RSS

Arquivo da categoria: Haitianos

Haitianos que passam por SP conseguem emprego em outros Estados

Pelo menos 411 dos 650 haitianos que chegaram a São Paulo em junho deste ano já conseguiram emprego. Segundo a Missão Paz, a maioria conseguiu trabalho em frigoríficos na região Sul do país.

De acordo com o padre Paolo Parise, responsável pela pastoral Missão Paz, que cuida de imigrantes na capital, o número de haitianos diminuiu nos últimos meses. Em abril, ápice do movimento migratório, mais de 800 imigrantes chegaram a São Paulo –a maioria vinda do Acre.

“Em junho o fluxo foi intenso, após o início da Copa caiu um pouco o movimento tanto de haitianos quanto das pessoas interessadas em empregá-los”, afirmou Parise.

Neste mês, 80 haitianos chegaram a São Paulo, afirmou o padre. Todos estão com carteira de trabalho e esperam por uma oportunidade no Brasil.

Tráfico de imigrantes

Após 72 horas de viagem imigrantes chegam ao abrigo no centro de São Paulo

Segundo Parise, a maioria dos imigrantes conseguiu emprego em frigoríficos, principalmente em Santa Catarina e no Paraná.

Há aqueles que também conseguiram trabalho na construção civil e em serviços gerais em outras partes do país.

Muitos daqueles que já estão empregados tinham experiência e formação técnica no Haiti. Atualmente, o albergue da prefeitura, na região do Glicério (região central), tem 250 haitianos. Na Missão Paz, são 110 estrangeiros.

É preciso estar com os documentos regularizados para aceitar as vagas de emprego em acordo com as leis trabalhistas brasileiras. O Brasil concede aos haitianos o visto humanitário, pelo qual eles têm o direito de trabalhar e estudar no país, além de ter acesso aos mesmos serviços públicos que os brasileiros.

O fluxo de imigrantes para São Paulo fez com que os governos federal, estadual e municipal anunciassem uma ação conjunta. No final de maio, foi assinado um termo de compromisso de um “plano de apoio aos imigrantes”.

A ideia é coibir a prática de “coiotes” que aliciam haitianos para entrar no Brasil ilegalmente e garantir que os imigrantes tenham acesso a documentos para que trabalhem no país enquanto estiverem aqui.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/07/1483816-haitianos-que-passam-por-sp-conseguem-emprego-em-outros-estados.shtml

 
Deixe um comentário

Publicado por em 14/07/2014 em Haitianos, Notícias

 

Haitianos em SP podem parar na rua, diz diretor de ONG para refugiados

SÃO PAULO – Professor de sociologia e neto de um refugiado sérvio, Marcelo Haydu fundou, em 2010, em São Paulo, o Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado). Desde então, a ONG já teve contato com mais de 700 estrangeiros que procuraram o Brasil para viver, fornecendo aulas de português e inserindos-os no mercado de trabalho. Ele acha que a vinda de mais haitianos para São Paulo – depois da desativação do abrigo de Brasiléia – era esperada, mas reclama da falta de estrutura do Brasil como um todo para receber estrangeiros. E alerta: há risco dos haitianos não conseguirem moradia e irem parar na rua.

Por que o senhor diz que a vinda dos haitianos para São Paulo era esperada?

Porque a presença deles em Brasiléia estava criando um constrangimento para a população local. Os postos de saúde estavam lotados de haitianos, não havia como empregar todo o mundo, não havia estrutura.

E São Paulo possui esta estrutura?

O Brasil como um todo não tem. A política para os refugiados é completamente desorganizada. O governo permite que os haitianos entrem aqui, mas não lhes dão estrutura de acolhimento digno; há um problema sério de moradia, alimentação, curso de português. Mas pelo menos em São Paulo existe mais oportunidade, há muita oferta de emprego, principalmente no ramo da construção civil e da metalurgia, a remuneração e a saúde pública são melhores. Temos mais ONGs que lidam com a questão. Só hoje, nossa ONG foi procurada por três empresas nos oferecendo 40 vagas para estrangeiros.

Mas há o risco desses haitianos, enquanto não acham emprego e não conseguem se comunicar, irem parar na rua?

Sim. Se não tem para onde ir, vão pra onde? Pra rua. A falta de uma estrutura, de uma política organizada, não oferece a eles condições mínimas para que sejam autônomos mais rapidamente. Já me deparei com casos de estrangeiros dormindo em praças e debaixo de viadutos de São Paulo. Acaba que eles são acolhidos por outros refugiados. Isso num contexto de tantos espaços públicos ociosos, não é? Os recursos para receber essas pessoas o Brasil tem, o que falta é vontade política.

