ser reanimada.

A primeira ocorreu entre 1904 e 1914, promovida pela Jewish Colonization Association (Associação de Colonização Judaica). A segunda onda foi de 1914 a 1933, com imigrantes saindo da Europa Oriental, ajudados por instituições religiosas e beneficentes. O terceiro fluxo foi o mais tenebroso, entre 1933 e 1945, período do Holocausto. No Brasil, o governo de Getúlio Vargas emitiu as chamadas “circulares secretas” com o objetivo de impedir a entrada dos judeus no país. Por fim, a quarta onda foi de 1945 a 1957, período de pós-guerra e de judeus fugindo da revolução húngara, ocorrida em 1956.

“Queremos manter vivas a memória e as tradições judaicas em São Paulo. No Bom Retiro, a comunidade judaica ficou muito esvaziada. Os descendentes dos comerciantes não quiseram manter os negócios e foram morar em outros bairros, principalmente Higienópolis e Jardins”, afirmou o professor Carlos Zelio Dimant, guia espiritual da sinagoga.

No final do século 19, o Bom Retiro foi reduto de italianos, sendo seguidos dos judeus. Atualmente, o bairro tem a presença marcante de coreanos e, em menor escala, de bolivianos, em razão do comércio têxtil. Em todo estado, estima-se que vivam 60 mil judeus.

Clima europeu/ Entre os primeiros imigrantes a chegar no bairro estão os pais do industrial Aizic Bauman, de 55 anos. “Eles eram perseguidos por comunistas na Romênia. Desembarcaram no Porto de Santos e vieram para o Bom Retiro. Na época, falava-se que São Paulo tinha um clima parecido com o europeu”, contou Bauman. Ele mantém um negócio no bairro. Em Higienópolis, vivem seu irmão Daniel, de 65 anos, e o primo Mirel Waldman, de 66. Os três costumam se encontrar e relembrar histórias do Bom Retiro.

A exposição é gratuita e vai até o final de julho. Está aberta todos os dias, das 10h às 18h.

12/05/2011

Fonte: Jornal Diário de S. Paulo

 
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Publicado por em 24/05/2011 em Notícias