E olha que a regularização dos haitianos é muito mais rápida do que a de outros refugiados estrangeiros…

Pois é, se chega um africano aqui ele demora até seis meses só para ser entrevistado pela Polícia Federal. E só depois que ele tiver os documentos é que ele pode trabalhar. A verba dada a eles pela Caritas (ONG que recebe dinheiro da ONU para auxiliar refugiados) não é suficiente, os abrigos estão cheios. Ou seja, o governo permite que entrem, mas não lhes dão acolhimento digno.

Fonte: http://oglobo.globo.com/pais/haitianos-em-sp-podem-parar-na-rua-diz-diretor-de-ong-para-refugiados-12148113

 
Deixe um comentário

Publicado por em 11/04/2014 em Haitianos, Notícias

 

Rotas de imigração haitiana ao Brasil são mapeadas

O governo federal terá, até outubro, dados consolidados das rotas utilizadas pelos haitianos que entram ilegalmente no País. O estudo envolve profissionais do Brasil, Equador, Peru, da Bolívia e do Haiti em parceria feita por organismos nacionais em internacionais. No caso do Brasil, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada às Nações Unidas, vai fazer parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego. Nos demais países, a OIM articulou a iniciativa com acadêmicos e voluntários.

O professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), Duval Fernandes, é o coordenador do trabalho no Brasil. Em reuniões com os profissionais envolvidos, ele disse que alguns temas colocados pelos colegas da Bolívia e do Peru serão objeto de investigação de campo. Também participam das pesquisas órgãos não governamentais como o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).

Um dos temas é a questão da instalação de mercados informais, por parte de haitianos, nas rotas de imigração, na maioria das vezes patrocinadas por coiotes. Duval Fernandes destacou que, pelas informações previamente colhidas, “a lógica indica que as redes migratórias têm a tendência (com o tempo) de se solidificar pelo caminho”. O coordenador do trabalho acrescentou que esses haitianos que teriam se estabelecido nas rotas observaram a oportunidade de ganhar dinheiro com a imigração mas, necessariamente, não estão envolvidos com o tráfico de pessoas.

Nesse trabalho, explicou, caberá aos colegas equatorianos, peruanos e bolivianos mapear as rotas em operação, os perigos a que são submetidos os haitianos, bem como dificuldades e vulnerabilidade. No Brasil, profissionais sob a coordenação do professor Fernandes viajarão em maio para Manaus (AM). O objetivo será avaliar como as mulheres haitianas são inseridas no mercado de trabalho brasileiro e as dificuldades enfrentadas para conseguir um emprego.

“Elas não vão para a construção civil (maior contratante). A possibilidade é conseguir trabalho em profissões como empregadas domésticas ou áreas de serviços”, disse o professor mineiro. Ele destacou que esses empregos necessitam de qualificação mínima, como falar o português, o que demanda alguma profissionalização dessas mulheres. A investigação de campo vai incluir um levantamento sobre como vivem os primeiros haitianos que imigraram ao Brasil e se estabeleceram aqui.

Já foram mapeadas pessoas em Rondônia, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Muitos deles se submeteram aos coiotes com a promessa que, no Brasil, ganhariam um salário de até R$ 10 mil. Duval Fernandes destacou que em conversas prévias, alguns se mostraram decepcionados com a vida no País. “Nossa proposta é que essas pessoas, em depoimentos que serão transmitidos no Haiti, mostrem claramente a realidade do mercado de trabalho. Isso reduziria muito a capacidade dos coiotes de ganharem dinheiro com a imigração ilegal”, frisou Fernandes.

Um problema observado pelo professor da PUC é a entrada ilegal, por Brasileia (AC), de pessoas de outros países, entre eles Bangladesh e República Dominicana. Com uma rota já consolidada na América do Sul, essas pessoas são submetidas a um mercado de coiotes bem mais elaborado, que o dos haitianos. Outro ponto sensível a ser observado pelos profissionais dos quatro países envolvidos no projeto, é a utilização dos haitianos como mulas – pessoas que transportam drogas para o narcotráfico – nessas rotas.

Duval Fernandes considerou positiva a presença de profissionais do governo federal no Acre, onde servidores da Polícia Federal e dos ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e do Desenvolvimento Social atuam em frentes para legalizar a permanência dessas pessoas no país e para dar apoio às medidas de atendimento implementadas pelo governo acriano. O professor ressaltou que se o Congresso Nacional não assumir a responsabilidade pela elaboração de uma política permanente para os imigrantes, todo o esforço do governo federal e dos governos estaduais serão em vão.

O levantamento das rotas de imigração, bem como os riscos a que são submetidos os haitianos, é patrocinado pela Organização Internacional para as Migrações, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, o convênio foi feito com o Ministério do Trabalho e Emprego e é conduzido internamento pelo Conselho Nacional de Imigração (Cnig). Além da parceria com a PUC-MG, o trabalho também recebe apoio de órgãos como o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).

Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/rotas-de-imigracao-haitiana-ao-brasil-sao-mapeadas,575465993090e310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

 
Deixe um comentário

Publicado por em 19/04/2013 em Haitianos, Notícias

 

Haitianos elevam o número de autorizações de estrangeiros no Brasil

24/06/2012 | por Jornal de Beltrão

A oportunidade de trabalho com uma renda acima da média em sua pátria vem atraindo para o Brasil milhares de pessoas nos últimos anos. No entanto, é de 2011 para cá que os números estão sendo cada vez mais expressivos. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no primeiro trimestre de 2012 foram concedidas 17.081 autorizações de trabalho para profissionais estrangeiros. Um crescimento de 31% em relação ao mesmo período no ano anterior. Os fatores que mais contribuíram para o aumento foram os vistos humanitários concedidos aos haitianos e as autorizações de até 90 dias, principalmente para técnicos estrangeiros responsáveis pela instalação de máquinas e equipamentos importados.

Pelas ruas de Pato Branco é fácil se deparar com homens que vieram do Haiti.

 

No total, as autorizações temporárias somaram 14.830 — 21% a mais que no mesmo período em 2011. Destas, 5.904 foram de até 90 dias, um acréscimo de 46%. Segundo o coordenador-geral de Imigração do MTE, Paulo Sérgio de Almeida, o crescimento desta modalidade de autorizações de trabalho significa o aumento no volume de investimentos em setores intensivos em máquinas, equipamentos e também a absorção de tecnologias e conhecimentos específicos.

A demanda por profissionais estrangeiros qualificados em caráter temporário teve crescimento da ordem de 33%, com 320 vistos a mais que no primeiro trimestre do ano passado. Isso ocorre especialmente pela expansão das atividades no Brasil de empresas de capital estrangeiro e em razão do rodízio de profissionais internacionais dessas empresas. O dado reflete ainda o aumento da procura por mão de obra estrangeira qualificada.

Os vistos humanitários, concedidos pelo Conselho Nacional de Imigração aos haitianos que ingressaram pela fronteira terrestre entre o fim de 2011 e janeiro de 2012, tiveram um grande impacto, com a concessão de 1.395 autorizações contra 196 nos três primeiros meses de 2011.

 

Pato Branco

Embora não existam dados oficiais sobre a entrada de haitianos em Pato Branco, algumas empresas comunicaram que trouxeram os trabalhadores e que novas remessas estão prestes a desembarcar por aqui. Estima-se que somente quatro empresas da cidade contrataram mais de 140 pessoas até agora. Outra comprovação pode ser vista pelas ruas da cidade em horários variados. Como possuem a pele bem escura, é fácil identificar haitianos que passaram a movimentar o setor imobiliário, de prestação de serviço e lojas.

 

Mercado de trabalho

As empresas que contratam estrangeiros devem comprovar que os trabalhadores admitidos possuem qualificação profissional, ou seja, escolaridade e experiência, compatível com as atividades que irão executar no Brasil. Devem, também, demonstrar a não existência de mão de obra especializada no país.

Para garantir o mercado de trabalho para os profissionais brasileiros, o MTE exige que a empresa mantenha um programa de treinamento de brasileiros para as atividades ocupadas inicialmente por estrangeiros por períodos de até um ano. Terminado o prazo de autorização, as empresas serão obrigadas a demonstrar a necessidade da continuidade da presença de estrangeiros, mesmo com o treinamento realizado de brasileiros para a função.

Fonte: http://www.guiaparanasudoeste.com.br/noticias/Noticia.aspx?id=10449

 
Deixe um comentário

Publicado por em 26/06/2012 em Haitianos, Notícias

 

Haitianos superlotam Casa do Migrante em São Paulo

por Cleide Carvalho | Agência O Globo – seg, 12 de mar de 2012

SÃO PAULO – Haitianos vindos do Acre e do Amazonas já superlotam a Casa do Migrante, em São Paulo, mantida pelos padres da Igreja Nossa Senhora da Paz, na Baixada do Glicério, no Centro. A capacidade máxima, de 100 pessoas, está esgotada. Na semana do carnaval, com a chegada de grupos de até 15 imigrantes haitianos num único dia, a casa chegou a acomodar 130 pessoas, espalhando colchões no salão principal.

Na última sexta-feira, dos 100 abrigados na casa, 41 eram haitianos. Para ajudar a acomodar os excedentes, um padre ofereceu uma casa perto da Via Dutra, para onde foram levados outros 21. (…)

- Não é fácil. Eles chegam em peso na porta da igreja e pressionam como grupo. O sonho deles é ficar em São Paulo. Só aceitam empregos em outras cidades quando não tem outro jeito – conta o padre Paolo Panise.

A Casa do Migrante iniciou dia 1º de fevereiro um serviço de mediação de empregos. Uma rede de supermercados de Londrina (PR) já levou 21 haitianos. A Eletropaulo contratou outros 35 para instalação de cabos de fibra ótica. Um dono de hotel levou quatro para trabalhar com ele. Os salários giram em torno de R$ 900. Para as mulheres, a situação é um pouco mais difícil. A maioria das ofertas é para empregada doméstica, com salários também em torno de R$ 900.

- Não quero dormir no emprego. Não consigo – diz Isesmie Bertilus, de 27 anos, que deixou dois filhos do Haiti, de 9 e 7 anos, e veio com o marido tentar a sorte no Brasil e está na Casa do Migrante há um mês.

É o mesmo tempo de permanência de Angelina Saintillus, de 28 anos, que está acompanhada do marido e do filho Isaac, um bebê de 6 meses. Em Brasileia, a família chegou a dormir no banheiro do hotel onde os haitianos eram acomodados à espera do visto. Ela não fala uma palavra em português ou espanhol. Espera apenas que o marido ganhe o sustento da família. Não é fácil. Um quarto de cortiço na Baixada do Glicério custa R$ 450 por mês. Não há cozinha, o banheiro é coletivo.

A assistente social da Casa do Migrante, Carla Aguilar, diz que já lhe alertaram que muitos outros haitianos chegarão a São Paulo nas próximas semanas. Eles vem busca de melhores salários.(…)

Em Limeira, o empresário Fábio Quatroni, da Solo Construtora, foi surpreendido por uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho numa obra onde trabalhavam seis dos 17 haitianos que foi buscar em Brasileia. Ele explica que as irregularidades na obra – falta de refeitório, banheiros e risco na parte elétrica – não eram de sua responsabilidade, já que sua empresa é uma terceirizada na construção do galpão.

- Fiquei assustado com a fiscalização do Ministério Público do Trabalho, mas os haitianos estão registrados em carteira e o salário mais baixo que paguei este mês foi de R$ 960,00 líquido. Ofereci casa, refeições, pago luz e água. Vou fazer isso até que consigam juntar dinheiro para viver com mais privacidade. Prometi que vou ajudá-los a trazer as famílias – diz Quatroni.

Na noite de sábado, o empresário teve nova surpresa. Mais três haitianos – duas mulheres e um homem – surgiram com suas malas numa das duas casas destinadas a abrigar os funcionários haitianos.

- Deixei entrar, vou fazer o quê? Deixar na rua? Os funcionários juraram que não chamaram esses três, que passaram o endereço apenas para suas famílias – contou Quatroni.

Às terças e quintas, Quatroni joga futebol com o grupo. Aos domingos, um ônibus da empresa leva os 17 haitianos funcionários da Solo para uma igreja evangélica de Limeira. Neste domingo, o ônibus levará 20.

Embora a maioria dos haitianos seja da religião evangélica, a igreja realizou em janeiro a primeira missa celebrada por um padre haitiano. No próximo dia 20 de maio, fará a primeira festa do Haiti.

Nesta terça-feira, os padres se reunirão na Arquidiocese de São Paulo para pedir ajuda ao cardeal Dom Odilo Scherer.

- Tem gente na porta todo o dia e não temos vagas – afirma o padre Paolo.

Fonte: http://spmigrantes.wordpress.com/2012/03/14/haitianos-superlotam-casa-do-migrante-em-sao-paulo/

 
Deixe um comentário

Publicado por em 16/03/2012 em Haitianos, Notícias

 

Consulado do Haiti em SP vira agência de empregos informal para imigrantes

Veja a matéria em:

 http://g1.globo.com/jornal-nacional/videos/t/edicoes/v/consulado-do-haiti-em-sp-vira-agencia-de-empregos-informal-para-imigrantes/1840868/

 
Deixe um comentário

Publicado por em 04/03/2012 em Haitianos, Notícias

 

São Paulo já tem seu reduto haitiano e consulado vira “agência de empregos”

 

Rodrigo Bertolotto
Do UOL, em São Paulo

 

Até dezembro último, Gislene Silva era mais uma dessas secretárias da avenida Paulista, cuidando da agenda, atendendo contatos e marcando reuniões para seu chefe. Agora ela é um dos elos para os imigrantes haitianos em São Paulo conseguirem entrar na sociedade e economia brasileiras.

Gislene recebe e organiza todas as empresas e as pessoas atrás da mão de obra que está vindo do Caribe via Peru e Acre. “É muita gente ligando. São postos que muitos brasileiros se negam a ocupar. Peço sempre para os empregadores potenciais mandarem um e-mail com todos os detalhes do trabalhador que estão procurando”, conta a secretária na sede consular.

Outro elo é Brunel Cadet, um haitiano com seis meses de Brasil que arrumou função dentro do consulado após varios encontros e reivindicações com George Antoine, o cônsul do país mais pobre do continente na cidade mais rica da América Latina.

Há algum tempo, Brunel estava dividido entre aceitar um emprego como ajudante de cadeirante ou a possibilidade de ter um posto no próprio consulado. A segunda posição foi o que aconteceu. Agora ele é a ponte entre os cerca de 1.600 haitianos na cidade e a economia formal do Brasil.

A maioria deles está concentrada nas ruas da Baixada do Glicério, um região degradada do centro paulistano com forte presença de moradores de rua (muitos vivem da reciclagem de lixo) e dos usuários de drogas expulsos da vizinha cracolândia recentemente. Os haitianos estão alojados na Casa do Migrante e em pensões da rua dos Estudantes, formando por lá uma “Little Haiti”, como é conhecido o reduto haitiano de Miami (antes do Brasil, os EUA e o Canadá eram o principal destino dos haitianos). Na igreja Nossa Senhora da Paz, localizada na rua do Glicério, já teve até missa em créole (língua local) para os recém-chegados.

“Meus patrícios preferem vir para São Paulo porque aqui o salário é mais alto que no Acre ou no Amazonas. Lá se consegue uma média de R$ 900 por mês. Aqui dá para ganhar o dobro ou mais”, conta o rapaz de 32 anos que deixou mulher e dois filhos em Porto Príncipe, a capital caribenha devastada por um terremoto em janeiro de 2010, fato que serviu de estopim para a nova diáspora haitiana.

Ele analisa as ofertas de emprego que aparecem no consulado. Depois, com seu português apenas funcional, faz uma primeira visita ao empregador, e ao final conversa com seus conterrâneos sobre as condições e lista os interessados.

“O pessoal prefere mais construção civil, porque pode aprender um metier, além da estabilidade das grandes obras e o dinheiro das horas-extras. Quanto mais serviço, melhor, assim mandam mais dinheiro para o Haiti”, revela Brunel, que está organizando uma associação dos haitianos na cidade. 

Dezenas deles estão trabalhando na reforma do Complexo Esportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera. A empresa responsável pela obra, a Recoma, afirma que eles são de empresas terceirizadas que atuam na obra. Por outro lado, a Recoma não quer que TVs e e jornais entrevistem os trabalhadores para evitar qualquer tipo de notícia negativa na obra pública, mesmo estando em situação regular no país.

Missa reúne imigrantes haitianos em São Paulo

Foto 20 de 26 – Missa na igreja Nossa Senhora da Paz, no bairro da Liberdade, reuniu imigrantes haitianos e o cônsul do país em São Paulo, George Antoine, em uma cerimônia em creóle (idioma na nação caribenha). Cerca de 1.600 imigrantes do Haiti estão na capital paulista à procura de emprego da leva recente que entrou no país via o Peru e o Acre. Mais Rogério Cassimiro/UOL

Já para as mulheres (menos de 20% da leva migratória), há muita vaga de empregada doméstica que durma no serviço. Para os casais, há gente querendo caseiros para sítios, além de auxiliares de garçom ou cozinheiro para restaurantes.

Um grupo de 24 haitianos partiu de ônibus fretado para a cidade paranaense de Ibiporã, cidade vizinha a Londrina, para trabalhar em empresas de logística por lá. “É um trabalho braçal de carga e descarga, mas é para a gente melhorar de vida”, resume Sadrac Darcelin, que trabalhava como contador em Porto Príncipe até o terremoto de 2010 arrassar a empresa em que trabalhava e, consequentemente, sua carreira.

“Quero aprender bem o português e ter uma profissão boa aqui no Brasil para depois chamar minha família para cá”, diz Darcelin na porta do minibus que o levará por mais uma estrada rumo ao sonhado emprego. Um caminho que começou pelo aeroporto de Santo Domingo (na vizinha República Dominicana), passou por Panamá, Equador, Peru, Acre e, finalmente, São Paulo.

“A orientação do governo haitiano é que ajudemos os compatriotas que chegam para que isso sirva de exemplo para quem busca uma vida melhor em nosso país”, conta o consul George Antoine, que está no posto em São Paulo há 30 anos. “Nunca imaginei que o consulado fosse virar uma agência de emprego, mas a força das circunstâncias nos levou a isso. Estamos tentando cadastrar todos. A limitação que o governo brasileiro estabeleceu em janeiro está até nos ajudando a conseguir organizar as coisas”, completa o diplomata.

Haitianos no Brasil

Foto 15 de 27 – 23.dez.2011 – Haitianos fazem oração na entrada do hotel Brasiléia, na cidade de Brasiléia, no Acre. O governo brasileiro anunciou que vai regularizar a situação de 4.000 haitianos que se encontram no país Mais Joel Silva/Folhapress
 
Deixe um comentário

Publicado por em 10/02/2012 em Haitianos

 

Em SP, nos últimos anos, houve um salto de imigrantes vindos do Haiti

SÃO PAULO – Há seis meses no Brasil, o haitiano Christal Joseph, 25 anos, quer juntar dinheiro para voltar ao seu país, mas sonha em antes viajar pelo Brasil a passeio. Diz ainda que não está muito feliz na capital paulista, pois não recebeu os salários dos dois últimos meses em que trabalhou como ajudante de carpinteiro na construção de um prédio.

- O Brasil está melhor que outros países, e muita gente fala que São Paulo é o melhor do Brasil. Agora não sei se posso dizer se o Brasil é bom, porque trabalhei e não recebi – conta ele ao GLOBO.

Joseph é um dos muitos haitianos que, segundo o Consulado do Haiti em São Paulo, chegam ao estado buscando emprego, principalmente na construção civil. De acordo com o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, antes do terremoto do Haiti, ocorrido em janeiro de 2010, havia cerca de 30 a 40 haitianos morando no estado. Hoje, são de 600 a 800.

- São pessoas que querem trabalhar, juntar dinheiro para mandar para a família. A maioria tem nível de escolaridade mais baixo – afirma o cônsul.

Foi pela Bolívia que Joseph entrou no Brasil. Mas não saiu do Haiti: veio da República Dominicana. Segundo ele, no seu país, sua família está trabalhando – o pai é lavrador e a mãe, vendedora -, mas ainda não conseguiu reformar a casa afetada pelo terremoto.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/sp-nos-%C3%BAltimos-anos-houve-salto-imigrantes-vindos-005119954.html

 
Deixe um comentário

Publicado por em 08/01/2012 em Haitianos, Notícias

 

1,6 mil haitianos receberam visto para trabalhar e estudar no Brasil em 2011

O Ministério da Justiça (MJ) divulgou, nesta sexta-feira (6), que 1,6 mil haitianos, que entraram ilegalmente no país, tiveram sua situação regularizada após a emissão de vistos humanitários em 2011. O documento é emitido pelo Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e permite que os estrangeiros possam trabalhar e estudar no Brasil.

Segundo o MTE, 634 haitianos receberam o visto entre janeiro e setembro de 2011 — último período com dados analisados e concluídos pelo ministéro. Destes, 397 estão no Amazonas, 207 no Acre, 14 em São Paulo, três no Tocantins e 13 em outros estados.

Ainda de acordo com o Ministério da Justiça, estima-se que cerca de quatro mil haitianos tenham entrado no Brasil em 2011. Outros dois mil imigrantes do Haiti entraram com processo para obter o visto humanitário e são analisados pelo MJ e pelo MTE.

O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, informou que os haitianos não podem ser considerados como refugiados, pois não estão enquadrados na Convenção de Genebra, de 1951, e na lei nº 9.474/97, do Brasil. Eles são tratados como imigrantes sob caráter humanitário.

Cerca de 500 haitianos entraram no Acre entre Natal e Ano Novo, segundo Secretária de Justiça e Direitos Humanos do estado (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)Cerca de 500 haitianos entraram no Acre entre Natal e Ano Novo, segundo Secretária de Justiça e Direitos Humanos do estado (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)

Situação no Acre
Segundo a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre, cerca de 500 haitianos entraram no período entre Natal e Ano Novo. O governo acriano solicitou ajuda ao governo federal para prestar assistência humanitária aos haitianos. Foram doadas, de acordo com o Ministério da Justiça, 14 toneladas de alimentos. Destas, oito toneladas já foram entregues, segundo as autoridades do Acre.

O Ministério da Justiça informou que a Polícia Federal está monitorando esses haitianos que entraram no país no fim de ano e começo de 2012. A maioria deles fica em Brasiléia e em Epitaciolândia. “Hoje, temos 1.250 haitianos no Acre. Eles recebem três refeições diárias, mas conseguimos dar alojamento para 80 deles, a maioria mulheres com crianças e idosos. Todos ficam em uma pousada alugada pelo governo estadual”, disse Nilson Mourão, secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre.

De acordo com ele, 2,5 mil haitianos já passaram pelo Acre desde fevereiro de 2011. “Assim que consquistam o visto, eles procuram seus destinos no país. O Acre não é o destino final deles, pois muitos querem ir para Rondônia, Santa Catarina e São Paulo”, afirmou Mourão.

Segundo o secretário, os haitianos que vão para Rondônia seguem para o estado vizinho para trabalhar nas usinas de Jirau e Santo Antônio. “Quem segue para Santa Catarina são procurados por empresas de construção de piscinas. Em São Paulo, são requisitados para a construção civil”, disse Mourão.

Segundo Ministério da Justiça, 1,2 mil haitianos receberam vistos humanitários em 2011 (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)Segundo Ministério da Justiça, 1,2 mil haitianos receberam vistos humanitários em 2011 (Foto: Divulgação/Gleisson Miranda/Secom-Acre)

Caminho até o Acre
Os haitianos que deixam Porto Príncipe, capital do Haiti, passam pela República Dominicana, seguem pelo Panamá e Equador e desembarcam em Lima, no Peru. No país peruano, os haitianos viajam para Puerto Maldonado.

Outro caminho feito por eles é pela cidade boliviana, Cobija. “Tanto de Puerto Maldonado como de Cobija, eles entram por Brasiléia e Epitaciolândia. Para a primeira cidade acriana, o acesso é por uma ponte. Para a segunda, apenas uma pequena rua separa os dois países. Felizmente, a PF está aumentando o efetivo e a fiscalização no trecho, dificultando a entrada de novos imigrantes ilegais”, disse Mourão.

De acordo com o secretário, os haitianos preferem ficar no Brasil do que nos países vizinhos como Bolívia e Peru. “Eles relatam que sofrem violência física e sexual, roubo e extorsão. Por isso eles praticamente correm para cá. O perfil dos haitianos é diferentes de outros que costumamos ver. Eles têm estudo, eram qualificados profissionais quando viviam no Haiti e podem ser bem aproveitados para diversas áreas de produção no país”.

Fonte: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/01/16-mil-haitianos-receberam-visto-para-trabalhar-e-estudar-no-brasil-em-2011.html

 
Deixe um comentário

Publicado por em 08/01/2012 em Haitianos, Notícias

 

Haitianos descobrem que sonho de vida melhor pode virar pesadelo

No caminho até a chegada ao Brasil, imigrantes sofrem com coiotes, fome e violência

O Globo- 08/01/12

BRASILEIA (AC) – Anoitece em Brasileia e centenas de haitianos se espalham na Praça Hugo Poli, uma das principais da cidade, em animados grupos. Uns ocupam a quadra, outros arriscam manobras na pista de skate, vários conversam sentados em bancos ou ao redor dos quiosques. Em minutos, o burburinho dá lugar a sorrisos e longos abraços. É a chegada de três mulheres, que acabam de descer de um táxi puxando malas de rodinhas, em cujas alças ainda estão presos os tíquetes de companhias aéreas. Uma delas é Rosina François, de 27 anos; sua história se encaixa como uma luva no sonho haitiano de morar no Brasil, ganhar um bom salário e, aos poucos, trazer a família.

Rosina é mulher de Dominique Desne, 34 anos, que chegou ao país em novembro, pela fronteira do Acre, assim como centenas de outros haitianos, como O GLOBO revelou na última semana. Hoje, vive em Sorocaba, no interior de São Paulo. Funcionário de uma empresa de construção civil, ele trabalha como pedreiro, é registrado e mora num alojamento da firma no município vizinho de Votorantim. O salário é de R$ 1.100 por mês. Com horas extras, chega a R$ 1.700, suficiente para alugar uma casa para a família que, em breve, estará de novo reunida. Os próximos a chegar são os três filhos do casal, Loumensa, de 7 anos, Donalason, de 4, e Chenala, de 9.

- Vim porque vi que quem tinha vindo havia conseguido emprego para trabalhar – diz Dominique.

O sonho haitiano de trabalhar no Brasil e ganhar salários de até R$ 4 mil começa numa agência de viagens da República Dominicana, com a qual todos fecharam negócio, mas de cujo nome nenhum diz se lembrar. É lá que são vendidos os pacotes de imigração ilegal, a preços que vão de US$ 1.000 a US$ 2.600. O roteiro é conhecido: República Dominicana, Panamá e Lima. A partir da capital peruana, o trajeto é feito de ônibus, passando por Puerto Maldonado, até Iñapari, última cidade antes da fronteira com Assis Brasil, porta de entrada oficial ao território brasileiro pela rodovia Interoceânica, que liga o Brasil ao Oceano Pacífico, num trajeto de 1.700 km.

O Brasil dos sonhos dos haitianos não tem crise econômica, é carente de mão de obra e, de quebra, ainda há Ronaldo Fenômeno, ídolo dos jovens haitianos. Mas, em Iñapari, o sonho acaba: o trabalho da agência termina ali, a 113 quilômetros de Brasileia. O percurso pode ser feito de carro ou táxi em uma hora e meia. A diferença entre sonho e pesadelo é saber se a Polícia Federal brasileira permitirá a entrada sem o visto obrigatório, que deveria ter sido emitido no Haiti. Desde o Natal, a fronteira está liberada.

Relatos de roubo em travessia no mato

Quem chegou antes, entre novembro e dezembro, foi vítima de boatos de que a passagem sem visto estava impedida e caiu nas mãos de coiotes. Dois irmãos peruanos cobrariam US$ 50 para levar até a fronteira com a Bolívia, e outros US$ 50 para cruzar com os haitianos dentro da mata, numa caminhada de duas horas. Há quem diga que, para simular dificuldade, a dupla fazia os haitianos andarem em ziguezague. Na fronteira da Bolívia, houve quem cobrasse pedágio para evitar que fossem presos. Mais US$ 50. Os que não tinham dinheiro deixaram malas e objetos de valor.

A pé, carregando malas no meio do mato, haitianos contam ter sido também roubados e mulheres, estupradas. Houve até notícias não confirmadas de haitianos mortos no caminho.

Luciene Chachou, de 24 anos, e Joseph Christine, de 37, vivem o pesadelo. Cada uma pagou US$ 1.000 para vir. Ao chegarem em Iñapari, em dezembro, souberam que a fronteira estava fechada e aceitaram o trabalho dos coiotes. Na mata, diz Luciene, as duas foram agredidas e tiveram seus pertences arrancados. Após o susto, chegaram a Brasileia sem saber por onde começar e foram acolhidas por uma haitiana, que alugara uma casa, enquanto esperava pelo visto. Mas, esta semana, a mulher foi embora.

- Estamos na rua, não sabemos onde ficar – diz Joseph Christine, que só fala crioulo, sentada na praça ao lado da amiga e companheira de viagem.

Com a ajuda de um intérprete, ela conta que não gosta da comida oferecida pelo governo do Acre; acha as condições em Brasileia muito ruins e está decepcionada, porque a agência que vendeu “o pacote” disse a ela que, logo ao chegar, começaria a trabalhar. Há cozinheiros, padeiros, pedreiros e profissionais de todo o tipo entre os haitianos na praça de Brasileia.

O problema é que eles não têm como sair dali. Além da espera pelo visto humanitário, que demora até 45 dias, agora há o medo. No ano passado, grupos de haitianos receberam passagem do governo do Acre para ir até Porto Velho, em Rondônia, onde encontraram trabalho, principalmente ligados à construção de três hidrelétricas. Lá, muitos esperam ganhar dinheiro e seguir para o sonho maior: São Paulo.

Haitianos com diploma universitário ou com dinheiro não ficam no hotel da praça. Alugam casas e andam pelas ruas. Pelo menos 20%, calcula o governo do Acre, são estudantes que buscam vagas em universidades. Muitos deles têm Brasília como destino.

A notícia de um sucesso, como o de Dominique, ou recados da família que ficou no Haiti, de que um ou outro já está estudando ou bem empregado, alimenta a esperança de quem está em Brasileia. Fresner Jeune, de 29 anos já possui CPF e visto temporário, mas diz não ter dinheiro para seguir viagem. E tem muito medo de ficar na rua numa cidade grande. O que faria numa cidade de 11 milhões de pessoas como São Paulo? Quem o ajudaria?

- Você acha que dá para arrumar emprego em São Paulo? – pergunta, com olhar esperançoso.

Assim como Jeune, centenas de haitianos perambulam pelas ruas de Brasileia. O visto humanitário dado pelo governo, por enquanto, termina ali.

 
Deixe um comentário

Publicado por em 08/01/2012 em Haitianos, Notícias

 
 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.